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Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

Um post de revolta.

Está bem, eu sei que temos de ir evoluindo na vida (ou "desenvoluindo" conforme o caso), frente ao constante "boost" desenfreado que as tecnologias têm hoje em dia, embora me queira referir mais especificamente, à "evolução" ou "adaptação" que alguns seres vivos - meu caso incluída - têm de ter aos seres vivos que "evoluem" com as tecnologias.

Okay, este início de post está a soar tão claro e elucidativo como ver um cão às voltas a tentar morder o próprio rabo porque pensa que aquilo é uma coisa dos demónios e que lhe está a atacar o próprio rabo (má escolha de palavras e péssima junção para formar uma frase, admito).

Virando e revirando o primeiro parágrafo, espremendo a ver se sai sumo, isto de aceitar e conviver com algumas modernices e o comportamento humano adjacente a essas modernices, têm muito que se lhe diga. Nem abrangendo um tema como as redes sociais e tudo o que isso engloba, desde o começo do twitter ao boom que o facebook teve, passando pelo instagram, em que as pessoas debitam na internet tudo o que fazem, inclusive tirar romelas e que foram à casa-de-banho e que coçaram o rabo com força e ficaram com vergões, relatando outras coisas tão úteis como essas e outras tantas. Todos nos fomos adaptando ao gadgets que aparecem e às situações fruto desses mesmos gadgets, desde os próprios telemóveis (que evoluiram de uma mala tipo Dick Tracy) como aos auriculares, migrando até aos dispositivos bluetooth, que nos permitem falar, fazer chamadas, com um dispositivo na orelha (tal e qual os super guerreiros do Dragon Ball, menos a viseira vermelha na frente, diga-se de passagem, mas também se arranja. Nada que uma fita cola e um pedaço de acetato vermelho não resolvam) às selfies, ao vulgo pau das selfies (este post está recheadinho de pérolas fiéis à boa língua tuga), às situações de as pessoas mal falarem umas com as outras utilizando a sua própria voz, estando quase a maioria do tempo com os olhos espetados no smartphone, mesmo em jantares ou reuniões de convívio, a andarem igualmente nos passeios na rua, de cabeça baixa a ligarem mais ao visor do que ao facto de estarem prestes a serem cilindradas por um velhinho de cadeira de rodas a motor. 

Agora, falo de mim. Adaptei-me a algumas dessas coisadas todas e tento aceitar outras, pois cada um têm o direito de se expor na medida que quiser. Adaptei-me ao facto de ver as pessoas com cenas nas orelhas a parecerem o extreminador implacável, a assistir a pessoas a falarem sozinhas, gesticularem e até rirem, percebendo que afinal não era com os amigos imaginários que estavam a conviver ou com as vozinhas solitárias no interior das suas cabeças mas era uma conversa graças a um gadget quase imperceptível. Adaptei-me ao raio das selfies e a situações de estarmos em concertos, a ouvir um belo som, a olhar para a banda e ver a surgir do meio da multidão, um pauzinho com um telemóvel na ponta, para filmar o concerto ou tirar foto ou tirar selfie. Aceitei isso.  Mesmo quando se pôs no meu angulo de visão quando estava a ver o Chester a cantar... adiante. Aceitei isso tudo. Até me desviar de malta de fuças pregadas nos telemóveis. É pá... é daquelas merdas. Porém, há algo que sim, me irrita e deixa desconfortável. Agora sim, demorei não-sei-quantas linhas e debitei não-sei-quantas palavras e conjuguei não-sei-quantas letras de modo a formarem palavras, frases, para dizer isto:

Que raio pá, cum catano e mais o catano que fez o catano, para as pessoas que ateimam em ir na rua ou em espaços públicos como nos transportes, ou quando até andam a passear no shopping ao fim-de-semana o fazem, que é por o telemóvel em voz alta e estarem a falar em altos berros para o telemóvel.

MAS PORQUÊ MEU DEUS? 

(tu.. tu... tu... o número para o qual ligou, não se encontra disponível. Por favor, tente mais tarde.)

É que tenho assistido a cada conversa, de corar o diabo. O que mais me fascina é o á vontade desta gente, de falar da sua vida, da vida de outros, assim, abertíssimamente, sem se ralando com quem ouve. Okay, a probabilidade de me voltar a encontrar com essa gente é quase ínfima mas mesmo assim, olha me voltar a cruzar com ela:

- Peixo, sabes, há tempos ouvi aquela criatura a falar ao telemóvel. Estava a debater a sua situação sexual com a sua cara metade, ao telemóvel, em pleno supermercado, com uma amiga.

Que mania, a sério. Podem não prezar a sua privacidade, mas ao menos prezem a dos outros. Não tenho de gramar com alcoviteirices alheias, nem coscuvelhices, nem apetites sexuais, nem que vão fazer a chegarem a casa e nem sequer com os seus planos de fim-de-semana. 

Ao menos, que falassem de algo útil, já que se tenho de gramar com estas situações... Olha vejam lá se falam de um trick para se lamber o cotovelo, outro truque para acabar o cubo de rubik sem ser descolar as cores todas e voltar a colar fazendo as faces de uma cor ou como fazer o saldo das nossas contas crescer exageradamente, enquanto desfrutamos da vida debaixo de um coqueiro, numa praia paradisíaca. Não... essas coisas não. É que nem a outra que falou da vida sexual, acrescentou em nada: ao menos podia ter partilhado coisas interessantes, posições novas ou novos sex toys no mercado. Nãoooo. Vá-se lá entender.

 

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