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Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

É um sinal do fim dos tempos?

30.12.19, Peixe Frito

Isto de começar o dia na santa paz do senhor e passar por um carro branco, cuja matrícula têm as letras OB... Dá que pensar.

E sim, era uma senhora que ia a conduzir.

Piada demasiado óbvia, não é? Até mesmo para o sentido de humor retorcido do universo.

O meu conto de Natal.

24.12.19, Peixe Frito

Ainda venho a tempo!! Este ano aceitei o desafio lançado pela imsilva, para escrever um conto de natal. E aqui está ele! Espero que gostem!!

 

Ela era uma rapariga normal. Pelo menos, aparentemente. Todos os anos ansiava pela época natalícia, que lhe trazia o calor e o conforto das suas memórias de criança: desde o cheiro da mãe a passar a roupa, ao odor de pinheiro nos antigos enfeites de natal, que passasse o tempo que passasse, parece que ficava parado no tempo, não abandonando as fitas desgastadas e as bolas a ficarem incolores.

Porém, naquele ano, tudo estava diferente. Ela estava diferente. Tinha vivido uns anos duros, com altos e baixos que só a vida sabe graciosamente conceder. Suspirou fundo. «Mais um ano sozinha. Já há demasiado tempo». Não se deixou envolver por aquelas mágoas antigas, réstias de um passado feliz e de momentos de tristeza à mistura. Lá meteu os pés na terra, se levantou e se foi despachar para a consoada de Natal.

A caminho da casa de família, observou a paisagem: o sol quente na face, as árvores que a viram crescer, os pássaros na sua costumeira azáfama. Entrou no pátio e sentiu o cheiro do inverno, do frio, do húmido nas folhas das azedas, nos limoeiros e o aroma das flores de nespereira. Parou por momentos. Fechou os olhos e ali ficou por breves instantes. Inspirou fundo. Lembrou-se de si própria, pequena, a correr por aquele corredor abaixo, feliz da vida, a roer azedas. Como a vida era tão simples, naquela altura. Retomou o passo. Tira as chaves para abrir a porta e entra em casa. Mesa posta com  serviço de natal que a mãe todos os anos usa religiosamente. A mesa dos doces e bolos, o pai de um lado para o outro a por a mesa enquanto a mãe está de volta dos tachos na cozinha. O resto da família sentados na sala, a falarem alegremente, com a grande árvore de natal ao canto da mesma. Linda. Com luzes a piscarem vivamente. Prendas debaixo dos seus ramos. Parou a contemplar aquilo tudo e sorriu. 

Após a azáfama do jantar, chega o momento de abrir as prendas. Ninguém gosta de fazer as crianças sofrerem à espera da meia noite. Sentam-se nos sofás e começam a distribuir as prendas, dizendo o nome em voz alta, correspondente a aquela prenda e eis que ela cai em si: Como se visse tudo em camera lenta, desde o pai no seu sofá ao resto da família a abrir prendas, papel por todo o lado, caixas de brinquedos e risota de felicidade, ela pensou para consigo: «Como me posso sentir eu só, se estou com as pessoas que amo?» e os seus olhos brilharam. O seu coração aqueceu. Naquele momento, entendeu o valor que aquelas pessoas têm para ela. Que estão sempre a seu lado nos momentos baixos e altos da vida. Riem e choram com ela. Relembrou-se do que é o significado do natal para si e para a sua família. O momento em que todos estão juntos e que não abdicam por nada.

- Tia!! - ouve ela. Estendem-lhe uma prenda. Ela sorri e agradece. Quer seja pela prenda, quer seja por ser abençoada, pela família que têm, e pelo facto de que não há prenda no mundo, que se compare à companhia daquelas pessoas que a rodeiam.

Se fosse alguma normal, aí é que me admirava.

24.12.19, Peixe Frito

Só porque é natal e completamente alheia ao facto de me terem oferecido uma mega caixa de bombons com o meu nome - foi um toque fofinho... comprarem precisamente daqueles que têm nome de gaja na caixa. Em bombons usam o meu nome, mas agora para apelidar tempestades e merdices dessas... está de gesso. Ah e tal, em bombons é mais fofo. Meh - hoje apeteceu-me ir cuscar qual era a música que estava em voga, no ano em que eu nasci. Completamente à parte de ter nascido a uma terça-feira e ser Carnaval - Carnaval a uma terça? Coisa estranha. Não me digam que a Páscoa também calha ao domingo - quando de facto vi a música que estava a dar cartas, a bombar em pleno na época natalícia... tudo fez sentido. A começar pelo nome da música. Apresento-vos: "Elmo & Patsy - A avó foi atropelada por uma rena".

Assenta que nem uma luva! 

Feliz Natal a todos os meus leitores e amigos, muitas prendinhas na peúga. Tenham cuidado, não vá ela pirar-se da lareira e levar as prendas com ela... já sabem como são as meias!

Yep, confere.

23.12.19, Peixe Frito

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Pois é, pois é... Aqui a fritadeira teve em destaque este fim-de-semana e eu, nem dei por isso  Qual a surpresa, não é verdade? Mal sabia eu que enquanto estava no aquário a comer floquinhos e a mudar o óleo das fritadeiras, andava malta por aqui a espiolhar!

Agradeço à equipe do sapo pelo destaque!!

Xi 

 

Aprendam meus filhos, aprendam... Que génios destes, não duram para sempre.

20.12.19, Peixe Frito

Um parque automóvel têm buracos no pavimento. É chato... são as poças que nem girinos criam de tão manhosas, é a malta a por lá os pés aquando vai para as suas viaturas, sou eu a meter os pés nas poças de propósito só para me meter com os colegas que andam de ténis e fogem das poças como diabo da cruz, sem mencionar que a manobrar, os carros as cilindram. Então, há que reparar... certo?

Claro. Em dia que está aviso amarelo no país inteiro, de que uma tempestada se aproxima de território nacional, que vai ventar como o caraças mais velho e chover como se não houvesse amanhã. Mas não há como errar! Observem onde estão as poças e é precisamente para lá que mandam o cimento fresco.

Ó senhores... a sério? Sim, a sério. Só visto, que contado ninguém acredita.

Ao menos não misturavam água na massa, aproveitavam a que estava nas poças. Nem nisso pensaram.

Génios. Tão brilhantes que até a lâmpada parte de excesso de energia.

Haja alguém que pensa como eu, que há uma conspiração evidente!

20.12.19, Peixe Frito

Para rirem um pouco. Boa sexta-feira pessoal!!

Felizmente eu até corto as unhas dos pés, senão nem quero pensar na rebaldaria e revolução que era.

20.12.19, Peixe Frito

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É assim, eu sou descontraída - agora... agora - de modo que se calçar umas meias e vir que ela está com o tecido a querer grelar batatas, várias vezes não as descalço, optando por as coser ou dar outro uso, quando as descalçar. Somente as descalço se tiver tempo - de manhã, o tempo é escasso e para quê perder tempo a descalçar, ir procurar peúgos, calçar os animais, enquanto se tiver uns que aguentam, embora quase estejam a içar a bandeira branca, até ao fim do dia? Embora para a frente, que atrás vêm gente!!

Como era de esperar, esta minha atitude de "'bora lá senão atrasamos" às vezes vêm morder-me o rabo. Claro! De que estavam à espera? Então, raros são os dias em que calço peúguedo a arrastar-se como que a sair de dentro de água depois do barco ter naufragado, mas calço quase sempre em dias que acabam por ser, os mais inapropriados. Nesses dias, a vida dá voltas e eu decido ir comprar sapatos... ou calças. E, naturalmente, tenho de me descalçar. E como é que o faço sem ninguém notar que a meia está a modos que... coiso? Pois é... Também acontece eu nem ver que elas tinham um buraquinho e quando descalço na sapataria: "tcha-naaaaaaaaaaammmmmmmmm!!" calcanhar roçado ou batata no horizonte - parece que lhes cheira que eu me vou descalçar em público - Que fazer? Olha... erguer a cabeça e dar o corpo ao manifesto, o peito às balas. Que atire a primeira pedra quem nunca teve meias furadas na vida!

Se eu não fizesse vistoria ao peúguedo aquando o descalço antes de por a lavar e antes de as arrumar, sabendo que as criaturas precisam ou de ser cosidas ou de ser tempo de assumirem outros cargos, tais como os de limpar vidros ou a casa-de-banho, eu até compreendia que estas situações de batata surpresa se dessem. Mas não. Tenho cuidado com o cultivo das meias no aquário, mas há sempre uma ovelha ranhosa no bando.

Começo a achar, que há conspiração do peugal contra mim. Já não basta as desirmanadas durante as lavagens, que entram as pares e sai só uma ou a novela de não encontrar o par dentro da cama, ainda mais criarem batatinhas novas num piscar de olhos.

Já não se fazem meias como antigamente. Tenho dito! Por causa das coisas, vou deixar de por amaciador nas lavagens, a ver se elas gostam e aprendem a se comportar.

Não posso dizer que não fui avisada.

16.12.19, Peixe Frito

Que posso eu pensar, ao me deparar com uma fruta com vários autocolantes destes?

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Das duas três, ou este deu luta e andou verdadeiramente a distribuir peros pela malta, aquando foi colhido ou então é uma fera indomável, que um autocolante não bastava para avisar qualquer vítima incauta ao seu ar pacífico. Às tantas, era somente um pero que gostava de aplaudir os feitos da malta, com síndrome da Amália, versão "Obrigado, obrigado" adaptado para "Bravo, bravo".

Na via das dúvidas, decidi lidar com a situação da melhor maneira possível. Antes que me pudesse bufar o que fosse, pôr as unhas de fora, vestir  armadura para o combate ou um xaile de renda com franjas, dei-lhe um par de dentadas e a coisa resolveu-se. Ainda temi pela vida, pois era sumarento e a malta pode engasgar-se... mas foi uma luta digna. Pereceu com honra.

Que a sua alma esteja em descanso.

Desafio de escrita dos pássaros #14 | E para hoje, um pouco de mim, de modo não usual.

13.12.19, Peixe Frito

Posso aparentar ser desastrada, distraída, tótó por vezes e loira não só por fora mas também por dentro, com as partilhas que habitualmente faço com os meus leitores. Brincalhona para com terceiros e constantemente na paródia, aparentemente não levando nada a sério. Mas se querem saber, eu sou muito fora dos moldes da sociedade. E não digo isto porque é moda ou da boca para fora. Quem me observa, pareço desenxabida, ar de quem não parte um prato e de sonsa sem sal, mal sabe que quem vê caras não vê corações e que, por detrás desta cara de anjo, na verdade é uma pele de diabo, mente observadora e perspicaz que está constantemente a fervilhar de ideias – boas ou más, isso depende para onde pende a parvoeira – de paladar refinado acerca de tudo na vida. Não nasci para enquadrar em uma sociedade onde o outro é oprimido, constantemente têm de provar o seu valor ou acha que têm de se enquadrar, não vendo que é prisioneiro pelo seu próprio pé e vontade, com medo de arriscar a ser ele verdadeiro e esticar as asas e voando para longe, onde os outros fiquem em raios que os partam.

Primo pelo meu sentido de humor sem maldade mas extremamente sarcástico, e optei por me rir invés de chorar, embora isso incomode. E eu não me ralo com isso. Luto para ser autêntica comigo mesma, seguir as minhas vontades e trilhar o meu caminho pelos meus ideais, valores e objectivos. Se ao me expor, contando parvoeiras do dia-a-dia, que muitos também vivem mas não ligam, por estarem ligados à tomada e de cérebro dormente – sem julgamentos, são escolhas das pessoas – corro o risco de ser rotulada de coisas menos verdadeiras, é algo que não me assiste, pois nada tenho a provar. Gosto de incutir a minha visão de humor em coisas corriqueiras, pois tristezas, já tive a minha dose.

E esta sou eu. Franca. Honesta. Directa. Crua mas de coração quente e sempre pronta a ajudar. Não nasci para não ser eu e viver pelas expectativas de terceiros, mas nasci para Ser. Se isso faz de mim a ovelha loira ou negra do rebanho, não faz mal.

Sejamos autênticos e não portadores de ilusões e formatações externas, mas sim internas.

Nascemos para viver e não para usarmos véus na alma, cosidos pelas mãos de outros.

Ia sendo, mas não fondo. Safei-me resvés Campo de Ourique.

13.12.19, Peixe Frito

Alheada ao facto de ser sexta-feira 13, dado serem sete e tal da manhã e o tico e o teco ainda estavam extra dormentes, hoje pensava ser sábado. A sério! Acordei e pensei:

- Nossa que bom, hoje é sábado e posso dormir até mais tarde!!

Só que não. Daí a momentos, toca o despertador. Até podia pensar que o teria programado mal mas eu sei bem no meu íntimo, que ele está programado só para tocar aos dias da semana, por isso se ele estava a tocar... era dia de mexer a peida dos lençóis.

E assim começou a minha esplendorosa sexta-feira. Com uma vontade de me levantar extra crocante com cobertura de não-me-apetece-mexer polvilhado de raios-partam-que-ainda-falta-um-dia-para-sábado. Ma-ra-vi-lho-so. Melhor que isto, só ter de ir às compras no fim-de-semana e quando se começa a chegar à periferia dos hipermercados, decidir passar fome só para não ter de me enfiar nas filas de acesso, conseguindo passar isso tudo, as formigas às compras e filas e filas e filas para me vir embora, já eu perdi anos de vida. Ainda pior do que uma corrida de obstáculos, em que o chão está encerado e os corredores com mini meias de vidro.

Ainda espero pelo milagre natalício, de ir e vir das compras descansada, nesta época do ano.

E pensar que este post começou por eu ter tido sorte em não me atrasar, apesar de estar a sonhar com o doce sábado, e acabou a falar em milagres de Natal. Isto é que é!

Poderia perfeitamente ter sido comigo, mas não foi!

12.12.19, Peixe Frito

Alminha com pés frios em pleno local de trabalho. Que desconforto... Será do frio? Será chuva, será vento? Gente não é, certamente, e a chuva não bate assim! Que se lembrou a rapariga? Aproveitando que estava parado de clientela, foi colocar água quente da máquina do café, dentro de uma garrafinha de água, naquela de aquecer os presuntos - logo aqui, começa logo a cheirar a meio caminho andado para algo acontecer. Não vou ser spolier. Adiante! - Foi sentar em uma mesa mais recolhida, descalçou os ténis e vai de por o pézito em cima da garrafa. Ahhh está a aquecer... só que não. A garrafa começou a encarquilhar - plástico + água a escaldar, não sei como não mirrou toda ainda a ser enchida, um verdadeiro milagre de época natalícia - e o raio do rótulo começou a descolar. Como um mal nunca vêm só, a cola do rótulo ficou assim a meios que a temperar a peúga. Uma pessoa já não pode ser desenrascada e tentar aquecer os presuntos, de surra, sem nenhuma malvadeza lhe acontecer, bolas!! Para quem se pergunta, não. Os pés não ficaram quentes. Nem aqui, nem na China.

Moral da história: Esta hoje não perde os ténis de certeza, dado que a meia está bem coladinha à palmilha do mesmo.

Cá para mim, foi mazé Deus lá de cima a dizer:

- Ó mulhér. Olhe lá o nível e as figuras. Controle-se senão vou arranjar maneira de você passar o dia arreliada com a peúga a colar nos cascos.

E assim foi! Não se fez luz mas criou-se uma parceria inseparável entre a meia e a palmilha! Essas já podem contar a sua história de amor... que se juntaram por causa de uma garrafa de água. Não é lindo? A mim derrete-me o coração, como a água quente, o plástico da garrafa.

Ai Santa Inocência e para aquilo que eu estava guardada.

11.12.19, Peixe Frito

Por vezes, é tramado existir uma criança pequena na família. Principalmente uma que adora ir-se enfiar na casa-de-banho, quando uma pessoa lá está. Bem que podemos fechar a porta, enxotá-la, que ela não arreda pé. É neste suposto momento de descanso e nada privado, que ela decide fazer conversa sobre a mais variada miríade de coisas. Pronto, sei lá. Se calhar fica inspirada. Uma pessoa, lá acaba por tolerar a presença dela. Afinal, é pequena, não entende ainda certos tipos de limites, além de que a família têm um hábito peculiar, que é ir à casa-de-banho e deixar a porta aberta. E não há dúvidas de que quem vai à poltrona e deixa a porta aberta, está mesmo a pedi-las, para ser desassossegado, independentemente do que quer que esteja a fazer. 

Então, está a pequenita à minha frente, a falar que se desunha e observa que me vou limpar do chichi. Adianta-se a mim, vai buscar um pouco de papel higiénico e fica à minha frente à espera. E eu a olhar para ela. Pensei que me ia dar o papel, mas não podia estar mais enganada. Ela estava à espera, porque me queria limpar! Pois é, pois é. Tal como eu a limpo a ela, ela acha mega normal me limpar a mim também.

Como podem calcular, dei-lhe uma corrida. Mas não deixei de me rir sozinha, de ela estar à espera de me limpar o rabo. Valeu pela intenção, devo frisar.

Mas será que só a mim me acontecem estas coisas?

Desafio de escrita dos pássaros #13 | E assim todos viveram felizes para toda a eternidade, com os dentes livres de cáries!

10.12.19, Peixe Frito

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Em um filme de zombies, cuja existência foi causada por um vírus de laboratório que gerava a mutação nas pessoas, era de esperar que o final do filme mostrasse a cura. E assim foi. Alice, a única com o antídoto contra a bicheza que gera zombies como uma linha de espetos vira frangos ao lume, descobriu como curar os zombies e salvar a humanidade. Em pleno ambiente de caos e destruição, Alice foi à Fábrica de Chocolate falar com o Willie Wonka e conseguiu o seu contributo: saiu de lá artilhada com doces, dippers, pinta línguas de amora, até aos dentes. Como arsenal, aviões que polvilhavam açúcar em pó e petazetas pelo mundo e, o armamento pesado: rebuçados com o interior ácido, para os zombies mais exigentes de paladar e bombas de marshmallow fofinho, daqueles torcidinhos. Assim foi a vez dela de gerar o caos no mundo e aterrorizar os zombies. Depois de muita punhada e de enfiar rebuçados pelas goelas abaixo dos zombies, era vê-los a transmutarem-se em ursinhos carinhosos, unicórnios alados e a expelirem arco-íris pelo rabo. Outros, tão eufóricos por consumirem ursinhos goma e em êxtase por por fim meterem a reforma aos seus dias de zombie, acabavam por perecer, explodindo em toneladas de purpurinas e borboletas por todos os cantos, causando o renascer da natureza já quase extinta, árvores de algodão doce, erva com chupa chupas, pavimento com arroz doce e canela e riachos de água doce. Foi lindo de se ver e assistir. O mundo a ganhar nova vida como uma cambada de hiperactivos, dado o excesso de açúcar a correr nas suas veias! Nunca a vida teve tantas cores e emoção!

E que aconteceu à Alice? A Alice ficou em ponto de rebuçado ao ver aquilo tudo a acontecer com a sua ajuda. Humilde como só ela sabe ser, pendurou os caramelos e as armas de distribuir pez e foi tomar um banho em uma fonte de fondue de chocolate, vivendo feliz para sempre, a comer chocolates com recheio de menta e com a sua carteira de clientes a aumentar de dia para dia, pois Alice decidiu continuar a ajudar a humanidade, formando-se em estomatologia.

Desafio de escrita dos pássaros #12 | Cá para mim, era um plano maquiavélico.

06.12.19, Peixe Frito

Isto aconteceu a uma amiga minha. Juro que é verdade. Passo a relatar:

Ora então, era ao fim da tarde, era à noite, era de madrugada, sempre a dar-lhe! Não havia descanso. De manhã era acordar com olheiras, cabeça moída e enrezignada. E não era para menos. Havia um par de bichos alados, que tinha o hábito de pousar na estrada, mesmo em frente à casa da moça, a fazer uma chiadeira um para o outro, como se tivessem na galhofa. Certo dia, a rapariga passou-se da marmita, abriu a janela, foi à varanda e grita para aqueles seres demoníacos:

- Xô pá! Raios vos partam!! Não têm outro sítio para irem cheirar?? Vá, a andar, andar daqui para fora!!

Silêncio. Os passarecos interromperam a sua conversa, olharam para ela e de certeza que pensaram:

- Olha aquela, com aquele cabelo de esgazeada, aos berros na varanda! Que má vizinhança, esta gentinha.

E voltaram a conversar um com o outro, sem ligarem peva à rapariga.

Ao fim de uns dias, nunca mais ninguém lhes pôs as oftálmica em cima. Verdade seja dita, nunca ninguém percebeu porque é que os bichos faziam ali os seus meetings a horas suspeitas.

Que andavam eles a tramar? Ficou no segredo dos Deuses.

Desafio de escrita dos pássaros #11 | Ela é de facto alguém com um parafuso a menos, mas nós amamos ela na mesma.

06.12.19, Peixe Frito

«Tenho fome. Tenho fome. Tenho fome. Tenho fome. Mas será que ela não chega a casa? Onde andará ela??» enquanto isso, andam as feras às voltas pelo seu estaminé, a virar tudo do avesso: plantas a serem desenterradas, pedras fora de sítio, castelos tomados e de patas para o ar, no fundo, um ver se te avias.

Finalmente ouvem-se as chaves na porta - eu Peixa, quero pensar que eles ouvem, mas duvido - a porta fechar e um:

- Olá meus amores! - seguido de uns gestos de ondular com as mãos.

«Não há dúvida que adoramos quando ela chega! É um festim!! Ficamos todos doidos de um lado para o outro, pomos os narizes e o dorso fora de água e respingamos tudo por todo o lado! Mas mas... E comer, que é bom?? Onde ela vai?? Hey, hey os flocos pá, gaja?! Ahhh está a voltar. Vamos encher a pança!

Isto é assim todos os dias. Chega a casa e antes de nos dar os flocos, vai para ali baixar as persianas, como se isso fosse o mais importante! E descalçar-se. Ó ó, mas então agora vai à casa-de-banho. Mas que anda ela a fazer?

O que vale, é que depois vêm para o sofá e vemos todos televisão. Embora não a deixemos descansada... enquanto ela está na sala, é só barafunda neste aquário! Queremos que ela se meta connosco, nós gostamos tanto! Adoramos quando dança para nós e canta também! Embora por vezes pareça uma sereia desafinada com dores de costas, a cantar com uma voz das grutas... não deixamos de dar todos um pé de dança.

Todos os dias é uma paródia. Somos todos muito felizes aqui por casa!»

Dizem que os animais são um espelho dos donos e eu não tenho dúvidas, que os meus são mesmo!

A minha black friday.

04.12.19, Peixe Frito

Sabem quando compram um telemóvel novo e ficam todos contentes com a cenice? Formatam ao vosso jeito, instalam as apps que tinham no antigo tijolo, as músicas, as fotos, os contactos e tudo e tudo e tudo. Arrumam a antiga criatura na caixa dele e armazenam no arquivo vertical dos telemóveis de vossa casa. E tudo corrre bem, até chegar a segunda feira a seguir ao fim-de-semana do black friday.

De manhã, o receio de não ouvir o novo despertador, era latente. Até acordei antes da hora. Até que... ora aí está o novo despertador! Ahhh hora de levantar. Mas, partilho: eu ponho o despertador a tocar não sei quanto tempo antes da hora de levantar, para dar a margem do engonhanço e do adiar até levantar. Adiei o toque do despertador, afofei nas mantas quentinhas... eis que oiço o antigo despertador a tocar. O telemóvel antigo, acordou dos mortos, no confim dos armários, dentro da caixa! Resiliente, a criatura, hein? Pois é. Lá tive de me levantar e ir desligar e desprogramar o alarme do anterior telemóvel, que me esqueci. Não me levantei quando o despertador tocou, porque não me apeteceu. Mas o outro diabrete, fez-me levantar na mesma. Ninguém merece.

Não se esqueçam de desligar os alarmes no vosso anterior telemóvel senão vão ter uma criatura a assombrar-vos, a surgir do silêncio da casa, vinda das catacumbas dos tempos, vos tirando do aconchego dos lençóis!

Aprendam comigo, que não duro para sempre.

E que têm isto a ver com a Black Friday? Nada. Só assim por acaso.

É com muita tristeza, que tenho de dar esta notícia.

04.12.19, Peixe Frito

Pois é meus caros, pesa o coração. Muita mágoa. O que vale é que as boas memórias prevalecem. Vou-me deixar de rodeios porque acredito que as más notícias, devam ser dadas sem paninhos quentes nem falinhas mansas, usando a técnica do penso rápido ou do puxar da banda de cera no peito do Tony Ramos. Dói, mas têm de ser. 

Ontem à noite, deu-se um acontecimento: a minha comadre aka saco de água quente, desfaleceu. Estava tudo bem, estava operacional como sempre. Pronta a que eu colocasse a água a ferver dentro da sua criatura, com o intuito de me aquecer as mantas antes de eu me deitar. E assim foi. Até ao momento fatídico, em que a coloquei no fundo da cama e lá encostei as escamas. Bem antes de dar o peido mestre do seu último suspiro, ainda teve tempo de me dar uma última lição de vida: nunca por os pés descalços nos sacos de água quente, pois a porra da borracha a escaldar, queima os presuntos. E que aprendizado útil e legado ela me deixa.

Não consigo descrever o que senti, depois de ter queimado os pés mesmo na única zona do saco de água quente que não tinha aquela cobertura exterior, volto a frisar, a única, e quando desvio o pé, sinto os lençóis humedecidos. Inicialmente ainda achei que era do calor, mas quando começo a sentir poça, deixei de achar piada. Resumindo: queimei o pé, fiquei com os lençóis molhados, o colchão ensopado e ainda com um saco de água quente a menos, vertendo pelo caminho até à casa-de-banho, numa procissão fúnebre gloriosa. Felizmente os lençóis eram polares e não absorveram água nenhuma, mas deixaram repassar para o colchão. Uma verdadeira maravilha da natureza, um deleite para a minha paciência e sono, dado que estava tão quentinha nas mantas e tive de me levantar, esfriando eu e a cama.

Aviso que o funeral vai ser feito hoje, pois tive de deixar verter o resto das entranhas do animal durante a noite no lavatório. Irei tirar as suas vestes, já lhe tirei o pipo e os seus restos mortais vão para raio que os partam e diabo que os carregue.

E assim termina um relacionamento de mais de 20 anos. Muito companheirismo existia. Conforto. Éramos comparsas nos dias de frio e em momentos que eu estava mais fria, aquecia-me sempre sem se negar. Sabia que podia contar com ela. Mas é assim a vida.

Just for the record, eu tenho as unhas dos pés cortadas, por isso não foi nenhum incidente ou assassínio assim, à roupa quente e água a escaldar.

Senti que tinha de partilhar convosco, que iriam gostar de saber.