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Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

Desafio Caixa dos Lápis de Cor | #6 Laranja

24.02.21, Peixe Frito

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Existe quem se atreve - digo "atreve" porque quem sabe o Kraken que me habita, quando mandam pedrinhas para a minha poça a perturbar a santidade da minha pessoa, têm consciência que se está a habilitar a que lhe saia algo maravilhoso no sorteio da minha roda da sorte do mau génio. Daqueles brindes manhosos e que só servem para encher choiro... mas põe-se a jeito, depois querem milagres - de me gozar por eu ser muito virada para as cenaices naturais. Fama de que a minha casa parece uma potencial selva Amazónica, dada a minha tendência a ter carradas, resmas, paletes, meia dúzia de plantas, ervas aromáticas, chás, óleos, mézinhas e raios que me partam. Há uma alma em específico, que até adooora me perguntar que tenho eu no lume, no caldeirão, para o jantar. Gente que têm a mania que têm piada e que se habilita a que lhe saia a sorte grande e que lhe fique a faltar um talher no faqueiro que é a sua dentição pepsodent aparte, há coisas que fazem mesmo parte de nós e não são modismos só porque sim. Desde alevim que estou habituada a usar plantas em várias vertentes. Assim sendo, meia volta dá-me na telha alguma ideia luminosa e começo a revirar o tico e o teco, para qual planta ou cenaice, é a mais indicada para atingir o meu objectivo.

Não sei se a maioria sabe, mas a nossa dentição têm variações de cor natural: ora podem ser muito branquinhos como bem amarelos - pá... há quem tenha sarro nos dentes, porque nunca apresentou a escova de dentes aos ditos, okay? Pigmentação natural mas advinda dos restos mortais das refeições que têm degustado ao longo da vida, quiçá voltando a saborear algum pedaço do jantar romântico em 1357, revivendo memórias ao aceder ao compartimento dental da refeição que a sua avó fazia ao domingos para a família ou mesmo para se lembrar que temperos determinado prato leva, porque a memória também falha, não é verdade? E até dá um jeitaço, pois nem sempre se têm o caderno dos apontamentos das receitas à mão ou net no tijolo. Olhem que é tentador... Bem...! Saudosismos gastronómicos e dentes à moda de saco do Sport Billy aparte, há os menos afortunados, que por muito que escovem a placa... continuam amarelos, os animais. Gostava eu que a roupa mantivesse tão bem a mesma cor lavagem após lavagem, como o amarelo de alguns dentes alheios se agarra à vida, com unhas e literalmente, dentes - Tive uma fase da vida em que achava que as minhas chicletes tinham um ligeiro pigmento a amarelo. Pá, sei lá. Deviam ser as romelas naquele dia, mas a verdade é que mesmo que eles não estivessem, não há nada como metermos macacos na cabeça, que até vimos o que não existe. Não sendo a favor de químicos e etc, falei com o meu dentista e ele lá me deu umas dicas naturais - é um fixolas - Não satisfeita, recorri às plantas. Nada melhor para tratar as manchas do que o belo do açafrão-da-terra. Conhecem?

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É só aquele rizoma que pode ser utilizado para tingir tecidos, dando uma bela cor amarelo mostarda, que se não nos pomos a pau, onde quer que ele seja utilizado, tinge, entranha, funde-se, integra-se, faz parte da circulação, faz uma fusão ao estilo Dragon Ball, usurpa a vossa identidade, casa, cão, gato, filhos, páiriquite como dizem os ingleses e soa mais fancy - não necessariamente por esta ordem - trabalho, ocupa o vosso lugar na mesa, usa a vossa identidade, manda vir pizzas com a conta em vosso nome e passa perfeitamente por um clone vosso - não vos quero assustar, mas o animal é bravo - e para tirar aquela cor, Deus nos ajude, Diabos o carreguem... nem um padre a benzer, venha o exorcista, chamem os bombeiros, a guarda civil, o pai, a mãe, o irmão mais velho, reguem mazé com gasolina e peguem fogo, que é mais prático de retirar a cor. Experimentem a utilizar no comer ou até para um sumo ou mézinha, e depois logo me dizem como elas mordem. Não usem um fato biohazard não... Uma vez fiquei com as unhas alaranjadas quase uma semana! E olhem que a título especial e porque as medidas de urgência assim o exigiam, cometi a loucura de lavar a loiça à mão e utilizando detergente, lavar as mãos com frequência, esfregando quase até ver o sangue circular a olho vivo nas veias e até, imagine-se, tomar banho todos os dias!! Deu a louca na gaja! Passei mal... Tanto banho e limpeza... Não me sentia eu! Faltava alguma coisa: cheiro, provavelmente. Agora imaginem a situação: eu queria branquear mais os dentes, então todos os dias de manhã, comia um pedaço de açafrão fresco. Nada como começar com algo produtivo pela manhã! Mastigava o animal bem mastigadinho e ia lavar os dentes. A vida dá-nos sinais... e eu devia ter percebido que o factor da minha escova de dentes estar amarelo-alaranjada já era um sinal dos tempos. Um dia estou no trabalho e uma colega a olhar fixamente para a minha boca. Okay, podia estar a pensar que tenho uma boca linda e sexy e eu não a criticava mas não era nada disso...

- Ó Peixa... mas tu tens a língua laranja??

- Erm... tenho??

- Sim, e não é pouco!! Que raio andas a comer??

- Só raiz de açafrão fresco... nada de especial - murmuro.

Efectivamente, há quem faça sorriso amarelo.... eu como tenho a mania de me armar ao cardo, andava a armar-me em sexy, com sorriso laranja. Mas os dentes estavam branquinhos...! - mas o resto... laranja. Quase tão mau como aqueles bronzes mega naturais, ao estilo solário.

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Bronze tentador, não acham? É de uma pessoa passar em um laranjal e ver as laranjas a mandarem-se das ramas para o chão, só para serem colhidas por tal criatura charmosa.

 

E antes que me comecem a mandar bocas foleiras, "Ah e tal ó Peixa daltónica, o açafrão é amarelo dourado" e blá blá blá pardais ao ninho, ele é laranja sim, enquanto fresco e a cor fica predominantemente laranja, apenas sendo diluído é que esbate e fica amarelo mostarda ou ketchup ou molho de alho com coentros e pimenta. Como apenas o uso fresco, associo mais a laranja do que a côr de mostarda de Dijon. E olhem que nós somos tu cá, tu lá! Sei do que falo. Infelizmente, por experiência cromática própria.

Este post já vai com três metros de comprido. Ainda contava aqui a minha saga com eu comer laranjas ou quando ao meu redor comem laranjas e eu sou metralhada pelo sumo ou pelo óleo da casca - seja como fôr, têm sempre de vir passar a mão no pêlo ou ir ao olho da Peixa - mas fica para outra oportunidade. Até porque já devem estar com os zóios tortos e a espumar, por este post nunca mais acabar - até rimou, que lindooooo

Ah! E era de esperar que a fotografia tivesse algo a ver com o post, né?? #sóquenão!

 

Neste desafio participo eu, a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Fátima Bento, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, a bii yue, o José da Xã e o João-Afonso Machado.

Todas as quartas feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada um ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor". Ou então, junta-te a nós ;)

Desafio Caixa dos Lápis de Cor | #5 Azul Cobalto

17.02.21, Peixe Frito

Se há cor que adoro, é o preto. Eh pá, é daquelas coisas! Sempre foi a minha cor predilecta: pintar as unhas, lápis nos olhos, roupas pretas - não, não era candidata a gótica, vamp, nem nada do género - até que dada altura, a mãe Peixa resolveu pôr os pés à parede. Disse-me que não me comprava mais roupa preta - blasfémia, ultraje, nem acreditava no que eu estava a ouvir. Fiz greve de fome até à próxima refeição, que devia ser daí a uns 5 minutos - para eu começar a usar outras cores. Que era demasiada a minha tendência de vestir e usar a cor preta. Achei que estive a modos de ser internada em alguma instituição para pessoas com problemas monocromáticos ou fazer parte da associação dos pretos anónimos  - é pá, isto soou mal, mas vocês entendem - sendo eu branca como a cal, loira de olho verde, parecia mais alguém que já bateu a bota e ainda não tinha recebido a notificação. Tive de me render às evidências, antes que a mãe Peixa me começasse a escolher a roupa e eu andasse a vestir vermelho e essas cores que ela tanto adora e eu, meh... nem por isso. Pronto, está bem. Vamos lá deixar mais o preto de lado. Como posso contornar a situação?? Fácil. Qual a segunda cor na listagem, do arco-íris que é a minha pessoa e a minha vida? Azul. Ah o azul! Comecei a comprar mais tudo em tons de azul. Óbvio que a mãe Peixa percebeu a jogada, basicamente substituí o preto por azul, mas com um revirar de olhos mental dela, entregou-me aos lobos cromáticos de cores neutras e frias do meu vestuário, em estilo "desengoma-te para aí, tu e mais a tua esperteza saloia". O resultado, é o que podem imaginar: parecia uma onda do mar com pernas. Azul e azul e mais azul. Felizmente passou a panca de querer pintar o cabelo de azul... E foi substituída por outras, evidentemente.

Hoje, adulta - mas não com muito mais juízo e a continuar a ter recaídas pela cor preta, fazendo a mãe Peixa suspirar, quando vai comigo às compras de roupa e me vê a pegar em vestidos pretos.. - sou uma criatura forrada de padrões e cores, a fazer pandam com a minha personalidade tímida, pacata, sossegada e com ausência de humor. Porém, o azul manteve-se constante. É assíduo na minha palete de cores.

Há uns anos, decidi ir comprar uma farpela janota, para o meu aniversário: apaixonei-me por um macacão cai-cai azul cobalto - nada a ver com o dos mecânicos, okay?? - e comprei-o. Ui se era maravilhoso! Prático, cómodo, assentava bem no bafunfo e não era de cor preta. Chega a altura da minha festa de aniversário - sabem, eu ainda sou do tempo que se faziam festas de aniversário, onde o confinamento não existia - eu vestida toda a esbanjar charme por todo o lado, com a maquilhagem a  combinar e tudo. Uau, a Peixa estava arransando no pedaço...! Primeiro comentário que ouço:

- Ó tia Peixa... Como é que tu fazes quando vais à casa-de-banho? Despes-te toda??

Caiu a ficha. Pronto... a criatura tinha razão. Para ir à casa-de-banho, tinha de me descascar toda. My bad.

Depois de fazer um olhar matador à cria mais velha da família, continuei o meu percurso. E lá vou eu, a continuar a espalhar purpurinas azuis, por todo o lado. Visita de família. Pego ao colo na minha prima mais piquena, que na altura devia ter uns 4 anitos.

- Ó prima Peixa - diz-me ela em tom agravado e a olhar para mim directamente nos olhos, mas tão directamente que eu me senti quase violada e a jogar ao jogo do olhar penetrante, pensando que eu tinha feito algo de mal e que ia receber um castigo - tens os olhos azuis.

- Não amor, a prima têm os olhos verdes.

- Azuis prima... e agora tens... e agora não tens. E agora tens! E agora não tens... agora tens... agora não tens...

Confesso que ainda demorei um bocado a perceber a situação. O tinha e não tinha, era quando eu piscava os olhos. Crianças.

Para rematar a situação, a minha avó sempre me disse que pela boca morre o peixe. Clubismos à parte, não morro de amores por um em especial que usa um tom de azul maravilhoso no equipamento. É pá, é assim. O azul é lindo - vejam bem o quanto gosto de azul para dizer uma coisa destas em plena internet. Se me conhecessem sabiam a urticária da qual padeço - mas posso dizer que efectivamente, é das cores mais lindas que existem, independentemente do seu uso ou aplicação... o raio do azul cobalto.

 

Neste desafio participo eu, a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Fátima Bento, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, e a bii yue.

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Desafio Caixa dos Lápis de Cor | #4 Verde Escuro

10.02.21, Peixe Frito

Se há coisa que eu adoro comer, é salada. Ui, se gosto. Uma boa de uma salada camponesa ou somente de rúcula, é algo que me apraz muito a alma. Por isso, meia volta ou devoro uma malga apenas com salada - e mais umas tretas lá pelo meio, sou Peixa e não um ser ruminante, para só comer erva com erva, acompanhada por erva e salpicada com bocadinhos de erva, com aroma a erva -  ou como a acompanhar o prato principal. E, para mim, salada não é salada sem uma boa dose de ervas aromáticas: uns coentros e uns oréganos - a puxar a costeleta alentejana - estão sempre na ordem do dia. Faz tudo muito bem à saúde, ao intestino, à triparia andar feliz e contente, expelindo os seus detritos com eficácia, sem esforço e com êxito. Maravilhoso, não é? Claro que sim - quase parece um anúncio a aqueles yogurtes que põem a malta a c#gar fininho -  Ninguém gosta de expelir troncos maciços, ameaçando romper algo que literalmente dará vida ao dizer do meu rico pai Adamastor "olhos rasgados até ao cú" e partir a poltrona ou até, quiçá, terem de chamar o canalizador pois há algum submarino, corda de navio, que teima em não ir surfar as ondas do autoclismo. Bem, já me estou a desviar do tema! Uma das características das ervas aromáticas e da salada em si, além das que mencionei acima, é serem uma espécie de impositoras de looks, de tendências de moda vegetais e orgânicas, não muito apreciada... pelo menos por mim. Quantas vezes ando eu a passear pelo trabalho, depois de comer uma bela saladinha, estar de barriguinha alegre, feliz e contente, e tenho o raio de um pedaço de rúcula a espreitar, refugiada no molar, ou então um belo pedaço de orégano seco, bem entre o dente da frente e o canino? O pior é eu nem notar mas acima disso tudo, é eu sorrir para os colegas e NINGUÉM ME DIZER! Ó senhores... a sério? Então anda uma gaja toda airosa, de banho tomado, aprumada, perfumada, penteada - ou não... com este cabelinho de ninho de ratos... - a mandar borboletas e purpurinas, esbanjar charme piscando o olho aos demais, a crescerem flores onde ela pisa e sorri com uma erva presa no dente e ninguém diz nada?! True story. Gostava de dizer que isto só me acontece às vezes mas é mais frequente do que eu gostaria. Mas que pensam as pessoas? Que como sou mais vegetariana do que outra coisa, e defensora do consumo de produtos frescos e sazonais, que agora ando a criar os meus próprios alimentos nos dentes? Ou que tenho um piercing no dente? Que fiz daqueles apliques de diamantes na cremalheira? Pior ainda, dente podre, de um momento para o outro? Ou até, que é o meu snack, para mordiscar a meio da tarde?? É que se fossem áreas pequenas, ainda era naquela, agora costumam abranger grande área do dente. Oh por favor. Não me digam que não vêem, pois felizmente, a tonalidade da minha placa dentária, dá perfeitamente para perceber que há algum emplastro não solicitado, no meio da dentição. Mesmo que se desculpem a dizerem que são daltónicos... Dá para ver, porra! É o que eu digo, com amigos destes... Se calhar só me dizem alguma coisa, quando tiver um ramalhete a sair pelo meio dos dentes, a cair pela boca e a chegar ao queixo.

Há dias isto aconteceu-me - não o factor de ter um enfeite como se fosse uma planta a cair de um vaso pendurado, okay? Se bem que, pelo andar da carruagem, qualquer dia é efectivamente dia - Mas desta vez, fui poupada a andar a fazer publicidade aos vegetais frescos: isto da máscara, pela primeira vez, até me deu jeito. Só quando fui à casa-de-banho e ajeitei a mesma, é que vi que tinha um pedacinho do tamanho deste mundo até ao outro - pequeníssimo como dá para perceber - no meio dos dentes. Desta vez, escapei-me à bala. O universo e o seu sentido de humor peculiar, poupou-me. Quem sabe, como será da próxima. 

 

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Desafio Caixa dos Lápis de Cor | #3 Preto

03.02.21, Peixe Frito

Uma das verdadeiras batalhas da minha vida, entre a luz e as trevas, o bem e o mal, o seco e o oleoso, o brilhante e o opaco, o chulé e a meia lavada, teve cenário na minha cozinha, em um dia corriqueiro e aparentemente normal - sabem bem o conceito de "normal" na minha vida - quando eu decidi fazer pipocas daquelas de pacote, no microondas. Devo dizer que segui religiosamente as indicações e inclusive, virei o animal de barriga para baixo a meio tempo e tudo. Bastou uma fracção de segundos e... a minha cozinha ficou permeada por um nevoeiro cerradíssimo, tão mas tão cerrado que até D. Sebastião se perdia no mesmo e acho que a luz de um farol, pareceria a luz do rabo de um cagalume. Tresandava um cheiro terrífico a queimado e juro que não era de eu estar a pensar, embora estivesse mesmo intrigada como é que o jogo virou assim, em meros segundos. Após janelas abertas, muitas lágrimas pois o raio do nevoeiro além de mal cheiroso e não deixar ninguém ver um palmo à frente do nariz, ainda nos feria a vista e nos fazia choramingar, a situação lá amainou. Como nada é de graça, o cheiro ficou entranhado até na massa dos azuleijos e durante uns dias, ainda dava para cheirar no ar, a batalha campal entre mim e as pipocas de microondas.

Resumindo: Deixem lá a situação, que eu a partir daquele dia, não fiz mais pipocas no microondas. Literalmente, as pipocas viram-se negras para cá chegarem e dificilmente o carvão para os braseiros, é mais negro do que o bronze que aquelas pipocas manifestavam. Pareciam aquelas pessoas que metem óleo johnson com coca-cola e depois se metem que nem lagartixas a fritarem ao sol, sabem? Torradinhas torradinhas. Até os ossos apanham uma corzinha.

Não satisfeita e como aprendo com os erros - supostamente - passei a fazer as ditas no fogão. Pois... as pipocas saem maravilhosas! Branquinhas, lustrosas, volumosas! Uma pessoa até se emociona de olhar para elas, de tão lindas que são! Como podemos nós, gerar algo tão angelical? E soltamos uma lagrimita por as irmos comer. Mas tanto como há luz há sombra... Aquelas que ficam no fundo e não abrem... Agarram-se que nem unhas e dentes às paredes da caçarola e aí eu é que me vejo e desejo para tirar aquele preto calcinado, quase fundido com o inox, assim ao género do alien agarrado ao hospedeiro - sorry, mas aquilo é mesmo mesmo mau - que uma pessoa bem puxa, berra, estrabucha, esfrega esfrega esfrega e aquela porra só sabe estender o dedo do meio. Até experimento cantar Maria Leal e parece é que a pipoca queimadinha ainda se agarra com mais vontade.

Depois de muito esfregar com o esfregão de arame, lá o preto sai. Mas como nada é de graça... fico eu com as unhas negras, a parecer que andei a mudar o óleo ao Peixmóbil. Supostamente, fazer umas pipocas não têm ciência nenhuma. E não têm! Só que a Lei de Murphy gosta sempre muito de estar à cóca e mandar um pouco de pimenta para a vida de pessoas inocentes, bom coração, fofas e airosas, como eu, tornando a singela tarefa de pipocar, um verdadeiro filme de terror a preto e branco e queimando-me assim, a pipoca.

Neste desafio participo eu, a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Fátima Bento, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, e a bii yue.

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