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Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

Vamos lá a falar de coisas que de facto contribuem para o bem estar geral.

28.10.21, Peixe Frito

Hoje vamos falar de coisas sérias! (*puxar da cadeirinha e ajeitar o bafunfo*) Vamos debater as emoções - ou acham que isto por aqui é só gandaia? Ah não é não! - E não, não falo daquelas que nos apertam o âmago quando vemos que já acabou o pacote das nossas bolachas preferidas ou quando nos dá uma gana indomável - quase se transformando em gormiti das lavas - de espadeirar alguém, porque deixou as cuecas no estendal aquando estava a chover! Falo sim, daquelas que nos fazem corar. Okay, há quem core de vergonha, que core de surpresa, que core de arrepios-de-vergonha-alheia e até de ter estado demasiado tempo ao sol ou perto do vidro do forno que nem uma lapa, à espera que o bolinho acabasse de assar. A meu ver, quando uma pessoa cora, é algo que é muito genuíno e que não conseguiu disfarçar. Quase como quando se faz força e se sai um "pum" à socapa, quando simplesmente estávamos a subir as escadas. É algo assim inesperado, talvez com alguma pureza e que demonstra vulnerabilidade das alminhas. Uma inocência talvez, de sentirmos que a situação nos bate tal como uma cabeçada no armário com a porta aberta, sentindo as coisas sem filtro e exprimir do mesmo modo. Agora, a situação de uma pessoa ficar vermelha, é que acho que é digna de estudos. Mas porque raio ficamos vermelhos? E porque é que, aquando estamos pigmentados que nem um tomate maduro, se fica ainda mais vermelho ainda - como se isso fosse possível - passando por toda a gama das cartas de pantones relativamente ao tom vermelho, cada vez que alguma alminha têm a inteligência de apontar à outra, que a mesma está com o bochechedo vermelho ou corada? - acho que é mesmo o sentimento de "busted" e de que "se calhar se tossir, consigo abafar o cheiro".

Ora, meus senhores... É que esses comentários ajudam como a peça das caldas, ou seja, #obrigadapornada! Não sei quem acha que uma pessoa que está com ar de excesso de blush vermelho, não sentiu que está com a cara vermelhinha como se tivesse levado duas lambadas nas fuças! Uma pessoa assim fica tão coradinha que dá para assar umas tiras de bacon na cara. Quiçá, aqueles que têem uma testa grande, um ovito estrelado ou dois - para os aventureiros.

Seja qual for o motivo de se corar, encanamento, catanço, (pensamentos menos próprios) vergonha ou timidez, é irónico que precisamente a cor que demonstra isso, é nada mais nada menos uma cor que em nada é despercebida, subtil, é que só faltam sirenes a soarem e luzes a catrapiscarem, para dar ainda mais ênfase e dar mais barraca ainda à pessoa. É um género de sistema interno que nós albergamos, que se pomos um pé em falso, pimbas, soam os alarmes. 

Por mim falo, eu quando noto que estou a corar começo logo a pensar "Peixa, estás a corar" e sinto a cara a aquecer mais "Peixa, estás a corar MAIS ainda" e sinto ainda mais quente "Peixa pára, senão daqui a bocado rebentas com o termómetro e encontras um novo tom de vermelho" e claro, extra pitada de vermelhinho nestas faces brancas como a cal - o que não ajuda em nada, só faz mais contraste.

O que vale é que é só a cara, senão havia por aí muito boa gente com o corpo todo vermelho e não era porque gostam de levar umas palmadinhas no nalguedo.

Com isto constato de que não preciso de ninguém a apontar-me o dedo ou a observar que estou corada, eu faço bullying a mim própria.

Vida de gente com ar de bronze à lula, é complicada. Deixem que vos diga.

Ah e este post era para debater as emoções, não era? Foi muito emocionante escrever sobre isto e ficar corado é tramado.

Desafio Arte e Inspiração | 7.ª Semana | Análise a "O Beijo" de Gustav Klimt.

27.10.21, Peixe Frito

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"O Beijo" de Gustav Klimt

Olá chuchus belezas! Achavam que hoje iam ter folga? Ah pois, mas não vão ter! A Peixá é muito requisitada em outras várias bandas mas veio aqui fazer uma perninha para a nossa rúbrica semanal de esfrangalhar a obra pintalgada de um artista, a quem lhe saiu o prémio, mas envenenado! Esta semana é a vez de Gustav Klimt, com "O Beijo". Então vamos lá a analisar, sorver, degustar com os olhos, que raio estava a musa deste senhor a engendrar, aquando este quadro brotou na inspiração do senhor.

(*momento de pausa para compostura da indumentária*) Desculpem lá a pausa, mas é que este quadro têm tanto mas tanto amarelo, que tive de ir colocar os óculos de sol, a ver se poupo os olhitos de boga, que estavam a arder com tamanha luminosidade e a ficarem meio para o vesgos.

O beijo, algo que supostamente é sinónimo de carinho e afecto, que todos gostamos de receber - menos das tias chatas, que nos lambuzam e apertam as bochechas, que até fazem cãibras na malta ou o meu tipo de beijo às gentes pequenas da família, que faço de conta que é um beijo mas depois encho as bochechas de ar e faço de conta que é um pum - mas nesta pintura... bem... dá que pensar. Efectivamente o autor estava ali com algum desejo recalcado, mas isso está na cara. Queria encher de beijocas alguma moçoila - isto está a começar a lembrar as constatações da semana passada - ou então andava armado em voyeur, a cuscar as beijoquices dos outros "Ah e tal deixa-me lá encher isto de flores para parecer menos mal, floreando a cena de eu andar aqui a espiolhar a troca de cuspes alheias". Funcionou? Para mim não, mas o amarelo funcionou na perfeição para que eu quisesse de facto desviar o olhar. E eu, observando o andar da carruagem, não sou a única a querer raspar-me da situação, ao que aparenta a moça do quadro, também está desertinha de dar de fuga, com o pézito ali a postos para dar corda aos sapatos - neste caso, solas dos pés - assim que o moço a largar. Faz-me lembrar as crianças a serem beijocadas e quando fazem o corpo mole, na vã esperança de que vão escorregando do nosso abraço, para se pirarem dali para fora. Mas não estás lá com grande sucesso, minha amiga... Deixa que te diga. Ainda por cima, estás mesmo à beirinha da cenaice... ainda te estatelas e ficas cheia de pensos. Pensa lá na tua vida.

Uma característica muito latente nesta obra, que me faz esfregar os olhos a pensar se não são as romelas a fazerem das delas: não consigo deixar de sentir que a imagem não foi bem carregada por quem fez o download da mesma para a tela. Ora, aqueles quadradinhos ali mais me parecem um pixelizado esquisito que, ao salvar a imagem para continuar a pintar o resto mais tarde, deu-se um erro no servidor, ficou ali um bug exposto, às vistas de toda a gente. Aconselho a criatura a aumentar a RAM do cavalete, bem como uma melhor placa gráfica ou processador, que cheira-me que isto vai acontecer mais vezes, em pintalguices futuras.

De resto, no seu geral, posso observar ali quase uma fusão, mas não tão bem sucedida como o Songoku e o Vegeta, mas sem dúvida que o pescoço do senhor é assim algo de musculado, não ficando atrás de nenhum Super Guerreiro. Roça ali um bocado o ar de tartaruga no meio de um campo de flores, mas a situação até ficou compostinha. Embora espere que nenhum dos dois seja alérgico a flores, senão será o cabo dos trabalhos.

No meio disto tudo, fiquei com vontade de me raspar e ir para outras bandas, fazer não sei o quê e não sei com quem. Lá dizia António Variações: "Porque eu só quero quem Quem não conheci (...) Porque até aqui eu só Estou bem aonde eu não estou, Porque eu só quero ir Aonde eu não vou" basicamente. Por isso hoje ficamos por aqui, para a semana há mais rubrica para esfrangalhar a pintura de algum magnífico artista. Fiquem em tune e não percam!

Até para a semana!

Peixá Marie del Frite.

 

Ah, e aproveito para dizer que quem escolheu este quadro, fui eu.

 

* * *

Obs.: Sinto que o devo fazer pois amo arte do coração e respeito à brava todos os artistas: este texto é meramente com intuitos humorísticos, embora possa não ser apreciado por todos (é assim... temos pena). A arte é mesmo algo lindo e maravilhoso, que nos enriquece a alma nas suas variadas maneiras. O meu verdadeiro apreço aos artistas, qual seja o seu tipo de arte. Eu, incluída.

* * *

No desafio Arte e Inspiração, participam Ana D.Ana de DeusAna Mestrebii yue, Bruno EverdosaCélia, Charneca Em FlorCristina AveiroFátima BentoImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãLuísa De SousaMariaMaria AraújoMiaOlgaPeixe FritoSam ao LuarSetePartidas

A dura (e ruidosa) realidade.

26.10.21, Peixe Frito

Começo a aperceber-me de como se sentem as pessoas que têem estradas a atravessar os seus terrenos, que invés de terem sossego, levam com algum trânsito de quando a quando. Tal como há casas construídas em cima de cemitérios índios, locais de culto, terrenos de pântanos onde vivia o Shrek, desconfio que o edifício onde laboro, deve ter sido construído sobre algum sítio mágico ou em cima de alguma estrada daquelas antigas, que a malta ainda passava a cavalo e no carro do Armando (metade a pé, metade andando *tambores ba-tum-tssss*). Digo isto não porque necessariamente é um sítio mágico - se pensar bem, até é mágico: abrir a janela e cheirar a fossa de quando a quando, ouvir os sapos a coaxar no leito do esgoto a embalarem-nos suavemente e nós a adormecermos mais o cheiro fétido a coisas mágicas - onde há unicórnios e borboletas a voarem, mas sim porque se soubessem a quantidade de vezes que tenho libélulas a pairar à porta, como se tivessem à espera que o sinal abrisse "verde" para continuarem a marcha, e a autoestrada que é o meu gabinete, aquando tenho a porta aberta e é só ver moscardos, varejeiras, moscas a passarem na maior das jardas até à janela...! Ultimamente então, é o descalabro. Uma pessoa acaba de abrir a janela para sair um bóing 747, senta a peida na cadeira e pimbas, já está outro à espera na gare, que a janela seja aberta.

Ando a ponderar em colocar uma malha na porta, similar ao que a minha avó metia, aquelas fitinhas para as moscas não entrarem em casa, mas versão eléctrica: assim que alguma se atrevesse sequer a tentar passar, tostava ali na hora. O pior eram os cadáveres do lado de fora, mas iria dar-me um ar de badass frente às moscas, que achariam que ali era a parte do trajecto que aquando olhassem para o mapa, tinha uma caveira em cima, sendo sem a mínima dúvida o local a evitar a todo o custo.

Podia ter a porta fechada... sim, podia. Mas gosto de arejar o quadrado; Podia ter a janela sempre aberta para as bichas continuarem o seu percurso directo, sem terem de atracar à janela, à espera que a ponte eleve e elas dêem combustível aos motores... sim podia. Mas aí passava uma friasca dos legumes vermelhos da horta que nascem em tomateiros e apesar de ser uma criatura muito caliente, há temperaturas que o meu termóstato não aceita e bloqueia; Também podia ignorar as suas constantes passagens à frente dos meus olhos, o andarem às voltas, o voarem alto para a direita, voarem baixo para a esquerda, andarem para aqui com as acrobacias e a parecerem que estão em um concurso de coisas aladas em que recebem pontuação pela melhor performance, mas o pior disto tudo é mesmo o barulho. Nem os escapes furados dos xunings são tão maus nem os tuk-tuks, que vêem lá embaixo na vila e uma pessoa já os consegue ouvir no topo da serra...!

Uma fisgada no meio dos omatídeos das moscas, é que era. Relaxava em três tempos. Isto é um exercício à paciência e ao abstrair do meio envolvente, estar a gramar com aquele som nada irritante nem constante, que uma pessoa até respira fundo quando ela finalmente pousa mas advinhem, falso alarme, e a criatura volta a andar no circuito a todo o gás. Sorte a delas que não se sustentam a combustível fóssil, senão não ganhavam para os pensos. Ainda não passei nesse teste da paciência e nem do amor incondicional por todas as criaturas e mais algumas - dá-me logo vontade de lhes dar uma verdascada com uma folha enrolada ou lhes dar com uma cadeira nos dentes, a ver se sossegam. Não trabalham nem deixam trabalhar, parecem alguns colegas - Mas também vos digo, quem conseguir ter essa mestria e até apanhar as moscas com um pauzinho à Miyagi, bem que o mundo pode estar a ruir à sua volta, que continua ali pávido e sereno, a ver a sua série preferida na tv e a ratar pipocas, coçando o rabo de vez a vez.

Esta é a minha dura (e ruidosa) realidade do meu quotidiano. Se virem bem, explica muito os meus transtornos de personalidade e o tipo de escrita que tenho. Há dias em que só me apetece largar tudo, descalçar os sapatos e fazer um carrapito na cabeça, me enfiando ali no riacho, a coaxar mesclada com os sapos.

Este está bom e recomenda-se! #sóquenão

22.10.21, Peixe Frito

O colega, depois de almoço, preparou-se para ir fazer uma intervenção fora. Despede-se com um "até logo" e aí vai ele, de rumo à viatura dele. Já a chegar ao carro, dá a volta aos calcanhares, volta às instalações para vir buscar a chave do carro da empresa e desta vez sim, vai directo à viatura correcta, para ir fazer o trabalho.

Pois é, pois é... lanza de depois do almoço, como tu atacas as alminhas frágeis e desprevenidas, as atraindo magneticamente para as suas viaturas particulares, com o cheiro de ir mas era para casa e não vergar a mola. Maléfica, a estender os seus tentáculos de surra.

Uma bela maneira de sacudir a água do capote.

21.10.21, Peixe Frito

Não tenho jeito nenhum para contar anedotas, daí só gostar das secas: assim o não terem piada é mesmo por culpa delas e não pela minha falta de condão de as contar.

Desafio Arte e Inspiração | 6.ª Semana | Análise a "O Sobreiro" de Rei D. Carlos de Bragança.

20.10.21, Peixe Frito

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"O Sobreiro" de Rei D. Carlos de Bragança

Olá olá, coisas lindas e boas, airosas e frescas, pérolas e regalo para os meus olhinhos de boga! Cá estamos nós no sítio do costume, a fazer o costume e... (*momento de pausa a reflectir*) (*...*) (*encolher de ombros*) como costumeiramente a fazer algo digno, que contribui para a sociedade activamente. Hoje sem muitos fu-fus e gaitinhas, vamos lá a "andar andar" a apresentar a pintalguice que lhe calhou o brinde na embalagem das batatas fritas, falo de "O Sobreiro", rabiscado e colorido pelo Rei D. Carlos de Bragança. 

Como hábito, vamos lá a sorver o que a imagem emana (ainda bem que é imagem. A julgar pela localização, devem haver uns mémés por ali a pastar nas redondezas e que deixam um rasto - não de migalhas - de "conguitos" orgânicos e aromatizam o ar com aquele cheiro característico, que não é a flores - só daquelas degradadas e digeridas e expelidas - nem a coisas apetitosas, que aquando o sentimos, nos apetece logo ir banquetearmo-nos efusivamente de um bom prato de peixe frito com arroz de tomate ou saltar pelos campos floridos, a cantar a música do filme "Música no Coração" - #sóquenão). Logo assim de caras, há um sentir de marasmo, fuga, de alguém apanhado de calças na mão. Ora, a sério que com tanta coisa mais rica para pintalgar, o senhor foi logo bater os olhos em um sobreiro? A julgar pelo ar semi desnudo do coitado, cá para mim isto foi mas foi tudo uma analogia a alguma senhora que andava ali pelas redondezas e, para não dar barraca nem bandeira, sua realeza decidiu disfarçar e homenagear a moça de modo indirecto, pintando um sobreiro com ar de quem a roupa encolheu depois de ter sido lavada na máquina e não no programa dos delicados (Obs.: okay, eu adapto: foi esfregada nas pedras do rio invés de no tanque e com muita força, com água muito a escaldar em contraste com a água fria do rio, as vestes até se encolheram todas que nem um dedo queriam pôr dentro da água) ou que gosta de usar as t-shirts que voltaram à moda, de umbigo à mostra para mostrar o piercing (nesta altura ui, devia de ser uma modaça daquelas, umbigo à mostra e piercings! Imagino!! Iam logo secar as peles na fogueira, no meio da praça), ou até eventualmente dado o quente que se faz pelo interior, onde estas espécies são mais características, há ainda a opção de que provavelmente a coitadita da árvore esteve no campo a fazer sombra à mémézada, não usou protector solar e, esquecendo-se de tirar a t-shirt nos primeiros dias de exposição solar, apanhou um escaldão e agora anda com bronze à camionista ou, como costumo dizer, anda sempre com a t-shirt vestida (é preciso amor à camisola. Pronto pronto, já chega eu sei. Mas é mais forte que eu). No fundo e traparias e bronzes aparte, seja porque a árvore talvez remetesse à sensualidade da senhora, por ser curvilínea, robusta, e dada a sua pose muito... como que alongada, torcida de ramo preso nos dentes...! - isto está a ficar muito sexual, só de surra - não posso deixar de observar de que belas dores nas costas, devem advir destas poses sexys e a esbanjarem charme. Até eu comecei a ficar com jipose, só de olhar, quanto mais. E aquele corte de cabelo... Deus nos valha. Espero bem que a senhora não tivesse aquele ninho de ratos como os ramos mal podados e mal amanhados, o sobreiro pintalgado têm. 

E pronto olhem, nada mais tenho assim a acrescentar, acho que aquele é um bom spot para ter uma casinha no monte bem como belo local para piquenicar uma pescadinha de rabo-na-boca frita, debaixo da sombra destas esbeltas árvores. No fundo no fundo, o senhor queria era pintar mas estava com uma lanza tão grande, que se deitou debaixo do sobreiro e ali ficou, a pintar o que havia mais à mão.

Por isso hoje ficamos por aqui, para a semana há mais rubrica para esfrangalhar a pintura de algum magnífico artista. Fiquem em tune e não percam!

Até para a semana!

Peixá Marie del Frite.

 

Ah, e aproveito para dizer que quem escolheu este quadro, fui eu.

 

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Obs.: Sinto que o devo fazer pois amo arte do coração e respeito à brava todos os artistas: este texto é meramente com intuitos humorísticos, embora possa não ser apreciado por todos (é assim... temos pena). A arte é mesmo algo lindo e maravilhoso, que nos enriquece a alma nas suas variadas maneiras. O meu verdadeiro apreço aos artistas, qual seja o seu tipo de arte. Eu, incluída.

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No desafio Arte e Inspiração, participam Ana D.Ana de DeusAna Mestrebii yue, Bruno EverdosaCélia, Charneca Em FlorCristina AveiroFátima BentoImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãLuísa De SousaMariaMaria AraújoMiaOlgaPeixe FritoSam ao LuarSetePartidas

Aqueles momentos em que me apetece ir buscar a caçadeira e dizer: "Dou-te 5 minutos de avanço".

19.10.21, Peixe Frito

Dado os acontecimentos recentes e os mesmos terem sido uma repetição, as massas chegam à conclusão de que aqui a Peixa é de facto uma criatura multifunções: além de maravilhosa, carismática, de ter uma voz de sereia e de onde pisa nascem tufos de ervas daninhas e cardos com umas silvas à mistura, têm condão para ser consultora. «E de quê?» Questionam-se vocês. Do que for, basicamente. A mais recente foi a namorada de uma criatura fazer anos e me ser solicitada a minha ajuda para a prenda - ideias, não investir na mesma... era logo a primeira bola a sair do saco - Apesar de eu ter apresentado os meus argumentos de que não conhecia a moça e de que, efectivamente, só a tinha visto uma vez e trocado um par de palavras antes de arrumar os tarecos e ir embora para casa, a insistência foi evidente. Pronto, lá acedi fazer esta caridade, dado que uma "maçã por dia não sabe o bem que lhe fazia", sempre ouvi dizer.

Primeiramente, vesti o meu fato a Sherlock Holmes só abdicando do chapéu que me fez comichão dadas as traças e o cachimbo porque achei meio demodê sem fazer pandam com o meu tom de pele, e comecei a por-me em campo: Sugeri umas pulseiras - com o descritivo adequado e print screen como exemplo, em determinadas lojas após pesquisa - ao que recebi logo uma resposta de: "Ela já têm imensas". Okay Peixa. Não vamos desanimar. 0-1. Enquanto o relógio está a contar ainda há tempo de invertermos o resultado. Não perdendo muito tempo a marinar a situação, surgiram ideias as quais foram sempre acompanhadas pelos screenshots, com as lojas devidamente identificadas tal como o preço e descritivo do artigo - se é para fazer, ao menos que seja como deve de ser né? Nem que seja se a pessoa tiver dúvidas, veja ela mesma, que eu sou daquelas que quando entrego a papelada "xau e adeus boa viagem, boas festas e um queijo" e chuto para o departamento ao lado dizendo que isso é com o colega, esfumo-me, tornando-me em um conto popular ou mito, se realmente a Peixa existe ou não?): desde brincos a malas e carteiras, fragrâncias, passando por cremes para o corpo, gel de duche e, inclusive, mais nada além disso. "Olha, ela adora cremes para o corpo! Logo vou passar na loja e comprar". Yeahhh vitória! Ah pois é. 15-0. Melhor que isto, é impossível, correcto? Só se fizesse eu a encomenda e mandasse entregar em nome do outro, em casa da moça! - Ui, mas está na cara que sim, que o ia fazer #sóquenão, fia-te na virgem e não corras.

Qual o desfecho disto tudo? Vim a saber, uns dois dias depois, após questionamento à criatura, que raio ele acabou por comprar e dar à sua cara metade:

- Olha, dei-lhe o meu gorro da Nike que ela adora e queria.

Está certo. Ainda bem que era algo que ela gostava e queria. Ainda bem que a minha pesquisa de praticamente nada valeu. Ainda bem que eu despendi do meu tempo e escravizei os meus neurónios a tentar, dentro do possível, arranjar ideias adequadas a uma criatura daquela idade e sobre quem eu nada, absolutamente nada, sei.

Ora bem, vamos lá a ver... Vou pôr o relógio pronto para começar a contagem, enquanto eu carrego a caçadeira. É bom que comeces a calçar os ténis e que tenhas participado no corta-mato na escola.

Quando penso que eu vou fazer figuras, constato que ainda há pior que eu.

18.10.21, Peixe Frito

Decidir lavar o carro e começar a chuviscar. "Que se dane,vou lavar o carro na mesma, senão parece que andei no rally, pelo meio da lama".

Chegar ao spot das lavagens e ver um tipo de camisola de capuz, tranquilamente no exterior da lavagem, a passar a camurça no carro todo.

E sim, estava a chuviscar e sim... o senhor sabia. E sim, continuou a passar a camurça mesmo estando a ser regado pelas nuvens, durante um bom bocado. E ainda meteu os tapetes nos bate-tapetes, a serem humidificados. Tudo com muita calma e na santa paz do senhor. 

Se tentasse fazer de propósito, certamente não conseguia.

15.10.21, Peixe Frito

 Saborear os últimos pedaços de marmelada barrada nas marias torradas, com o som de fundo "The Final Countdown" dos Europe.

Alguém me anda a espiar... anda anda.

Uma pessoa até fica sem saber o que dizer.

14.10.21, Peixe Frito

- Isto, o fim-de-semana, não é para ficar a dormir! É para se levantar cedo, porque amanhã, segunda-feira, já se levanta por obrigação e não porque quer! Há que tratar a mente também! (*sinal com o dedo a apontar para a cabeça*) Por isso é fazer um planinho, levantar cedo e ir passear. Porque as folgas são para se viver!

E eu a pensar para mim, "porra e eu que passo a semana a mil à hora, quando chega o fim-de-semana quero mesmo é levantar com as galinhas invés de estar um pouco mais na cama, a descansar os ossos"

A intenção foi boa, isto foi proferido de uma pessoa com uma certa idade, enquanto abastecia a viatura à malta. Mas eu não parava de pensar nas minhas olheiras por cansaço e em como sabe tão bem uma maratona de Netflix, meia volta, a sofázar. 

Resumindo, era o senhor a falar e eu só acenava de confirmação, enquanto fazia mil cenários na cabeça a pensar porque não me levantava com o sol a raiar ao fim-de-semana. Cheguei à conclusão de que ter os estores embaixo não ajuda e que tenho de arranjar um galo para me despertar. Crio-o na banheira. Pior é quando for tomar banho, mas acho que ele não se vai importar. Tudo para me certificar que me levanto a tempo de aproveitar o dia!! Alguma ideia a acrescentar? - nem se atrevam. Pergunto por cortesia.

Desafio Arte e Inspiração | 5.a Semana | Análise a "El Sueño" de Frida Kahlo

13.10.21, Peixe Frito

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"El Sueño" de Frida Kahlo

Bem vindos meus queridos, riquezas, pãezinhos com chouriço assados em forno a lenha, à edição desta semana da rubrica "Arte e Inspiração" a qual já vos é como pão para a boca, daquelas coisas que ao início se estranha e depois se entranha e, quando dão por vocês, aguardam impacientemente pelas 4.as feiras da vossa vida, para se virem deleitar com as ideias, pensamentos, cenaices, que por aqui se debitam, ao analisar uma pintalgada famosa, a fim de todos entendermos melhor o que vai por detrás dos bastidores de cada inspiração que deu origem a qualquer coisa, pronto, como sabemos. Musas... É mesmo o que se lhes dá na telha! Ora, os rabiscos desta semana - cuja selecção é sempre justa e correcta, se recorrendo a randomizer's, para que ninguém se ache mais ou menos do que os outros - pertencem à senhora que deveria de ir muitas vezes à pedicure, falo de Frida Kahlo, mais a sua pintalguice "El Sueño". Vamos lá a isto então, que tenho afazeres na agenda a gritarem por mim e eu a fazer que não os ouço.

Começo já por observar uma coisa: assim é difícil fazer análise a uma pintalgada quando a mesma apresenta uma cama e uma pessoa está aqui quase com palitos nos olhos, a ver se os mantém abertos e não cai para o lado a roncar que nem uma porca em um batatal! Tenho de ter uma conversa de pé-de-orelha mais o raio do randomizer, que anda a randomizar as coisas assim muito à sua vontade. Não pode ser! Ora...!!

Já depois de ter molhado a cara à gato a ver se abro a pestana, constato que a artista deveria ser fã da Guerra das Estrelas: aquelas nubes de fundo são imensamente sugestivas, principalmente uma que remete a um Storm Trooper. Ou quem sabe, tinha algum fetiche ou era apaixonada por fardas, sonhando assim profundamente com o seu crush. Em uma vertente muito menos agradável, a sensação que me dá é que uma pessoa nem pode estar a dormir descansada sem que não haja ali algo a observar-nos - creepy, né? bastante.

Na onda do soninho e das noites mal dormidas, é latente que a artista queria mesmo era dormir. Dormir tanto e ficar ali a fazer companhia aos lençóis e a confidenciar com a almofadas de tal maneira, que até criava raízes. Eh pá, se calhar andava com algumas insónias, quiçá a pensar no Storm Trooper, ou andava com o sono atrasado precisando de uma cura de sono ao estilo urso a hibernar, porém, sou apologista de que algo muito estranho se passa naquele quarto. Não consigo deixar de ficar a franzir o sobrolho à adaptação de sobrevivência e à evolução dos tempos, que os monstros conseguem ter na nossa vida, para nos continuarem a morder os calcanhares enquanto dormimos o sono reparador de beleza ou estamos a tirar uma sestinha leve... ou neste caso específico, não os calcanhares mas os calos. Sim, porque é de conhecimento geral, que os monstros se encontram debaixo da cama e não em cima. Nota para mim: Não comprar um caramanchão. Além do pó, os monstros acham que têem uma cama de rede e invés de se manterem debaixo da cama como requisitos no protocolo, põe-se a inventar, e sobem para cima da mesma. Olha que aquele tecido rompe e o monstro andar bem nutrido? Uma pessoa acorda ali esmagada, com os olhos de fora, com o balofo do bicho em cima de nós! Mas isto lá é coisa que se aceite? Óbvio que não!! Se bem que no caso da cama desta senhora, é tudo em madeira: esperto, o bicho. É que assim lá em cima da madeirinha, nem a moça o vê e aquilo até é mais estável e ele pode recarregar as suas pilhas à vontade e até continuar com o seu hobbie favorito, que é fazer arranjos florais. Com tanto tempo livre, me parece bem que ele ambicione ser algo mais do que um monstro que assusta as pessoas nos seus sonhos, enquanto elas dormem. Notavelmente um monstro ambicioso e que quer subir na vida - e subiu. Para cima da cama (*som de tambor*) eishhh que esta foi muito fácil, nóssa senhora - Denote-se ali a inteligência da senhora que, para se proteger mais das visitas dos monstros nocturnos, fez para ali uma espécie de casulo a protegê-la, fazendo com que os bichos ou ficassem emaranhados ou se picassem nas plantas. Se fosse eu, enrolava-me em plástico bolha e depois em hera venenosa. Eles iam ver como é que elas mordiam e com quantos paus se faz uma canoa! Devem-se achar, os malandros!!

Não posso deixar passar, o quanto emana aqui uma situação que é retratada e ignorada: os sentimentos. Sim, apesar de estar a violar as condições dos contractos dos monstros estando em cima da cama e de ter como hobbie fazer ramos de flores, eu tenho de o dizer... o monstro está apaixonado pela moça. Ah está sim senhor! Olhem bem para ele: com um raminho ao peito para dar à sua amada, sossegadinho a aguardar o momento certo para lhe dizer o que lhe vai na bateria - ou pilha... que aquilo confunde-me um bocado. Um monstro a pilhas? Isso não é nada eco friendly além de que se uma pilha rebenta e começa a largar ácido, corroendo tudo ali por onde passar, dá uma bodeguice danada, é bichos da madeira desalojados, é a moça com os pés de fora e a enregelar, enfim, uma trabalheira.

Resumindo e no geral total da situação e mix de informação - que totalmente suporta a minha teoria que a moça só ficava a ganhar se tirasse uma sestinha - é uma pintalgada que nos faz sentir muito coiso, com referências bastante a qualquer coisa, bem como ali se nota a reflexão de não-sei-quê, no momento em que efectivamente e deliberadamente, coiso. E eu acho que concordam plenamente comigo, não é verdade? Pois é.

Eu bem que molhei a cara com as pontas dos dedos para não fazer rugas na minha maravilhosa pele, mas o raio do João Pestana não me larga a labita. Por isso hoje ficamos por aqui, para a semana há mais rubrica para esfrangalhar a pintura de algum magnífico artista. Fiquem em tune e não percam!

Até para a semana!

Peixá Marie del Frite.

 

Ah, e aproveito para dizer que quem escolheu este quadro, fui eu.

 

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Obs.: Sinto que o devo fazer pois amo arte do coração e respeito à brava todos os artistas: este texto é meramente com intuitos humorísticos, embora possa não ser apreciado por todos (é assim... temos pena). A arte é mesmo algo lindo e maravilhoso, que nos enriquece a alma nas suas variadas maneiras. O meu verdadeiro apreço aos artistas, qual seja o seu tipo de arte. Eu, incluída.

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No desafio Arte e Inspiração, participam Ana D.Ana de DeusAna Mestrebii yue, Bruno EverdosaCélia, Charneca Em FlorCristina AveiroFátima BentoImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãLuísa De SousaMariaMaria AraújoMiaOlgaPeixe FritoSam ao LuarSetePartidas

E... estamos em destaque!!

12.10.21, Peixe Frito

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Apesar de hoje ter um bolero - sim, até os meus casacos não são casacos corriqueiros, são na maioria bólérus, estão a ver? - que remete ao xaile da Amália dado fazer mangas de morcego - hoje estou vestida à Peixa Voadora - não vou dar uma à Amália e apenas vou agradecer à equipa do Sapo, vocês são uns fófs  por destacarem aqui a fritadeira.

Eu a reflectir e não, não é no espelho.

12.10.21, Peixe Frito

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Por vezes reflito em certas coisas que me dizem, observam ou desabafam das entranhas, que eu - acidentalmente ou não - acabei mesmo por ouvir e reter nos macacos-do-sótão, tal como fita cola em um buraco de tanque de ácido. Sei lá eu se é de propósito, se acham que estou tão distraída atenta, boa ouvinte e sentem que me podem confidenciar que têem um cadáver no jardim a adubar as margaridas ou até como é o seu trânsito intestinal: é incrível como a balança consegue pender tão freneticamente e tão rapidamente de um pólo para o outro. Em um momento estou a ver pinguins e em outro... ursos polares em fato de banho, a bebericarem margaritas em cima de um iceberg. Como sempre, é válido.

Uma das coisas que me intriga nestes desabafos alheios, é a perspectiva que cada um têm de certas coisas. Ora, uma vez uma moça, a meio de uma conversa sobre não sei o quê - denota-se logo aqui que a minha atenção estava totalmente focada na conversa e nada a vaguear, com as orcas a nadarem de mão dada com as focas - que uma das coisas que lhe mete muito nojo - e friso a palavra "nojo" que ela disse aquilo com um tom, que me fez descer de onde quer que estivesse a velejar e de facto, olhar para ela com ouvidos de ouvir - é o cabelo espigado. Sim, cabelo espigado. Okay concordo que cabelo mal tratado até a mim me arrepia as peles, fico a pensar se não sai dali uma barata ou uma criatura morta ou uma mão que me vai agarrar e puxar-me me levando para o infinito e mais além ou uma fatia de queijo para o snack da tarde, mas nojo? Cá está a tal situação, todos tabelamos as experiências pelas suas próprias percepções, mas daí a cabelo espigado lhe dar nojo... E, óbvio, comecei a comparar com aquilo que pode realmente meter nojo: "Será que pontas espigadas é mais nojento do que olhar para alguém e ela ter a vela acesa, a sair do nariz?" "Ver górmito ou ouvir alguém a anunciar das entranhas aquele som grotesco que vai gormitar, é mais angélico, um som vindo do divino?" "Unhas grandes e amarelas, daquelas a cascar a competir com garras de águia e com cascos de vacas, serão bem apreciadas frente a cabelo espigado?" "Restos de pele morta, depois de se fazer a pedicure e ralar os calcanhares, mais parecendo bocados de casca de queijo, é mais aprazível?" "Cheiro a aroma da terra, quando uma casa-de-banho foi bem estrumada?" "Dar um beijo a alguém com mau hálito ou com alguma coisa presa nos dentes?" "Cotão no umbigo?" "Ainda não me ter saído o euromilhões apesar de eu não jogar?" Como podem calcular, a minha lista foi loooooonga. 'Bota longa nisso. E fez-me pensar que até eu às vezes tenho pontas espigadas. Portanto, sou uma nojenta, aos olhos daquela criatura. Não conta para nada o facto de até ser asseadita, tomar banho uma vez por semana e é à gato ou só passar por água, aparar os pêlos do nariz com uma serra eléctrica, cortar o cabelo aí de um par de anos em um par de anos, usar não sei quantos produtos que garantem que o cheiro e aspecto a falta de ser lavado se note, para que os caracolitos andem airosos e com menos ar de ninho de ratos e penteado à llama (sim, escrevi com dois "l" de propósito, para não ficarem a perguntar-se que raio lama têm a ver com penteado. Que amacia a pele, lá isso amacia, agora penteado à lama, se calhar os recos sabem responder a isso. Agora que penso nisso, deve ser bom para cabelos encaracolados, a julgar pelo rabito dos mesmos. Adiante!), tendo atenção inclusive à alimentação, de modo a que o corpo de sereia absorva o que é necessário para continuar a respirar e espalhar o terror por aí, albergando esta persona maravilhástica. Há quem diga que um dos meus males, é mesmo não ter levado umas chibatadas dos meus pais, quando era criança. E que, apesar de adorar animais e comer muito mais regime vegetariano, ainda não consegui dizer totalmente "não" a um coelho ao alhinho, grelhado no carvão, pincelado com azeite e ervas aromáticas. Basicamente, é tudo tabelado pelo mesmo, desde que tenha cabelo espigado. Ora, não me parece minimamente correcto. Unhas extremamente grandes que até fazem cócegas no cérebro quando vão tirar burriés isso sim, dá nojo, pois questiono-me sempre se aquela pessoa consegue limpar o rabo sem o fatiar ou fazer qualquer tipo de higiene ou coisa, sem ficar com carradas de nhanha e porcaria debaixo das mesmas. 

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(imagem palmada da net)

Sim, a imagem até foi simpática. Estas unhas apenas parecem galhos de árvores desgovernados, já vi coisas beeeem piores.

Posto isto, é assim a vida. Cada um nauseia-se ou enoja-se com o que quer, fazendo sentido para o outro ou não. Uma coisa é certa... que há pancadas bem fortes por aí, ó se há. Uma coisa que me iria dar imenso nojo era se fosse passar umas férias nas Maldivas, de papo para o ar. Ó que nojeira desenfreada, quais pontas espigadas qual quê, pontas espigadas é para meninos-de-coro.

Quando a lei de Murphy nos morde o rabo, com a sua maior mestria.

11.10.21, Peixe Frito

Fim-de-semana. Supostamente, altura de se passear ou espairecer ou, no caso de alguém em específico, vestir a vestimenta de fada-do-lar e tratar da casa - true story. Uma vez em um curso de espanhol que estava a tirar, uma das questões era "Qual o programa para o fim-de-semana" e todos respondiam "laurear a pevide" "ir aqui" "ir ali" e quando chega a minha vez, digo que o programa é limpar a casa e tratar da roupa. Fui gozada até à quinta casa. E eu: "Mas é verdade" "Ai Peixa, que planos tão deprimentes...!!". Olhem, vão mazé para o raio que vos parta, criaturas dos demónios. Sabemos perfeitamente que todos têem afazeres. Desculpem lá sim, a honestidade. Adiante! - principalmente agora no Outono, dado que limpar durante a semana fica mais complicado, pois escurece mais cedo e há humidade no ar e se há coisa que não aprecio, é problemas com ómidade, estão a ver? Pois bem. Porém, gaiteira como só a Peixa sabe ser, lá decide ir dar uma volta. Maravilhoso, passear no sopé da serra, ver o mar, comer pão com choiro e mais não sei quê e não sei que mais. Não sei como é pelas vossas bandas, pois não sei onde moram (está certo) mas pelas minhas bandas, ao fim-de-semana e principalmente ao Domingo, é o chamado dia de voltinha saloia. Em que se vai precisamente dar uma voltinha de carro pela serra, passa-se pelas praias e, pois está claro, voltinha saloia sem se ratar um pão com choiro não é voltinha saloia que se digne! - ou ratar umas queijadas, devo dizer.

Desenganem-se se é tudo lindo e maravilhoso, porque não é. Como se já não bastasse durante a semana se andar no trânsito e estarmos fechados em gabinetes a ver o sol lindo lá fora, os pássaros a chilrear, borboletas a voar e tudo e tudo e tudo convidativo - durante a semana é sempre assim, quando não podemos. Vêm o dia de folga e está tempo farrusco. Ninguém merece - quando vamos espairecer ao fim-de-semana, não é diferente. É mares de gente em todo o lado. Mas, vamos sempre à voltinha saloia. Se já é mau andar a fazer gincana nas estradas em obras, imaginem isso com malta a andar a 5 à hora, na voltinha saloia - sim, que se alguém andar a mais de 5 à hora em uma voltinha saloia, algo de mal anda a fazer. Faz parte dos requisitos andar devagar devagarinho, parar mal o carro para se esticar as pernas nos miradouros ou nas bicas da serra e, andar a tirar selfies nas escarpas quase se baldando pela ribanceira abaixo - Até os caracóis se sentem verdadeiros Faíscas McQueen aos Domingos, que é cada lesma que até dói a alma.

E que isto têm a ver com a Lei de Murphy, perguntam vocês? Tudo, vos respondo eu. Tudo, tudinho. Se estamos em casa, é porque não aproveitamos o tempo livre e que não-sei-quê e não-sei-que-mais; Se saímos, andamos no meio de caracóis - que mais parece marcha fúnebre - um trânsito que vulgarmente se diz que "pariu a galega" que nos torram a paciência e ainda nos stressam. Basicamente, há sempre margem para algum coelho ser sacado da cartola, seja a fila para o pão com choiro ou a quantidade de carros na serra que nos permite desfrutar do silêncio das árvores e respirar o ar puro, nos queimando a cabeça no dia de descanso. Mas come-se pão com choiro - ou torresmo - que por si só, vale bem a pena os cabelos que arrancamos e pelas vezes que mandamos as mãos ao céu e dizemos "Deus dai-me paciência e um paninho para a embrulhar"!

E no fim-de-semana a seguir, voltamos a fazer o mesmo. Cambada!

E é assim de surra que, subtilmente, vamos observando que estamos a ficar carcaças.

08.10.21, Peixe Frito

Se há coisa que eu adoro - leia-se o típico sarcasmo - é quando vou em uma estrada em obras, com desníveis de pavimento, com as tampas do esgoto quase a três metros de altura do chão que sofre intervenção - sofre o chão e sofro eu, mas adiante - é ir ali a cinco à hora, com a maior das paciências a contornar e a fazer gincana mais os buracos, as tampas, os altos, os montes, os picos, as montanhas, as escarpas, os cães, os gatos, as velhas gaiteiras e os escaravelhos, a ver se não bato em nada e não dou cabo do peixmóbil. O tédio assola-me a alma e faz-me reflectir no marasmo que deve ser se ser caracol e ver a mesma paisagem durante meia hora, sem nada mudar. Até dá para ver os números das portas e olha, os sinais verticais de sinalização de trânsito, vejam bem! Devem ser novos, só pode. A malta passa ali com frequência e ainda não tinha dado por eles. Só lá deviam estar desde há momentos! Mas o que adoro ainda mais, é mesmo aparecer do nada uma criatura - não foi bem do nada, eu vi que o gajo arrancou do estacionamento, prego a fundo a armar-se ao cardo não sei para quê, que por acaso até se ia espetando na minha traseira, pois tive de travar dado o queijo suiço que anda a estrada - e se encostar a mim, assim a modos que a fazer pressão, sabem? Daqueles que até vemos deitarem fumo pelas orelhas e a espumarem pela boca e pelos macacos do nariz, por termos de ir devagar invés de a 300 kms por hora, numa estrada acidentada. Depois do gajo estar quase a cortar os pulsos com uma colher de sopa de silicone para os bébés, lá me conseguiu ultrapassar a toda a jarda, quase me arrancando a tinta do carro tal a velocidade do animal. E eu fiquei ali, na minha a vê-lo a dar cabo dos pneus, jantes, direcção, queimar combustível, aumentar o consumo da viatura, tudo só para coiso. Sim, para coiso! Pensei para comigo: "Olha como diz o outro, eu também já fui assim... parvo! Mas depois amadureci".

Pois está claro, também podia ir em marcha de urgência. Podia ter que ir buscar o pão quentinho a uma superficie comercial. Pôr a roupa em sabão. Ir pôr combustível dado o evidente aumento de preços. Okay, já sei. Estava com dor de barriga e tinha de ir arrear o calhau. Quem sabe, né? Talvez o problema do moço era ter as unhas dos pés demasiado grandes e não as conseguir desengatilhar do pedal do acelerador, dando assim aso a que tivesse de andar a alta velocidade em pavimento em obras.

Não me interpretem mal, eu não conduzo propriamente à avózinha e não, não é inveja: apenas fico admirada a falta de amor que aquele ser debita pela viatura que tinha nas unhas bem como nem lhe escorrer que se pode despistar e, assim enquanto o diabo esfrega uma pestana, dar início a um acidente envolvendo várias viaturas. Aí sim, como eu lhes costumo dizer: "Bates-me no carro e eu parto-te os dentes, criatura linda e fofa, orgulho da mamã e do papá!", sempre em tom amável diga-se de passagem, há coisas que me fazem observar que de facto, estou uma Peixa crescida! Só andei mais devagarinho para irritar ainda mais o moço e não o mandei ir visitar a casa da peça das Caldas, quando ia dando um beijinho no meu traseiro! 

Condução agressiva ou semi agressiva, mania que somos racings ou que somos o Bip Bip das estradas, todos passamos um pouco na vida. Agora a paciência que uma pessoa por vezes têm de ter no trânsito, aquando apanha marmanjos que nem sequer têm pêlo na cara que se digne mas que lhe chama barba ou nem cara para levar uma achega, ó Santa Pachorra. Se bem que os mais velhos por vezes também se armam em artistas, mas não vamos por aí, que essa estrada ainda é mais acidentada e esburacada do que aquela por onde costumo passar e longe de mim, andar para aqui a largar postas de pescada que possam armar a confusão! Alguma vez? Onde já se viu isso? Blasfémia.

As máquinas vão governar o mundo, vão por mim.

07.10.21, Peixe Frito

Decididamente, os fins-de-semana fazem mal a alguns aparelhos e máquinas na empresa. Mais frequentemente do que a malta gostava que acontecesse, meia volta há uma que se arma em engraçada e decide torrar o juízo ao pessoal, não fazendo o que lhe mandam ou nem ligando sequer - a fazerem-se de mortas, as engraçadinhas - acabando por ligar, depois de uma pessoa lhes chamar todos os nomes fofinhos que lhe vieram à mente e, inclusive, depois da criatura estar ao telefone com o técnico e chegarem a conclusão nenhuma. Dá jeito, estão a ver? Ser m23da nenhuma, não funcionar só porque sim. Pancas! Ora, não querendo ficar fora do grupo e se sentir excluído ou ser vítima de bulling, chegou a vez do microondas. Este, amavelmente, já andava a dar sinais. Assim a dar uns punzinhos de alarme, antes de dar o peido mestre. De surra, largava uma de pantufas: começou por andar para o futuro ou seja, invés da contagem do aquecimento ser em decrescente, passou a ser crescente. Metíamos no "3" e tínhamos de nos pôr a pau, que não tardava e estava era no "6" invés do "0". Como não apitava ao chegar ao "0" porque andava em frente, uma pessoa tinha de se pôr de sentinela, a controlar o tempo, não fosse lhe dar a macacoa. Pior ainda, se isto fosse sempre, mas não... era mesmo quando lhe apetecia, mesmo tendo acabado de aquecer um prato há segundos. "Ah e tal, agora apetece-me andar para a frente, lá diz o outro que devemos de deixar de andar para trás como o caranguejo, então vou em frente na vida, para desenjoar, ir em modo crescente invés de decrescente." Ao género de quando uma pessoa anda à roda e intercala com o rodar para a direita e o rodar para a esquerda, a fim de não ficarmos todos com uma broa sem fumos e com os macacos do sótão na pura da loucura, assim fazia o microondas, mas a modos que rouletta russa sem balas mas de tempo e de nos queimar a língua, quando nos distraíamos com o temporizador.

Sentindo-se aborrecido, começou a virarmos o ponteiro a colocar o tempo e o bicho não funcionava até ao "3". Coincidência do caraças, todos temos o raio do hábito dos 3 minutos ser um tempo fixe para não aquecer demais, afinal o microondas com visão futurística temporal, achou desnecessário que até o "3", qualquer tempo funcionasse pois não o usamos. Esperto, o macaco! Lá tivemos de nos adaptar e dar um ligeiro toque acima dos "3", para que o animal funcionasse. Meia volta - neste caso literal - nem o prato rodava totalmente, ficando parado a meio da volta. Pronto, uma animação todos os dias à hora de almoço, pois nunca se sabia com o quê o microondas nos ia presentear.

Chegando finalmente ao que se aborda no início deste post - fosga-se Peixa, hoje falas pelas escamas - depois do fim-de-semana e a adivinhar o feriado, o microondas tinha uma na manga: tal como houve greve na educação, ele achando-se o mestre da batatulina, decidiu inventar uma nova, à estreia, nunca antes vista nem presenciada por nenhum dos intervenientes, aquele último truque antes de dar o peidão mestre como se fosse um celeiro cheio de gás expelido rectalmente pelas vacas criando assim uma bomba atómica dos entrefolhos vaquences, mesmo a tempo do feriado no dia a seguir, nem dando hipótese a que a malta fosse comprar um novo a tempo do que fosse: o coelho que ele sacou da cartola foi não funcionar. Rodarmos o temporizador e ele esticar o dedo do meio. Nicles batatóides. Vão todos para o coiso ou querem que vos mande, de modo muito explícito e concreto. Porém, ele é um armadilhas. Lá lhe caiu a ficha e teve um pouco de decência de, mais uma vez, fazer um puzzle e de fazer com que o verdadeiro tuga exercitasse a sua veia do desenrasca ao mais alto nível: o microondas funcionava sim... se carregássemos na tecla de abrir. Sim, na de abrir a porta! Porra mas qual a ligação?! Quando se abre a porta o microondas desliga e não é suposto accionar o aquecimento!! Sim... esmerou-se o animal. Então ali tínhamos de ficar, não só a guardar o temporizador não fosse ele ter algum espasmo do futuro mas ficarmos ali a carregar no botão de abrir, para o prato rodar. Lá uma alminha teve uma iluminação e cravou uma patilha daquelas do café, sabem, das novas paneleirices para mexer o café, em madeira? Aquelas mega higiénicas que vêem todas ao molho dentro de uma embalagem de cartão? Exacto. Patilha espetada a fazer de calço e o gajo funcionava às mil maravilhas. Após reunião de pessoal, foi unânime que o microondas devia de ir dar um passeio ao jardim das tabuletas e plantar umas couves, ao fim de uns 20 anos. E assim foi, a história do microondas. Hoje, o pessoal foi comprar um novo e estamos todos felizes e contentes, porque temos um espécime novo que se vai portar bem - até quando. Até quando. Se o outro Zé da Manha aprendia os esquemas sozinho fechado na cozinha, imaginem este com novas tecnologias e circuitos, que não há-de ele marinar em conjunto com o frigorífico e a máquina de café? Vamos ver como páram as modas.

As máquinas vão governar o mundo, vão por mim. Elas fazem o que querem e bem lhes apetece. Não acreditam? Ora pensem nas impressoras, por exemplo... Depois não digam que não avisei!

E com esta me vou (*drop the mike*)

Desafio Arte e Inspiração | 4.a Semana | Análise a "40 anos" de Fátima Mano

06.10.21, Peixe Frito

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"40 anos" de Fátima Mano

 

Bem vindos chuchus, corações, pózinhos de perlim pim pim, à rúbrica semanal costumeira, onde debatemos efusivamente qualquer coisa, sobre não sei quê, de determinada cenaice. Basicamente, a situação habitual de entendermos, sentirmos, o que é que a musa de determinado pintor tinha vestido e como paravam as modas naquele momento de pintalguice. A primeira bola a sair do saco do randomizer de há umas semanas, ocupando o 4.º lugar, é a obra "40 anos" de Fátima Mano. Vamos lá então a isto que uma pessoa está com espírito de segunda feira, pois o feriado mais parecia domingo do que outra coisa.

Observando a pintura, olhando e voltando a olhar, a primeira sensação é de frango para assar. Ali com os condimentos ao lado e com o livro de receitas a ser consultado, me parece que a inspiração foi mesmo o jantar ou almoço, para os 40 anos de qualquer coisa da senhora. Não posso deixar de frisar que tive de ir pôr os óculos de sol dado o encandeamento do bronze à carneiro da fruta, pois a criatura que está a fazer uma pose de estiramento - certamente tinha algum mau jeito pois estar a ler assim em pose de yoga, durante uns 40 anos, deve dar assim algumas jiposes daquelas danadas, sem falar de nem têr uma roupita no pêlo, que para dar uns resfriados nas peles e os músculos ficarem todos encolhiditos tal o frio, é um ver se te avias - não deve de ser muito amiga de actividades exteriores e solarengas, nomeadamente ir à praia ou à piscina, fazer piqueniques ou até, ir caçar gambuzinos.

Em uma outra vertente, uma pessoa já nem sequer pode andar à vontade por casa, sentar ali onde bem apetecer a ler um livrito com uma meia dúzia de pecitas de frutas - ou flores ou pom pons ou o que é - para petiscar e mordiscar, caso a traça venha atacar, sem que alguém esteja a ver. Pior ainda, a pintalgar. "Ah babe, era mesmo isto que eu queria, um quadro meu tal e qual como vim a mundo, de rabo ao léu, a ler um livrinho e a degustar umas frutas, para pendurar na parede da sala, quiçá, em cima da lareira". Gostos...!

Intriga-me profundamente aquela pose e que livro a pessoa estava a ler. Mas principalmente a pose. É que eu fico com torcicolo só de olhar. Talvez estivesse a verificar se o desodorizante estava a funcionar, sem notar que talvez o ambientador que se fizesse sentir, era mesmo de alguma das frutas que pairava misteriosamente sob a sua cabeça, assim meio à filme de terror. Posso dizer que já vi de tudo: senhores dos filmes de terror, não sei como nunca se lembraram de pôr meia dúzia de frutos a pairar, por cima da cabeça das pessoas, é que isso deve ser assustador! Qual ver um fantasma ou um demónio ou uma bicheza dessas assim esquisitas? Isso já está uma pessoa acostumada, agora uma cesta de frutas? Ai que horror. "Amiga, fui assombrada por um pêssego careca. Imagina tu...!" Totalmente válido.

Bem olhem, vou no ir. Beber um café ou quem sabe, mordiscar uma peça de fruta, que hoje estamos ao rolentim, nem para esfrangalhar um frango estamos aptas. Dado como param as modas, hoje ficamos por aqui, para a semana há mais rubrica para esfrangalhar a pintura de algum magnífico artista. Fiquem em tune e não percam!

Até para a semana!

Peixá Marie del Frite.

 

Ah, e aproveito para dizer que quem escolheu este quadro, fui eu.

 

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Obs.: Sinto que o devo fazer pois amo arte do coração e respeito à brava todos os artistas: este texto é meramente com intuitos humorísticos, embora possa não ser apreciado por todos (é assim... temos pena). A arte é mesmo algo lindo e maravilhoso, que nos enriquece a alma nas suas variadas maneiras. O meu verdadeiro apreço aos artistas, qual seja o seu tipo de arte. Eu, incluída.

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No desafio Arte e Inspiração, participam Ana DAna de DeusAna Mestrebii yue, Célia, Charneca Em Flor,  ConchaCristina Aveiro, Fátima BentoGorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãJorge OrvélioLuísa De SousaMariaMaria AraújoMarquesaMiaMartaOlgaPeixe FritoSam ao Luarsetepartidas.