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Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

O síndrome da bigodaça.

12.06.12, Peixe Frito

 

 

  Após uma desgastante e persuasiva pesquisa de mercado, onde algumas pessoas tiveram de fugir como se não houvesse amanhã e outras viram que não tinham outro remédio senão contribuir, na vã esperança que eu desaparecesse, cheguei à conclusão do impacto que uma bigodaça, farfalhuda a parecer um piaçaba ou enroladinho que nem um caracol de pastelaria, pode ter numa pessoa, ou nas pessoas que co-habitam com essa dita pessoa bigodal.

  Não me refiro ao dito bigode e aos inúmeros devaneios que o mesmo possa causar:

  - Jaquim, é preciso tirar aquela teia de aranha ali do canto, será que podes tratar disso? É que não chego lá...

  - Ó Maria, é já a seguir!

 

  Ou noutros casos:

  - Ó Manel, corta-me lá esse bigode, que mais parece que ficaste com o espanador colado à cara!

 

  Ou ainda:

  - Olha olha... Que se passa na tua cara pá?

  - Como assim??

  - Tens aí um bicho morto!!

 

  Ou até mesmo:

  - Que rico almocinho hoje, hein?

  - Então... como sabes tu que almocei eu hoje?

  - Oh... Óbvio! Tens um pedaço de costeleta de vitela armazenada no bigode. E foi com batatinhas a acompanhar, sim senhor, muito bem!

 

   Refiro-me especificamente à ausência do mesmo. O quê?? Dizem vocês. Pois bem, meus caros. Pior do que um bigode capaz de fazer de lianas para o Tarzan ou de chicote para o Indiana Jones, é mesmo estarmos habituados a ver uma pessoa de bigode, durante tempos e tempos, e depois dar-mos de caras com a mesma pessoa, mas sem bigode, e termos uma reacção estranha. Nem é o não reconhecermos a pessoa. O mal é quando nos dá um ataque de riso parvo.... Como é o meu caso. 

    O pai Adamastor usou bigodaça durante muitos anos. Aliás, era eu uma tenra alevim e o pai Adamastor usava a sua bigodaça preta com orgulho (hoje em dia, se a deixasse crescer, era mais a arraçar o zebra, preta com riscas brancas) até ao dia em que se lembrou de mudar de visual. Ainda hoje me lembro do que senti quando o vi, o espanto porque sempre o tinha conhecido de bigode, e a crise de riso que se sucedeu após o dito, que perdurou uns tempos. Para terem noção, ainda hoje esse momento é recordado, com umas risotas a acompanhar, tal foi o impacto que essa mudança teve no aquário.

    Tão mau quanto a risota trocista, é o facto de não conseguirmos despegar os olhos da pessoa e pensar: «Possas, afinal aquela pessoa sempre tinha lábios e boca, não era só queixo.» Sim, em muitos casos, parece mesmo que o bigode têm vida própria e fala e tudo.

     E há outros, que metem verdadeiramente medo. Parece que nos vão agarrar, parecem bracinhos a esticarem-se quando passamos e que vão enrolar-nos nele que nem uma aranha faz com a teia. Imagino a quantidade de laca que alguns senhores gastam, quantos arames e quiçá que outras estruturas de fixação existem por debaixo do que aparentemente é um simples bigode. Nunca se sabe.

     Medo. Tenham muito medo.

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