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Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

Bem que Deus me tenta benzer à força e tirar de mim a criatura das trevas que sou, mas então, ainda faz pior! Nem com cunhas à descarada.

08.11.18, Peixe Frito

Sair de manhã de casa e nada apontava chuvinha. Hoje e só hoje e por nenhum motivo em especial, saí saltarica do prédio, contornei, desci as escadas exteriores enquanto premia o botão da chave a abrir o peixmóbil e, para fugir à rotina, decidi pôr os tarecos - mala, saco da marmita - pelo lado do passageiro, coisa que normalmente faço pelo lado do condutor. Assim foi. Abro a porta do pendura e cai uma carga de água, Jesus Cristo Super Star. Resmunguei logo: "Fdssss - até me faz falar mal - não podia ter sido daqui a cinco minutos? Nãoooo tinha de ser exactamente AGORA que eu estava DESPREVENIDA A POR AS COISAS NA VIATURA!!!!!", fecho a porta e contorno a carrinha, a resmungar. Ia uma pessoa a passar e eu nem aí por estar a falar sozinha. Essa pessoa deve ter ponderado em mudar de bairro, que ali, prova viva ao vivo e a cores, habitam criaturas malucas da pinha. Adiante. Sento no lugar do condutor, com os óculos cheios de gotas de água - adoro. a-do-ro. Limpo e ficam aos bonecos. Fabulosos - ponho o ser a trabalhar e eis que reparo, que com a chuvada repentina, não vi que tinha um papel na escova do pára-brisas - ainda por cima daqueles irritantes de compra de viaturas usadas e mái nã sêi quê e raio que os parta e diabo que os carregue às costas - "Peixa, amori do meu ser, coração, da minha vida - sim eu trato-me bem -  (*respirei fundo*) tu consegues amiga, tu consegues ir até ao trabalho sem ser incomodada pelo rafeiro do papel, vá tu consegues... tu consegues... tu consegues... - sempre a fitar o papel encharcado, colado ao vidro, que nem mexendo a escova a limpar o vidro ele ía sair e sim iria desintegrar-se, tipo papa, por todo o santo lugar - tu consegues... tu consegues... tu cons... not. O catano. - Largo outra asneira felpudinha e fofinha, para ir tirar a porcaria do papel arraçado de lapa, encharcado, dobro e meto na porta do peixmóbil. Sempre a chover, devo frisar. Sempre. SEMPRE - S. Pedro, quando eu for ao Céu a pedir guarita, antes de me mandares para o 5.º dos infernos, vais levar um carolo nessa auréola por estas merdas que me fazes passar LOGO DE MANHÃ - Sentei no lugar do condutor, respirar fundo ("Peixa zen, está tudo bem... Paz de alma, a vida é bela...) e eis que.. pára de chover.

Muito grata, muito grata... por parar de chover quando eu já não estou à chuva. Grata S. Pedro... Vou fazer queixinhas ao Pai Natal, vais ver as prendinhas que vais receber este ano, só para não seres assim comigo, com este ser angelical e maravilhoso, que fiquei com o cabelo ainda mais encaracolado e desconfio que se meter os dedos por entre os cachos, saem de lá bandos de corvos a refilarem e encontro uma teia de aranha ou outra, quiçá, a Ovelhinha Amarela.

Isto bem visto bem visto, se me constipar, mando a conta do médico à criatura que meteu o papel na escova do limpa pára brisas. Têm jeiteira, meter papéis em dias de chuva? Ó senhores... ó se-nhoresssssss mi poupem.

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