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Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

Desafio Caixa dos Lápis de Cor | #3 Preto

03.02.21, Peixe Frito

Uma das verdadeiras batalhas da minha vida, entre a luz e as trevas, o bem e o mal, o seco e o oleoso, o brilhante e o opaco, o chulé e a meia lavada, teve cenário na minha cozinha, em um dia corriqueiro e aparentemente normal - sabem bem o conceito de "normal" na minha vida - quando eu decidi fazer pipocas daquelas de pacote, no microondas. Devo dizer que segui religiosamente as indicações e inclusive, virei o animal de barriga para baixo a meio tempo e tudo. Bastou uma fracção de segundos e... a minha cozinha ficou permeada por um nevoeiro cerradíssimo, tão mas tão cerrado que até D. Sebastião se perdia no mesmo e acho que a luz de um farol, pareceria a luz do rabo de um cagalume. Tresandava um cheiro terrífico a queimado e juro que não era de eu estar a pensar, embora estivesse mesmo intrigada como é que o jogo virou assim, em meros segundos. Após janelas abertas, muitas lágrimas pois o raio do nevoeiro além de mal cheiroso e não deixar ninguém ver um palmo à frente do nariz, ainda nos feria a vista e nos fazia choramingar, a situação lá amainou. Como nada é de graça, o cheiro ficou entranhado até na massa dos azuleijos e durante uns dias, ainda dava para cheirar no ar, a batalha campal entre mim e as pipocas de microondas.

Resumindo: Deixem lá a situação, que eu a partir daquele dia, não fiz mais pipocas no microondas. Literalmente, as pipocas viram-se negras para cá chegarem e dificilmente o carvão para os braseiros, é mais negro do que o bronze que aquelas pipocas manifestavam. Pareciam aquelas pessoas que metem óleo johnson com coca-cola e depois se metem que nem lagartixas a fritarem ao sol, sabem? Torradinhas torradinhas. Até os ossos apanham uma corzinha.

Não satisfeita e como aprendo com os erros - supostamente - passei a fazer as ditas no fogão. Pois... as pipocas saem maravilhosas! Branquinhas, lustrosas, volumosas! Uma pessoa até se emociona de olhar para elas, de tão lindas que são! Como podemos nós, gerar algo tão angelical? E soltamos uma lagrimita por as irmos comer. Mas tanto como há luz há sombra... Aquelas que ficam no fundo e não abrem... Agarram-se que nem unhas e dentes às paredes da caçarola e aí eu é que me vejo e desejo para tirar aquele preto calcinado, quase fundido com o inox, assim ao género do alien agarrado ao hospedeiro - sorry, mas aquilo é mesmo mesmo mau - que uma pessoa bem puxa, berra, estrabucha, esfrega esfrega esfrega e aquela porra só sabe estender o dedo do meio. Até experimento cantar Maria Leal e parece é que a pipoca queimadinha ainda se agarra com mais vontade.

Depois de muito esfregar com o esfregão de arame, lá o preto sai. Mas como nada é de graça... fico eu com as unhas negras, a parecer que andei a mudar o óleo ao Peixmóbil. Supostamente, fazer umas pipocas não têm ciência nenhuma. E não têm! Só que a Lei de Murphy gosta sempre muito de estar à cóca e mandar um pouco de pimenta para a vida de pessoas inocentes, bom coração, fofas e airosas, como eu, tornando a singela tarefa de pipocar, um verdadeiro filme de terror a preto e branco e queimando-me assim, a pipoca.

Neste desafio participo eu, a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Fátima Bento, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, e a bii yue.

Todas as quartas feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada uma, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor". Ou então, junta-te a nós ;)

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