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Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

E depois admiram-se quando a cabra do monte sai para dar o ar da sua graça.

09.09.21, Peixe Frito

Decididamente, eu e lavar carros é para esquecer. É pá desculpem lá, mas isto assim não pode ser e é insustentável! Ora, para não variar, naquele dia tomei três banhos: um de manhã - o banho mensal - outro a lavar o carro e depois tive de tomar outro banho, pois isto de levar com shampô automóvel, não favorece a minha peruca, apesar de levar com o acabamento e brilho nas fuças. É que é sempre o mesmo ballet: lavar o peixemóbil quando está um tempo ameno, chegar às lavagens e levantar vento. Além dos cabelos a esvoaçarem por todos os lados - poderia ser um momento sexy só que cabelos nos olhos, na boca, a fazerem tranças com a ventania e uma pessoa com o timing contado de lavagem para lavar a viatura, não dá com nada - o vento começar a soprar magicamente contra o jacto da lavagem e, com tantas boxes vazias, uma criatura lembrou-se de se colocar à espera que eu acabasse de lavar o meu nobre corcel. Ora, a sério? Lá teve que esperar, pois está claro - entre me estar a olhar seriamente, dado o festival e luta pela sobrevivência que eu estava ali a ter mais o vento e mais raio que o parta e o facto de, me rendendo a dada altura, eu estar a cantar uma musiquinha para me aliviar os nervos.

Após o espectáculo encerrar, fui passar a panisga da camurça na viatura. Eu, sim, eu. Agarrem os queixos pois até eu me admiro comigo própria. Traumas aparte, se já foi o que foi a lavar o carro imaginem a passar a camurça. Vos garanto que se tivesse uma tisoira à mão, tinha feito um corte de cabelo espectacular, dada a neurose que já estava a ter mais às lianas a enrolarem. Pareciam encantadas pelo vento, tal cobra pelo tipo a soprar na flauta.

Se acham que já acabou a novela, aviso que há extra. No momento em que estava a passar a camurça na frente, ouço bater de tapetes. Mesmo ao meu lado. Mesmo... ao... meu... lado. Nem quis acreditar. Naquele momento, acho que fiz um virar de cabeça comparável com o da miúda do Exorcista. O olhar, ainda mais matador. Então não estava um tipo a bater tapete, com o vento a favor dele e a favor dos mosquitos que iam na via rápida de encontro comigo e com a minha viatura, mesmo no batedor do meu lado - nem era do dele, era do meu - a dar nas fuças a um tapete! 

Como este blog é familiar, vou omitir algumas das palavras que disse ao senhor, mas no geral foi algo como: a sério senhor fofinho como as nuvens pomposas que passeiam alegremente nos céus azuis celestes, que está a bater graciosamente os tapetes da sua maravilhosa viatura, mandando o lixo para cima da minha delicada e serena bicha de quatro rodas, acabadinha de sair da box de lavagem e cujo pêlo lhe estou a afagar carinhosamente, com esta camurça esplendorosa, ao sabor deste ventinho ameno que me acaricia suavemente os meus longos cabelos aos cachos encaracolados?

O senhor lá se tocou, abanou o segundo tapete menos fervorosamente e mais timidamente e arrancou ferros, nunca mais ter sido visto naquelas paragens, pelo menos, acho eu, naquele dia.

Ah e tal, podias pagar a alguém para te lavar o carro. Sim, é verdade. Sóque n'amapetece. Isso faz-me lembrar as dondocas que vão ao shopping às compras e deixam o carro a lavar, chegando das mesmas e o carrinho está lavado e aspirado, só pegar na chave, pôr os saquinhos na bagageira e ir mais o José Maria e o Salvador Maria, para casa pois a Maria já deve de estar a acabar de fazer o jantar para a família.

Nada contra, só não faz o meu estilo. Podia fazer, mas eu nasci no charco e não no oceanário, depois é assim.

Resumindo: Ainda bem que lavei o carro. No dia a seguir choveu e eu nem quero imaginar a criatura dos pântanos que eu iria encontrar se não o tivesse feito: seriam lamas, bichos mortos, galhos secos e cães e gatos lá colados, no outro dia de manhã. Foi uma dura batalha mas no fim, valeu a pena exceder a taxa dos banhos mensais, estar em pé de vento com o próprio vento, só pelo facto de conseguir ver a estrada e a cor original do peixmóbil, não precisando de um martelo e de um escopo, para abrir a porta, debaixo da camada de lama.

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