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Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

É óbvio que há mais Marias na Terra, não é?

28.06.18, Peixe Frito

Mas então, não sei explicar o atrofio que é, ouvir alguém chamar pelo meu nome e não ser para mim.

Ainda há tempos fui às compras num supermercado e uma das colaboradoras tinha o mesmo nome que eu. Imaginem o fandango que não foi, cada vez que um colega gritava a chamar a moça. Salientando a situação, que houve um colaborador que deve ter tirado o dia para gastar o nome à criatura, que se encontrava bem ao meu lado, a repor nas prateleiras.

- Ó Peixa!!

e eu:

- Ei. Estão-me a chamar? -  e olhava em volta e não via ninguém conhecido.

- Ó Peixa! Peiiiiiixa pá! - mesmo nas minhas orelhas. E continuou. E eu sempre a resmungar, porque entendi que era outra Peixa que chamavam, mas sempre que ouvia o nome, ficava de antenas no ar, pois como é natural, se é o meu nome, o radar sintoniza logo a ver se é para mim.

Passei o tempo todo, enquanto estive nas compras, a gramar com o meu nome de fundo, que pelos vistos naquele dia estava na moda. A verdade, é que o meu nome não é assim tão vulgar - há muitas Peixas, de facto, mas eu conheço poucas. Mas que as há, há. Tipo as bruxas - de modo que quando o oiço, a primeira reacção é escrutinar as redondezas a ver se detecto alguma fronha conhecida, que pode estar de facto a chamar aqui a je.

Ando a ponderar seriamente mudar de nome. Talvez Esparafúncia ou Miclina. Assim acabam-se estes ballet's, eu fico mais sossegada e concentrada nas minhas comprinhas, descansada da vida, poupando a minha criatura de distracções alheias.

Embora, há um nome vulgar, o qual eu sou chamada apenas pelos meus sobrinhos afilhados - foi o ser mais velho que me baptizou assim, quando ainda era um alevim - e esse sim, pode haver quinhentos maranhais a dizerem o meu nome repetidamente e apenas quando é emitido com aquelas duas vozinhas, no meio de uma multidão, é que eu sei que sou eu o ser associado a aquele nome e vou directamente de encontro com elas, tal traça atraída pela luz.

Felizmente, os meus pais não me chamaram Maria, nem Ana ou Filipa, senão Jesus, das duas uma: ou eu arrancava os cabelos cada vez que ouvia chamar o nome ou então bem que me podiam chamar que eu não estava nem aí - que é o que acontece se me assobiam. Nem ligo uma peça gigante das caldas. Mas se for aquele assobio daquela maneira, já sei que é o pai Adamastor a chamar a malta.

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