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Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

O meu novo amor.

25.02.19, Peixe Frito

Há coisas que me surpreendem. Sou daquelas pessoas que adoram apreciar a fonética das palavras e quando alguma me cai no goto, é terrível - Alcagoita. Adoro a palavra "alcagoita" e comer alcagoitas. Se vissemos manteiga de alcagoita não era lá muito apetecível, mas não deixa de ser uma palavra maravilhosa do nosso léxico. Acredito também, na influência da palavra no nosso inconsciente, que sente se agregado a aquilo vêm coisa prazeirosa ou se pelo contrário, algo que nos arrepela os pêlos de todas as zonas do corpo - sim... refiro-me também ao rabo.

Agora, digam-me, meus estimados e amados leitores, se eu não tenho um fundo de razão - fundinho fundiiiiinho - em relação às palavras e ao nosso incosciente.

"Chocolate", não há dúvida que é uma palavra que associamos imediatamente a prazer, pois está claro, mas a palavra em si, é meio esquisita, não é? Cho-co-la-te. Chocolate. Choco-late. Cho? Co-late! 

"Pimenta". Pois esta... 3,14+menta. Piiiiiiiiiiiiii...menta - funciona bem para censurar ou ilustrar quando o coração deixou de bater.

"Alcaparras". Não sei porquê, faz-me lembrar de alpacas e de lamas com aqueles ponchos vestidos. Porquê? Sei lá... a minha mente é uma coisa estranha tal como a minha imaginação.

"Maionese". Maio-nese. O modo como uma pessoa abre a boca para dizer as primeiras sílabas, é logo auto explanatório em como é uma palavra esquisitóide. "Filho, a ti vou chamar de Maio (*bocejo*) nese".

"Beringela". Berin... gela! Gela pá! rsrs Soa-me a algo caldoso, com molho com um pouco de tomate. De modo que quando olho para o legume em si, me sinto enganada. Talvez a culpa seja do ratatouille, cheira-me.

"Couves-de-bruxelas". Sim, sou suspeita porque não gosto de couves-de-bruxelas, mas digam lá que só a palavra "couves" não dá logo um sentir esquisito e ar de bufas do avô? E faz lembrar a história do cucu que não comia as couves. Agora entendo o cucu - que acabou por levar com um pau no alto da pinha para comer as couves. Se censuraram a música do atirei o pau ao gato, não entendo porque não censuraram a do cucu que não come as couves. Injustiças. E cunhas, cunhas!!

"Férias". É uma palavra altamente esquisitóide, que não têm ponta por onde se lhe pegue, mas perfeita em como faz o meu coração bater de felicidade, embora a sua duração - das férias -normalmente soe ao tamanho da palavra.

"Pigmento". Pig-mento. Pigmen-to. Soa a algo pegajoso e peganhento. Nhanhoso.

"Carapaça". A algo que me vai assombar durante a noite. "Esta casa está assombrada por muitas carapaças que viveram aqui, em tempos imemoriais".

"Carcaça". Car-caça. Carcaça. Algo estranho, seco, que quebra não sei explicar bem. Ilustra de modo sensorial perfeitamente aquilo que é. Ou um maravilhoso papo-sêco ou um corpo sem vida, já ali semi seco que nem palha. É um dois em um.

Como podem imaginar, ainda a procissão vai no alto no que consta a palavras estranhas. Podia ficar aqui todo o dia, mas não, lamento. Tenho de ir coçar o rabo para outra freguesia.

E este post, até agora, nada têm a ver com o título? Ah isso pensam vocêêês!! No fim destas linhas todas, a palavra no topo é:

"Anchovas". An? Chovas! Pois é, esta não têm lá muito ponta por onde se lhe pegue e é uma daquelas coisas, que sofre de amor ódio, por esse mundo fora. Também, com um nome destes?! Queriam milagres?? Se se ouvir a palavra "anchovas", vamos associar a algo delicioso, delicado, amor à primeira vista e que nos leva ao sétimo céu?

(eu e as anchovas, quando eu encontrei o frasco à venda e posteriormente abri, enchi tudo de azeite e as provei):

Verdade seja dita, que já degustei de muitas coisas mas anchovas ainda não tinha sido algo que tinha provado. E adorei. Sabe a pexum? Sim. Pexum seco? Sim. Pexum que já viu melhores dias? Yep. Mas mesmo assim, adorei este pexum raimoso.

A vida é mesmo assim. O coração é que escolhe e quem manda, no que toca ao amor.

E espero que tenham gostado do devaneio que, para variar, nada têm a ver com nada. 

P.S.: Escrever este post com a música de fundo dos vizinhos trolhas, que não é nada mais nada menos que "Kiss from a rose" de Seal, é priceless.

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