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Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

Isto era maz'era combinação já magicada com antecedência.

frito e escorrido por Peixe Frito, 22.04.22

Há hábitos que não se perdem e um deles, é dizer a alguém da família de que aquele animal que está a dar na tv, é ele. E sem critério, um animal qualquer completamente aleatório. Felizmente, todos têem sentido de humor e ninguém fica ofendido, pois a ideia é essa, brincar e não andar a chamar nomes às pessoas de modo indirecto. Ora, a ver um filme de desenhos animados, digo eu à Rabinho Pequeno:

- Olha, aquele ali és tu. E aquele o pai, aquele a mãe, aquele o gato, aquele o piriquito.

E aparece um camaleão com olho de vidro, um olho virado para a China e outro para a América. Diz logo ela:

- E aquele és tu, tia Peixa!!

Fosga-se, com tantos animais foi logo escolher aquele mais raimoso.

- Sim, então não sou? Não vês que é a minha vestimenta de ir à praia??

- Vocês têem a mesma cor de sombra nos olhos - diz ela a rir.

Um facto. Eu e o camaleão tínhamos a mesma cor de sombra.

Mais à frente, aparece novamente o camaleão em cena, desta vez em um bruto descapotável com música alta e diz logo ela:

- Olha tia Peixa, olha!! Olha tu novamente!!

- De facto, Rabinho Pequeno, sou mesmo eu. Ora, eu tenho essa música no carro e tudo! - tenho mesmo.

E não é que o raio do camaleão estava a ouvir metal no carro? Se havia dúvidas que eu estava a ser caracterizada pelo camaleão, ali ficou tudo em pratos limpos. Duas metades da mesma laranja. Gémeas separadas à nascença. Uma humana e outra... animada. Será ela o meu animal totem? Fica a questão no ar.

Qual a probabilidade? Mas qual MESMO? Pois é, é como é. Começo a achar que o universo está sempre à espreita para sacar um coelho da cartola na minha vida, mesmo nas coisas mais improváveis. O menino podia ir para aqueles shows de comédia de improviso, que se safava tranquilamente...! E olhem que aquele dia até estava a correr bem e pacificamente. Decididamente, não tenho um dia de folga. Até já com desenhos animados... Ninguém merece!

Vá-se lá compreender.

frito e escorrido por Peixe Frito, 01.02.22

- Ah não me convidem para comer isto - diz a mãe Peixa com tom aborrecido.

- Então?

- Não gosto nada de comer rancho com massa (*suspiro*). Já quando a minha mãe fazia, eu não gostava!

- Mas... foste tu que fizeste o almoço!!

Como não poderia deixar de ser...

frito e escorrido por Peixe Frito, 24.12.21

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Tirem a barriga de misérias, ratem toda a paparoca sem se preocuparem com a linha (curva), pois um (cof cof) dia não são dias e com aquilo que todos temos vivendo nos tempos recentes, precisamos de "pausa" e desfrutar do convívio com a nossa família.

Relaxem, descomprimam e agradeçam a presença de quem vos rodeia.

Tudo de bom, muitas prendinhas e não se esqueçam, não acendam a lareira, que o Pai Natal não é à prova de fogo.

Desejo a todos os leitores e amigos aqui da fritadeira, um Feliz Natal!!

 

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No fundo, não está mal dizido. Até têm razão.

frito e escorrido por Peixe Frito, 05.11.21

Eu e a Rabinho Pequeno, com ela a ver todas as cores das canetas, pois decidiu ir fazer um desenho:

- Olha tia Peixa, já viste? Quatro castanhos!!

- Pois é! Diz-me lá, qual desses castanhos é o castanho que tu achas que é a cor da mousse de chocolate?

Observa... e escolhe um: Este!

- Sim... Muito bem. E da mousse de caramelo?

- Hummm... este!

- Muito bem!

- Sabes tia Peixa... estas cores também podem ser todas cores de cócó!! - diz-me ela a mostrar-me as canetas todas na mão e a sorrir-me.

- Pois... de facto tens razão.

Nunca se sabe que coelho vai sair daquela cartola. Mais um bocadinho, a falar pelos cotovelos, diz-me que no outro dia teve doente, porque o céu lhe fez mal à cabeça. Está certo. Se calhar foi o tom de azul ou uma questão de nuvens, quem sabe.

Sempre ouvi dizer que quem sai aos seus, não é de Genebra. E aqui está a prova disso.

O meu ode às almas penadas e aos defuntos que me assombram.

frito e escorrido por Peixe Frito, 02.11.21

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A avó Peixa sempre me ensinou a acender uma velinha pelas almas de quem partiu, lhes dando assim luz a quem precisa, as guiando no meio da sua possível escuridão, bem como gesto de amor como recordação de quem amamos e que já não se encontra aqui. Este ano, não acendi velinhas a ninguém. Seja porque não tenho extintor em casa seja porque não tinha assim tantas velas para acender às alminhas que eu gostaria de ter acendido. Além de ser aprazível o quentinho que a chama da vela produz e o ambiente romântico a velas acesas se associa, optei por não acender nenhuma. No meu coração, há sempre o espaço arrendado cativamente a quem amo e que não posso agarrar. Todos vivem em mim. Tenho a minha estrela mais brilhante no céu, que ofusca todas as outras, as fazendo parecerem meras luzes a perderem a força e sem gás. Essa sim, a mais especial de todas, por quem eu perdi o meu norte. Tenho igualmente outras estrelinhas nesse céu estrelado que ao contrário da minha estrelinha especial de corrida, vivem através de mim, enquanto o meu sangue corre pelas minhas veias e enquanto o meu coração bater: os meus antepassados, todos eles estão de certa maneira vivos e não desvanecem, enquanto eu viver. Falta o estarem aqui presencialmente em físico, mas estão em mim e comigo, até ao meu último suspiro terreno. Depois claro, há aqueles que eu não lamento lá muito não fazerem parte integrante da constituição do meu ser, mas que de certa maneira, me ajudaram a eu ser quem sou. A esses - e somente a esses - deixo aqui esta velinha digital. Aos que passaram pela minha vida e não deixaram rasto, aos que me magoaram e continuaram com a sua vida, aos ex maravilhosos que tanto me ajudaram a crescer e amadurecer - sem rancores - e a toda a panóplia de gente que se foi e não faz porra de falta nenhuma. Basicamente a aquelas que se diz "Vai-te encher de moscas, vai morrer longe que é para não cheirares mal". A esses precisamente. Uma velinha à vossa alma, que bem precisa de luz e de guia, a ver se saem dessas catacumbas que é o vosso ego e vêem a luz ao fundo do túnel, que é a parte de fora do vosso rabo.

Tudo sem mágoas, rancores e amarguices. Porque assim é a vida. Tudo e todos nos ajudam em alguma coisa, mesmo quando nos dão pontapés no rabo ou nos puxam o tapete. Por isso, como tal, luz às vossas almas. E vai digital e tudo, que perdura enquanto houverem servers, não faz tanta poluição ou contribui tanto para a pegada ecológica como uma vela de verdade e nem há riscos de incêndio, sim, porque algumas das vossas alminhas, arderia a vela toda, fazendo fogo de artifício por todos os lados e até deveria de arder o chão até à China, tal o quanto precisam.

Aqui fica o gesto. Também eu gostava que quem me detesta me acendesse uma velinha, e não era a das macumbas. Por isso, aqui fica o exemplo.

A avó Peixa ficaria orgulhosa - ou talvez não. Mas talvez sim. Rir-se-ia de certeza, pois melhor do que ninguém, ela sabe a neta que têm e que por debaixo de tanta cicatriz, a luzinha ainda existe. A esperança não está perdida de que eu atine 

Saudades 

Aqueles momentos em que me apetece ir buscar a caçadeira e dizer: "Dou-te 5 minutos de avanço".

frito e escorrido por Peixe Frito, 19.10.21

Dado os acontecimentos recentes e os mesmos terem sido uma repetição, as massas chegam à conclusão de que aqui a Peixa é de facto uma criatura multifunções: além de maravilhosa, carismática, de ter uma voz de sereia e de onde pisa nascem tufos de ervas daninhas e cardos com umas silvas à mistura, têm condão para ser consultora. «E de quê?» Questionam-se vocês. Do que for, basicamente. A mais recente foi a namorada de uma criatura fazer anos e me ser solicitada a minha ajuda para a prenda - ideias, não investir na mesma... era logo a primeira bola a sair do saco - Apesar de eu ter apresentado os meus argumentos de que não conhecia a moça e de que, efectivamente, só a tinha visto uma vez e trocado um par de palavras antes de arrumar os tarecos e ir embora para casa, a insistência foi evidente. Pronto, lá acedi fazer esta caridade, dado que uma "maçã por dia não sabe o bem que lhe fazia", sempre ouvi dizer.

Primeiramente, vesti o meu fato a Sherlock Holmes só abdicando do chapéu que me fez comichão dadas as traças e o cachimbo porque achei meio demodê sem fazer pandam com o meu tom de pele, e comecei a por-me em campo: Sugeri umas pulseiras - com o descritivo adequado e print screen como exemplo, em determinadas lojas após pesquisa - ao que recebi logo uma resposta de: "Ela já têm imensas". Okay Peixa. Não vamos desanimar. 0-1. Enquanto o relógio está a contar ainda há tempo de invertermos o resultado. Não perdendo muito tempo a marinar a situação, surgiram ideias as quais foram sempre acompanhadas pelos screenshots, com as lojas devidamente identificadas tal como o preço e descritivo do artigo - se é para fazer, ao menos que seja como deve de ser né? Nem que seja se a pessoa tiver dúvidas, veja ela mesma, que eu sou daquelas que quando entrego a papelada "xau e adeus boa viagem, boas festas e um queijo" e chuto para o departamento ao lado dizendo que isso é com o colega, esfumo-me, tornando-me em um conto popular ou mito, se realmente a Peixa existe ou não?): desde brincos a malas e carteiras, fragrâncias, passando por cremes para o corpo, gel de duche e, inclusive, mais nada além disso. "Olha, ela adora cremes para o corpo! Logo vou passar na loja e comprar". Yeahhh vitória! Ah pois é. 15-0. Melhor que isto, é impossível, correcto? Só se fizesse eu a encomenda e mandasse entregar em nome do outro, em casa da moça! - Ui, mas está na cara que sim, que o ia fazer #sóquenão, fia-te na virgem e não corras.

Qual o desfecho disto tudo? Vim a saber, uns dois dias depois, após questionamento à criatura, que raio ele acabou por comprar e dar à sua cara metade:

- Olha, dei-lhe o meu gorro da Nike que ela adora e queria.

Está certo. Ainda bem que era algo que ela gostava e queria. Ainda bem que a minha pesquisa de praticamente nada valeu. Ainda bem que eu despendi do meu tempo e escravizei os meus neurónios a tentar, dentro do possível, arranjar ideias adequadas a uma criatura daquela idade e sobre quem eu nada, absolutamente nada, sei.

Ora bem, vamos lá a ver... Vou pôr o relógio pronto para começar a contagem, enquanto eu carrego a caçadeira. É bom que comeces a calçar os ténis e que tenhas participado no corta-mato na escola.

É aquele doce condão que só a ingenuidade confere.

frito e escorrido por Peixe Frito, 06.09.21

Na família, não temos propriamente problema em nos vestirmos e despirmos ao pé uns dos outros e então, como tal, o criancedo está habituado a isso e não há pudores. Dito isto, a rifa de momentos embaraçosos, tinha de me calhar a mim mais uma vez:

Estava eu a vestir-me para ir treinar, na companhia da Rabinho Pequeno. Ela esparramada na cama a observar-me.

- Ó tia Peixa, quando eu crescer vou ter maminhas grandes?

- Er... Grandes grandes não sei, mas vais ter as maminhas maiores, sim.

- E quando vai ser?? Quando eu for adolescente??

- Sim, mais ou menos por aí.

- Adolescente quê, doze anos??

- ... Talvez sim.

- E elas vão ser assim, como as tuas?? - e faz assim um círculo no ar com o dedo, em volta do meu peito.

- Ah isso... Não sei como vão ser!

- Mas tia Peixa...!

- Olha, vai lá brincar vai!!

Ó senhora. A curiosidade é típica e natural das crianças mas se querem que vos diga, eu fico mais embaraçada de falar de determinadas coisas do que propriamente as crianças.

Cada um têm o seu sistema de segurança, a verificar se houve algum intruso a cheirar nas redondezas ou não.

frito e escorrido por Peixe Frito, 28.01.21

Pessoalmente, não tenho nenhum sistema de segurança implementado. Nada de artimanhas, câmeras escondidas, fios de pesca que accionam o cair do óleo quente em cima de alguém. Até o sistema de terem de dançar o breakdance, pisando os códigos de cores, padrão de símbolos, acompanhando o ritmo de uma música da Ana Malhoa, com o intuito da minha casa não vos cair em cima e soltar os crocodilos do fosso, tenho desligado. É mesmo a santa paz do senhor. Porém, há quem não seja assim.

- A filha teve cá em casa - diz o pai Adamastor para a mãe Peixa.

- Sim, teve sim. Viste pelo modo como ela tranca a porta?

- Não, não. É que falta-me uma carcaça aqui na cesta do pão.

Subtileza... Era o crime quase perfeito, mas o meu pai sabe bem a filha que criou.

Lá dizia o outro: "Adoro (...) O riso das crianças dos outros" e há dias em que compreendo o porquê.

frito e escorrido por Peixe Frito, 14.01.21

Isto de se conviver, lidar e educar crianças, têm muito que se lhe diga. Começando pela matina, que quando acordam com a telha e não contentes com o seu próprio descontentamento, decidem polvilhar a vida de todos que os circundam, com o mau génio e mau feitio. Uma simples pergunta de: "Que queres comer para o pequeno almoço", por muito que seja dita e proferida com todo o amor, paciência e carinho maior do que o da Madre Teresa de Calcutá, serve apenas de rastilho para uma explosão de tortice matinal com um "Não quero comer" virado do avesso. E é assim que se começa bem um dia.

Nem abordando a temática da vestimenta das criaturas, que há dias que à tarde, nem se devia era sair à noite, estão especialmente picuinhas com a forma como se vão apresentar ao seu social... nem que seja no infantário. Não importa. É social, é social. Fazem um pé de vento que se não é do cú é das calças, se não é das mangas, é do padrão. Em jeito de manter a paciência digna de um budista, há de facto dias ou momentos em que se dá rédea aos bichos do mato. E em que isso resulta? Meias com riscas, ténis folclóricos, saias às bolinhas, camisolas aos unicórnios e, não satisfeitos com a árvore de natal ambulante, uma bandolete com orelhas de gato a fazer pandam com as asas de borboleta. True story. Não stressem, que efectivamente este relato de um amigo de um amigo meu, não se realizou numa ida para a escola, mas ao fim-de-semana. "Ahhh Peixa, então menos mal! Foram só aos avós e voltaram para casa...!" Pois... #sóquenão. Efectivamente a vida dá muitas voltas e nesse dia, não foi excepção. As criaturas tiveram de ir às compras e sim, o espécime mais jovem foi assim pavonear-se para o centro comercial. O que vale é que vergonha não habita na alma das criaturas desta família e, como são todos dados a que as crianças também têem direito a dar asas à criatividade, tudo correu bem - mesmo com os olhares e risos de terceiros, ao verem o animal semi recente, a andar como se fosse dona do pedaço, exibindo uma panóplia de cores digna da carta de pantones e padrões, que fazem concorrência ao tapetes de patchwork.

Mas o que realmente testa a minha paciência, é o sistema de segurança integrado que as crianças têem: ralhamos, amuam, pegamos pela mão e eles fazem corpo mole, acabando por serem arrastados pelo chão. Paciente como sou, ali ficam e eu lá vou à minha vida. É uma medida eficaz de inserção de código de desbloqueio desse sistema de bloqueio infantil, pois em fracção de segundos, já se encontram à minha beira, de trombas é certo, sem falar comigo, em completo litígio. O que vale é que tanto lhes bate como some com a mesma velocidade.

É maravilhoso termos crianças na nossa vida, não é tudo complicações e chatices, mas dava um jeitaço um botão de "pausa" ou "stop", naquelas alturas em que acordaram para nos torrar o que resta da marmita. É que até os macacos-do-sótão se benzem! Deus nos valha.

Falam de uma maneira, como se fossem donos de toda a experiência de vida!

frito e escorrido por Peixe Frito, 14.07.20

- Tia Peixa... tu já te casaste, não precisas de te casar outra vez.

Debitam estas coisas e uma pessoa fica assim a modos que... coiso. Mas ela está lá... Ó se está  

De vez em quando, mandam umas pérolas de sabedoria. Sacam de cada uma, cada coelho que salta da cartola quando menos se espera.

Bem que estas gerações mais novas, já trazem upgrades além do que a nossa compreensão alcança. Eu, com a idade dela, na minha santa ingenuidade de peixinha alevim, lá sonhava com casar quanto mais com o que fosse.