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Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

Mas que verdadeiras mãos de fada, ó senhora!

frito e escorrido por Peixe Frito, 21.04.22

Tenho a pancada de fazer coisas caseiras - ainda ninguém tinha notado, o post das bananas passou ao lado - Sou adepta das coisitas feitas e confeccionadas em casa, daquelas que é melhor o grão cozido por nós e não o de produção industrial, assim como molhos, doces e compotas, sei lá eu que mais... aliás sei, eu é que não estou para estar aqui a enumerar tudo, tenho mais que fazer - qualquer dia, até as minhas roupas faço, com tecido produzido a partir de fibras de folhas de plantas, vou verdadeiramente parecer a Jane. Ao menos, com as lavagens, a traparia vai hidratando e até poderei ser presenteada com o florir de um dente-de-leão, algures na roupa. Ou daquelas coisas que se fumam, se fôr tecido de cânhamo. Aparte: se imaginassem a quantidade de piadas bardajolas que me passaram pela cabeça, desde o uso da palavra "desabrochar" ao me lembrar da música e anedota do canguru que tinha a flor na bochecha ou quantos pêlos têm ele no nariz...? Adiante!! - ontem decidi fazer pizza para o jantar. Mas não uma pizza qualquer! - no fundo no fundo, era com o que havia no frigorífico - Pizza caseira! Amassar a massa e todas essas coisinhas maravilhosas que nos fazem exercitar sem termos de ir ao ginásio e que consegue encher a cozinha de farinha até no sítio mais recôndito da bancada, por muito cuidado que se tenha. Para mim, a farinha é bicho selvagem: temos de ter cuidado, não respirar muito nem fazer barulho, e especial cuidado com o contacto visual, que ela esparrama-se logo, principalmente para onde não queremos que ela se expanda. Há que manusear com cuidado e suster a respiração, ter óculos de sol de lentes espelhadas, para a bicha não se espantar. Tudo muito controlado. Ora, lá fiz a massa e o respectivo recheio com molho de tomate - de compra - cogumelos laminados - frescos mas de compra - queijo ralado - de compra - espinafres - bebé, lavado, pronto a usar... de compra - e orégano  - de...? Compraaaaaaa!! Ainda bem que sou adepta de coisas caseiras - e meti a bicha a assar no forno. Só tenho uma coisa a dizer: Depois de assada, que linda ela estava! Eu até me dei ao trabalho de fazer desenhinhos com os ingredientes e tudo. Sim, estava um primor e eu esmerei-me. Decididamente, dei tudo na decoração desta pizza. Incluindo os olhos para a farinha  polvilhar. Quando a provo, o tempo desacelerou, tudo ficou em câmara lenta, ouvi harpas dos anjos, cânticos celestiais, juro que saiu um arco-íris dos meus olhos e era só raios de sol em minha volta. As minhas papilas gustativas abraçavam-se, choravam de alegria, nem queriam acreditar naquilo que estavam a viver e presenciar. Como era possível uma paparoca daquele calibre? Como? Só podia estar guardada pelos anjos, numa ilha remota, dentro de um baú vazio, enterrado na areia! A minha vontade foi de largar tudo e abrir uma roulotte de pizzas - a aquela hora não dava lá muito jeito e estava frio, eu de pijama e assim, agora vestir novamente? meh!! - e também me bateu de rompante em pegar na pizza e sair para a rua, dando pedacinhos a todas as pessoas com quem me cruzasse, para lhes dar um pouco de felicidade e cor aos seus dias cinzentos, mudando a sua existência para todo o sempre. É que foi uma pizza mudadora de vidas, acreditem. Eu hoje não sou a mesma! Nem dá para explicar! No meio disto tudo, como viram, os ingredientes são simples, singelos, corriqueiros, nada de extraordinários, fazendo assim tudo ainda mais um ficheiro digno dos ficheiros secretos a ser investigado por Fox Mulder e Dana Scully. Mas eu sei qual o ingrediente secreto, sabem qual é? Nada têm a ver com a decoração linda e maravilhosa que fiz, até soltei uma lágrima ao fatiar a pizza, nem a ver com eu não ter lavado as mãos desde que saí de manhã de casa até depois da confecção da pizza, nem com o facto de ter ido pôr o lixo fora e ter mexido em todas as maçanetas que passei até lá, incluindo a tampa do caixote, nem com o aspecto de ter terra debaixo das unhas por ter estado a jardinar, ano passado! É de mim. Pá, é de mim. O ingrediente secreto, sou eu. O amor que debitei ao amassar a massa. Agora sim, compreendo perfeitamente o pai do Po, do Panda do Kung Fu. O amor faz milagres. Torna tudo maravilhoso. Menos o tentar aspirar e limpar a farinha das bancadas e dos tapetes, bem como tornar uma máscara de banana funcional, sem emaranhar a piruca às pessoas. Mas torna sim. Ou é isso, ou levei com demasiada farinha na fronha. O que não pode ser posto de fora. Embora eu ache que se estar com fome, possa contribuir com o aumento da maravilhosidade de uma refeição. Digo eu, só de surra. Não tirando o mérito às minhas mãos de fada e ao meu ser, que pelos vistos, encantou a massa da pizza.

Acho que tenho de ponderar em mudar de área e me dedicar às pizzas. Á fome, não desfaleço. Ao menos isso. Agora de resto... quem sabe??

Às tantas achou foi que eu me estava a fazer ao piso!...

frito e escorrido por Peixe Frito, 25.03.22

...e que sempre tinha valido a pena tomar o seu banhinho mensal, pentear e pôr perfume.

Inevitavelmente, a minha vida é recheada de eventos e momentos de arrepios-de-vergonha-alheia, quer meus quer dos outros - mais dos outros, tenho o condão de presenciar cada coisa, que ó Senhor (*benzer sinal da cruz*) que me superam aos pontos, vírgulas e parágrafos - mas parece que as manhãs e fins do dia, são especialmente ricos nessas situações, quer seja porque as pessoas ainda estão ao rolentim, não acordaram para a vida e andam meio zombies, a sonharem com a almofada babada que tiveram de deixar em casa, sozinha, entregue aos bichos, pela manhã ou pela tarde, que já têem o cérebro frito, queimado, esturricado, armado em pipocas de microondas, com o modo zombie de cérebro dormente activado - este é diferente do da manhã. O da manhã ainda conserva réstias de inteligência, mas o motor ainda está a arrancar. O da tarde, já deu tudo o que tinha a dar, os olhos da cara, o couro e cabelo, o rabo e mais uns tostões e está mesmo com o botão "survival" e "sa f*da" premido e o piloto automático a tomar conta da situação há muito, estando o crânio vazio e o tico e o teco na esplanada a bebericarem uma imperial e a ratarem uns tremoços e minuins, observando os banhistas a levarem com as ondas no alto da pinha e beberem pirulitos - que tudo agrava, com o lume no cú de irem para casa o mais rápido possível. Eu que o diga, o que vivo na selva que é o trânsito ao fim do dia, com a quantidade de artistas do cinema mudo e as merdices que fazem, só porque estão aflitinhos para se teletransportarem para casa e se assolaparem no sofá, esquecendo que toda a gente têm vida e vontades e não só as amélias destes meninos. Mas adiante, fica tema para outro post.

Ora, há uns dias, logo pela matina, vivi um momento de arrepios-de-vergonha-alheia em primeira mão.

Imaginem estarem duas pessoas na rua, com distâncias de três passos uma da outra, de frente para a estrada e eu apenas conhecia uma. Adivinhem qual? A que estava mais atrás - só podia - Sabem que aconteceu, não é? Vai a Peixa e acena à tal criatura traseira, gritando um "Bom dia!!" pela janela do peixmóbil e eis que acenam ambas as duas criaturas ao mesmo tempo para mim, ambas as duas me desejam os bons dias e o da frente estava assim especialmente com um ar sorridente e estranho à Zé Tonhó das Couves, mega feliz da vida. E eu para mim "Mas quem é aquele artista?". Os arrepios-de-vergonha-alheia funcionam em ambos os sentidos: eu, porque sei lá que ficou o homem a pensar, por uma perfeita estranha lhe acenar daquela maneira e de maneira efusiva. Talvez que não aperto o casaco todo e coitada, não se diz que não aos malucos, deixa lá acenar à moça que ela assim fica feliz e a mim não me cai uma mão, ou dente, ou pé ou cabelo! Além de que pensei que é sempre mau retribuir acenos quando não são para nós. Senti compaixão, ao ir ao baú e recordar todos os meus momentos de arrepios-de-vergonha-alheia, que me passou rápido e pensei "tótó, a usurpar cumprimentos alheios com a maior das caras podres". Acontece a todos, mesmo. Venha lá o maior da aldeia, a ver se não lhe toca a ele também as figuras tristes. E o outro sentido em que funciona, basicamente é unilateral e rotativo, entrou em um sentido de rotunda, entra em contra-mão na mesma estrada que acabou de percorrer, na semelhança da carta de virar de sentidos do Uno, entendem? "Travões ó pessoal, agarrem-se que vamos fazer uma manobra perigosa de mudar de sentido". - isto de funcionar em ambos os sentidos neste caso, é similar como em alguns relacionamentos: só têm um sentido e não bufas. "Ah mas quero lá eu impor a minha opinião, eu respeito a tua maneira de pensar, liberdade...! Maaaas....."

Pois é, pois é. Não sei quem é, de onde vêm, para onde vai, o que come, bebe, enfim... só sei que respira, porque é uma pessoa - acho eu, pode ser um alien ou um robot, sabe-se lá, nos dias que correm nada é o que parece - e tal espécime nunca mais foi visto por estas paragens. Talvez tenha percebido que o cumprimento não era para ele e se esfumou, cavou um buraquito até à China e viveu feliz para sempre em uma gruta, com vista para o interior da terra (que luxo!).

É por estas e por outras, que raramente aceno a alguém: com o filme que a minha vida dava, era certinho como o sol em como não seria para mim, o aceno. Por isso, mais vale estar quieta do que fazer figurinhas - já bastam as normais.

Hoje é o meu dia! Se preparem...!!

frito e escorrido por Peixe Frito, 22.03.22

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Apanhando boleia do meu conterrâneo Sponge Bob, é mesmo mágico. Um mágico dia se avizinha pela frente.

Posso adiantar que acordei de madrugada e não dormi mais. Ouvi o despertador e atrasei-me mesmo não tendo adormecido -  verdadeiro piscar de olhos e a vida passa em segundos. Ao me empiriquitar, tive a infelicidade de perder um piercing, que ao que me parece, deve ter apanhado um portal dimensional pois não o encontrei em lado nenhum. Até no meio dos cabelos o procurei. Às tantas, armado em depravado, vai passar o dia comigo enfiado na camisola interior e quando me despir à noite, vai fazer um momento "Tchanaaaaaaammmm babeeee!! Estive contigo o tempo todo!!!". Continuando a vida, que isto há mais que fazer, fiz desvio para roubar a bela sopa de feijão do aquário mor. Com todo o cuidado, escolhi um pamparuére que isolasse bem, pois ninguém quer perder uma gota que seja daquele precioso caldinho. Saco por fora, não fosse o diabo tecê-las, ainda tive tempo de roubar uma sandocha e um iogurte. E cá vai ela, bela e amarela, esplendorosa! Chegando ao trabalho, se sentindo infeliz e miserável fechado em um pamparuére, o caldinho deu de fuga e encheu o saquito da marmita, de molho - alguém precisa explicar ao caldo o caldo que armou, porque lá por ele ser delicioso, não faz com que tudo o que toque, se torne irresistível e comestível. Se bem queeeee aquele papel de chocolate ficou assim de repente com ar apetitoso... Foca-te Peixa, Foca-te!!  (*par de estalos mentais*) - e tudo o que estava nos arredores e periferia, a circundar em volta o pamparuére, ficou baptizado. Ora, carga dos trabalhos, andar a limpar tudo. Sim, porque pegar em uma banana ou laranja e as mesmas cheirarem a sopa de feijão, confunde bastante o tico e o teco. "Ahhh agora já te safaste, ó Peixa! Ainda há um par de horas começou o dia e já tiveste animação para o resto do dia!" Pois, mas não. Isto a arte de surripiar o frigorífico dos outros, têm muito que se lhe diga e aviso desde já, que o crime não compensa. O meu sentido peixe-aranha ainda soou o alarme mas eu na aceleração do andamento matinal, ignorei e disse "Meh, há-de estar tudo bem". Fia-te na Virgem e não corras, sempre ouvi dizer. E em quê fui alertada? Validade. Olha a validade do yágurte!! #sóquenão. Basicamente, sentei o pandeiro para ratar a bela sandes - fruta roubada têm sempre outro sabor, já dizia o outro - e não é que o yogurte estava fora de prazo, mas assim já à légua? Bem que as teias de aranha no frigorífico não me soaram assim a algo normal, mas pronto, é assim, os animais habitam onde querem ou não é?

Tanto a sandes como o yogurte marcharam, por isso já sabem, se não souberem mais de mim, é porque fui buscar mais uma sandes e outro yogurte.

Hoje é o meu dia! Sinto-o assim nas peles, nos ossos, nas romelas e principalmente, nas olheiras da noite mal dormida e no cabelo esticado que já apresenta a sua batalha campal pela sobrevivência, com a ómidade.

Algo de muito bom vai cruzar os meus caminhos hoje, porque ninguém merece tanta moideira logo de manhã - na verdade, nem foi das piores - Se isso não acontecer, vou escrever uma reclamação à direcção da vida, que assim não pode ser. Mas é só cascar e dar estiva no lombo da malta? Ahhhhh já agora, era logo a primeira bola a sair do saco!

Posto isto, um feliz dia para todos. Viva a Primavera, que se esqueceu de ler o boletim informativo e o correio, e ainda não deu a cara nem tão cedo parece que vai dar o ar da sua graça.

E é a gente desta a quem eu chamo "amigos".

frito e escorrido por Peixe Frito, 04.02.22

Não é de todo de espantar aos meus amigos mais próximos que, vindo da minha criatura, mais metro menos metro, mais dia menos dia, coisa menos coisa, eu faça alguma coisa. Nomeadamente, mandar áudios com risos maléficos, músicas e comentários de fundo, alguns a cantar (para desenjoar), mandar sms aos homens a desejar "feliz dia da mulher", marcar as amigas em posts de "se esta pessoa não te responder em 5 minutos, fica-te a dever um jantar destes" ou "têm de fazer um corte de cabelo destes", enviar igualmente receitas de bolos a aquela amiga que diz que está a fazer dieta, mandar sms de seguida à bff assim em enxurrada aos parágrafos em sms separadas, só para ela ter milhentas notificações de sms na nossa conversação e ver que ela não responde ao fim de 5 segundos e a encher de emoticons a chorar copiosamente e escrever "já não me amas", bem como os típicos áudios a fazer de conta que lhe estou a contar alguma coisa e o primeiro só ser "estou a mandar áudio só porque sim" seguido de "ah-ah achavas mesmo que era alguma coisa que se aproveitasse??" e outro "agora é a sério... mas nãaaaaoooooo!! Amo vocêêê", entre outras coisas.

Então, enviei um post a três amigas, naquela de meter ferro. A esperar o que elas me iam responder, se à letra ou se iam armar em fofas - desertinha eu, que as respostas fossem a dar brasa ou na gozação.

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Montada a armadilha, foi só esperar quem mordia o isco. Mordeu logo uma: teceu comentários fofos sobre mim, no maior dos amores e ternura. Borboletas, purpurinas, ursinhos carinhosos a descerem de cú no arco-íris. Agradeci, encheu o coração apesar de não ser de todo a minha intenção enviar estas merdas porcarias para receber elogios e achei "Pronto, elas vão levar a sério. Decepção."

Em momentos, responde outra:

- Só tenho mesmo duas palavras a te dizer: ESTÁS LONGE!!

Esta porca, que passa a vida a dizer-me que têm saudades minhas, responde-me que o que ama em mim, é eu estar longe!! Affff gajas do caraças!! Escusado será dizer, que adorei e fartei de rir com a resposta.

A cereja no topo do bolo, foi ter enviado para a bff, aquela que assinou o contracto vitalício de me aturar daqui até à China mas dando a volta ao mundo e não pela visão terraplanista, em que têm cláusulas específicas que declara que estamos sempre ali uma para a outra for o que for e o que der e vier, e foi a única que nem me respondeu. Lido e ignorado com sucesso. É assim...

Acho que tenho de passar a escolher melhor as amigas. Assim não pode ser. Anda aqui uma pessoa a tentar armar a confusão, a meter fogo e ferro e enxofre para fazer efeitos ao lume e uma leva tudo à letra, outra é o que é não é, cumpriu os requisitos e a outra... talk to the hand. Está certo. Vai já levar uma sms a dizer que não vou casar com ela, que vou fazer malinhas e dar corda aos sapatos da nossa amizade, que assim não pode ser, não há condições!!

Realmente...!!

E aqui fica, o meu testemunho verídico, de que ainda há seres destes a palmilharem a superfície da Terra.

frito e escorrido por Peixe Frito, 17.01.22

Há coisas que se vão perdendo com o tempo... a sua magia, toque, excentricidade e até, singularidade. Existe a adaptação aos tempos modernos, tecnologias, maneiras de ser e estar. Mentalidades e instinto de sobrevivência. Mas para mim, há coisas que continuam a manter a sua essência, tentando sobreviver com as novas paneleirices da vida, mas que no fundo, está lá, no seu âmago, no seu adn, a sua verdade que venha o que vier, tal como o Kraken a surgir do fundo dos oceanos para dar uma trinca no bafunfo do Poseídon, emerge no seu esplendor por entre as algas e destroços do Triângulo das Bermudas, sempre na sua glória. "Eu estou aqui e aqui ficarei até à eternidade", grita em plenos pulmões. Haja persitência e adaptação. Assim o fez uma espécie muito conhecida em todas as aldeias, vilas, cidades do nosso Portugal. Falo das codrelheiras. Sim, das codrelheiras. Essa espécie quase em vias de extinção que se está a adaptar às modernices, que invés de cuscarem à janela, cuscam os perfis nas redes sociais. Têm de fazer o que precisa de ser feito, senão como sobrevivem? Ah pois é. Porém, ainda existem alguns espécimes selvagens, que se adaptaram à selva de cimento e betão. Não muitas vezes avistados mas estão lá. Que o diga eu, que avistei um ainda há dias e mal queria crer no que estava a ver.

Já é bastante mau se estar à socapa a cuscar a vida dos outros, a controlar com quem se está e para que carros vão, se mantendo às escuras dentro da divisão e a uma distância razoável da janela mas senhores, os tratamentos que os vidros têem não são 100% à prova das pessoas não verem que se passa no interior da casa: embora às escuras, deu perfeitamente para ver o que a senhora estava a fazer - não, não estava de cuecas nem nada do género - estava sim com fio dental a limpar os dentes, com a bocarra escancarada, enquanto controlava o povo na rua. Sim, poderia estar a usar o vidro como espelho, é aceitável. E fico feliz por a criatura cuidar assim da sua higiene dentária, escusava era de o fazer à janela e com toda a gente a ver! Ela na maior das descontras, ali a passar o belo do fio dental na cremalheira. Tive um momento de arrepios-de-vergonha-alheia e compaixão, apesar da senhora estar ali a controlar o que eu estava a fazer. Tal tótózice que nem se apercebe que dá para ver para dentro da casa dela. Parecia uma assombração bizarra, a limpar os restos dos dentes, esfumada no negrume da divisão.

A minha vida nunca mais será a mesma. Mas já notei que este comportamento é vulgar nestes espécimes citadinos: há uma outra que têm o hábito de recuar mais para dentro da janela, para eu não a ver. Depois quando me vê pessoalmente: "Tenho-te visto, Peixa. Assim de vez em quando." E eu sorrio... Sorrio porque a vejo SEMPRE e a vejo a esfumar-se para dentro, se mesclando com a cortina, só que a senhora pensa que eu não a vejo.

Não vamos espantar os animais a dizer-lhes que sabemos os seus métodos de sobrevivência, não é? Senão coitadinhos, ficam atarantados e aí é que se extinguem.

Se bem que de certa maneira, não fazem lá muita falta nessa sua utilidade, mas a vida é assim. Até uma simples mosca têm o seu sentido de viver e faz tudo parte do equilíbrio do ecossistema, mesmo que nos ultrapasse a sua razão de existência.

Bem que às vezes sinto o carro a arrastar o rabo, como se tivesse carga a mais.

frito e escorrido por Peixe Frito, 05.01.22

Nem todos os dias são dias de odores magníficos a couves e em uma vertente bem clara da vida, universo, Deus - chamem-lhe o que quiserem - de me pedir desculpa dado que meti a boca no trombone e andei a escrever na blogosfera o meu desagrado por o ambientador do mundo já estar a pedir reforma, hoje fui presenteada não com um, mas dois arco-íris, mal saí do aquário. Visão linda e maravilhosa, um deleite para a minha alma ver ali o palácio rodeado de arco-irís - a sério, é daqueles momentos que me aquecem o coração e me fazem sentir "pausa" na vida em como sou abençoada nestas pequenas coisas - porém lamechices aparte, sim porque eu hoje não tenho maquilhagem à prova de água e além disso, já me basta o que a ómidade anda a fazer-me ao cabelo - nem vou debater sobre isto, é que recuso-me fervorosamente - este cenário todo digno de contos de fadas, porque nem um pingo de nevoeiro ou neblina matinal se via por entre as árvores da serra, bateu com uma precisão tão mas tão mas tão mas tão exacta, de quando uma música tocou no peixmóbil. Ao ouvir a letra, só me deu vontade de rir e constatei - mais uma vez... já não há dedos das mãos nem dos pés meus, do vizinho, da vizinha, do bairro, do cão, do gato, do piriquito e da tartaruga que cheguem para o cálculo - que a minha vida têm banda sonora e que estas coisas me acontecem com demasiada frequência - há quem lhes chame coincidência, outros sinais do divino e outros ainda não chamam porra nenhuma - eu simplesmente tenho outra teoria: Deus anda comigo à boleia no carro e nem sequer se digna de me ajudar no combustível ou na manutenção do carro! Sim, porque isto cheira-me a esturro! Tanta coincidência ou "olha que giro, esta música diz mesmo aquilo que eu estava a pensar" que ou eu tenho um chip que envia as minhas ondas cerebrais para a central do divino, onde eles nos monitorizam enquanto bebem um café - disparate! qual café? Chá verde advindo de folhas colhidas ao raiar do primeiro raio de sol da matina, lá por detrás do sol posto, nas montanhas da conchichina, com cânticos budistas de fundo. Se assim não for, não é a mesma coisa. Os cânticos são cruciais para uma boa apanha das folhas tenras da camellia sinensis - e degustam um pão especial de corrida feito com nuvens solidificadas e barrado com condensação do ar (eco friendly e fair trade, sempre sempre) com um toque de nevoeiro marítimo - quanta chiqueza - fazendo assim que naquele momento façam tocar na matrix aquela música ou então é aquilo que continuo a dizer que é mesmo, uma representação do divino anda comigo no carro e têm um sentido de humor deveras mordaz. Ora, meu caro espírito ou frequência dimensional que acagaça muita gente só de pensarem que isso possivelmente existe, não te fazia mal nenhum nem te caía uma unha que invés de andares a armar-te em dj, podias era fazer-te útil e limpar o pó ou aspirar o carro, já assim em devaneio e rasgo de loucura total, lavar o carro?? Só te ficava bem e ser-se engraçadinho, no teu caso, não têm lá muita utilidade. Pensa lá na tua vida, que assim não dá. Esta parceria ser apenas com um lado a entrar, não paga as contas. E, já agora: vê lá que andas a comer, que o carro anda de cú pesado, como se tivesse uma catrefada de gente na bagageira.

No meio disto tudo, que raio de música era, Peixa?

Era esta e bateu mesmo na parte do refrão, comigo a cantarolar, de janela aberta - os vizinhos deviam de estar a pensar que alguém estava em martírio e agonia:

"(...) Don't stop believin'
Hold on to that feelin'
Streetlight, people
Don't stop, believin'
Hold on
Streetlights, people"

E "bam", duplo arco-íris. Ora digam lá que não era um pedido de tréguas e para eu refrear os cavalos, evitando falar o que fosse sobre manifestações odoríferas vindas dos pântanos dos esgotos das canalizações das casas-de-banho dos seres celestiais? Está na cara.

Assim vamos nós na primeira semana do ano, ainda só a meio da mesma.

E quando a lagarta pensou que o mundo tinha acabado: virou borboleta.

frito e escorrido por Peixe Frito, 29.12.21

Não há dúvida nenhuma, de que é uma frase cheia de significado e digna de constar como legenda em selfies tiradas pela malta, a olhar para o infinito e mais além, se armando em pensadores - diria que é uma pérola que ficaria linda nos powerpoints que a malta enviava nos anos 90 e início de 2000, mas corro o risco de que muita gente nem sequer saiba ao que me refiro, pelo que agarro na viola e meto-a no saco - fazendo assim qualquer cromo ser apreciado por quem vê a manobra de self marketing bela fotografia e pose descontraída, suspirar a pensar que a pessoa é mesmo muito à frente, culta e interessante, apesar de tirarem selfies na casa-de-banho ou no ginásio em tronco nú - nada contra nem a favor, cada um sabe de si, se bem que podiam evitar a enxurrada das mesmas, que às vezes mais parece que andam a fazer propaganda ao six pack ou ao rabo do que outra coisa, negligenciando que mostrar cérebro é igualmente sexy - e estarem com ar de quem supostamente está distraído e que foi apanhado de surpresa para a foto, mas #sóquenão.

Isto tudo para dizer que se estão à espera de um post mega eloquente, recheado de coisas lindas e belas, que a cada palavra nasce uma borboleta na intrínseca floresta da Amazónia, tirem o cavalinho da chuva. Hoje por aqui é mesmo espremer e sair ar, limpar o vidro para olhar para a rua e estar nevoeiro, esticar o cabelo e apanhar chuva, fazendo com que o mesmo fique mais ondulado e encrespado, do que o mar na Boca do Inferno.

Basicamente, é isto. O ano a acabar e eu a constatar o mundo que vivi, praticamente sem sair do mesmo sítio - pronto, fui fazer chichi algumas vezes, à cozinha petiscar alguma coisa e pôr os trapos a lavar, mostrar a água ao corpinho de vez a vez, não estive sempre sempre no mesmo sítio, quase sempre.

Achamos que a vida não mudou quase porcaria nenhuma, aquando fazemos o balanço do ano inteiro. Mas mudou. E muito. Somente nos adaptamos a cada estiba do mar contra o nosso casco, a cada reparação das velas dado o vento forte que às vezes sopra. E isso não significa que as terras às quais chegámos, às tempestades que sobrevivemos e as mudanças que a tripulação têm sofrido, não demonstre o quanto vivemos, embora na maioria dos dias, tenhamos humildemente sobrevivido a cada um deles sem nos apercebermos.

Desejo a todos os amigos e leitores um novo ano cheio de conquistas, com muitos mares agitados - pois mar calmo nunca fez bom marinheiro - mas que saibam sempre levar a embarcação a bom porto e ter a mão no leme, na direcção do que almejam - okay okay, já parei com as metáforas e analogias marítimas - Surfem muito nas ondas da vida e que colham muitos frutos do mar, ao longo do ano - não têm obrigatoriamente que ser marisco e coisas assim, também é aceitável uns chocolatinhos belgas, umas alguinhas ou areia da praia nas cuecas.

Um bom ano! Que continuemos por aqui a lermo-nos uns aos outros, que a inspiração se mantenha e a musa não se divorcie de nós, que a escrita flua e as nossas amizades se cimentem 

É a maldição das gajas e sem dúvida que já esteve mais longe de ser um portal StarGate para outra dimensão.

frito e escorrido por Peixe Frito, 10.12.21

Muita tinta já correu sobre este assunto, saliva evaporada e (alguma) cuspida quase ao estilo "Sabes que jantei ontem??" "Não, o quê?" "Pesssxxxxxxcadinhaaaaa"  e montes de perdigotos para cima da vítima incauta (e tótó. Toda a gente sabe essa, só cai quem quer mesmo), espuma nos cantos da boca e litros e litros de bidons de água consumidos para hidratar as gargantas - com alguns olhos negros à mistura, que provavelmente há quem tenha levado uns sopapos no meio dos olhos - tal têm sido o debate e falatório acerca das malas das senhoras. Opiniões divergem tal como o rabo, em que cada um têm o seu, uns dizendo que as malas das senhoras são como o saco do Sport Billy ou o bolso do Doraemon - eu. Sou eu que digo isso - enquanto outros dizem que têm apenas meia dúzia de tarecos e na verdade, quando lá põem a mão, podiam claramente sacar da Estátua da Liberdade e mais um pombo ou dois, o Batman quiçá,  tal a panóplia de coisas que levam lá dentro - fazem-me lembrar os "faz tudo" que têm uma série de malas com tudo o que eventualmente é preciso para a assistência em uma casa só que neste caso invés de andarem com um furgão, é apenas uma mala ao ombro ou debaixo do braço, uma póchéte.

Não obstante da capacidade fenomenal que a mala das senhoras têm de armazenar até um boing 747, sou daquelas que gosta de usar malas pequenas. Ora, aborrece-me mesmo tendo a mala quase vazia, somente levando o essencial - quando digo essencial é mesmo SÓ o essencial, como telemóvel, carteira, chaves de casa, chaves do carro, maço de lenços, x-acto (no questions asked please), verniz transparente para as malhas das meias, lenços ranhosos, lenços ranhosos que entretanto se desfiaram, talões de compras, batom do cieiro, pensos higiénicos, pensos normais, desinfectante, toalhitas, ganchos para o cabelo, elásticos, pastilhas elásticas... coisa pouca - que para encontrar o que seja, precise de recorrer a forças demoníacas e evocar o demónio, sacrificar uma cabra e ladrar a gatinhos, que me vejo e desejo para encontrar o que for! Mesmo tendo bolsinhas dentro da própria mala. Não se entende.

Aparte de meter a mão e poder, de facto, retirar de lá um animal de pequeno porte, descobri um compartimento secreto: o fundo interior da minha mala está descosido o que faz com que algumas coisas se escapem e se metam por lá, viajando por toda a mala e ao infinito e mais além. Imaginem eu apalpar a mala - sim, tenho o hábito de fazer isso para controlar se tudo está nos conformes - e dar conta de um tampão desgovernado, que ao abrir a mala, não o vejo nem virando a mesma do avesso e de patinhas para o ar. Confesso que andavam a acontecer coisas estranhas e que desde que encontrei o forro descosido, tudo fez sentido: encontrei as sanduíches desaparecidas, os chocolates, o tesouro do Barba Ruiva, ouvia miar e ronronar e lá dei com o gato aconchegado à costura da alça, coisas assim.

Digam o que disserem, as malas das senhoras são autênticos universos... de tralha. Mas universos! São de uma diversidade surpreendente e cada uma é um mundo que espelha a falta de paciência da proprietária, que só se lembra de ir ver o que é que se passa dentro da mala, quando o fundo mostra claramente dilatação e a mesma pesa quase tanto com uma obra feita em tijolos. Algumas encontram um sem fim de talões - que se reproduzem mais do que os coelhos, neste tipo de ambiente - o par daquela meia que ao tempo andavam à procura e que até tinham colocado a sua foto no pacote do leite, bolachas dentadas e embalagens vazias de pastilhas e de rebuçados - okay okay, eu às vezes meto os papéis na mala porque não tenho caixote ao pé e visto que tenho urticária em mandar o lixo para o chão, meto no bolso ou na mala, assim meio à largada de sobrevivência na vida selvagem - incluindo, pastilhas mastigadas enroladas em papel. Mágico! Muito mas muito mágico! - uma pessoa manda aquilo lá para o buraco sem fundo e lembra lá mais daquilo. Está bem, está. Tanta águiinha passa debaixo da ponte em fracção de segundos e o dia da criatura prende-se mesmo em lembrar da porcaria da pastilha mastigada largada na mala. Devia mas #sóquenão. Até ao dia que mete a mão na mala e dá de caras com a oitava maravilha do mundo colada aos seus dedos.

Depois admiramos-nos, nós gajedo maravilhoso, de andarmos empandeiradas, com dores aqui e ali, tortas e a pender mais para um lado do que o outro, parecendo que estamos sempre em chão inclinado. Isso é tudo pelo mundo que carregamos não às costas, mas na porra da mala!

Soluções, aceitam-se. E não me venham cá dizer para deixar de usar mala ou começar a andar de trolley, que não há bolsos para tudo mesmo que usasse um colete como os caçadores ou um cinto de ferramentas como os marceneiros e os trolley's são um bocado chungas, não? Para ir às compras ou levar para a praia, ainda é naquela, agora no dia-a-dia... Deus nos ajude.

É a maldição das gajas, sem dúvida nenhuma.

Queres levar? Arreia. Que se há-de fazer. Mas quem goza com a mala das senhoras, que até se recusam em lá meter a mão não vão levar uma lambida de alguma coisa, são os mesmos que pedem para as suas caras metade levarem lá a sua carteirinha e as chavinhas... Arranjem a vossa mala, ora agora. Era o que faltava. Já se acarta com as nossas coisas quanto mais com as dos outros.

Falam falam, mas não admitem que até dá jeito. Ah pois é.

É um tema sensível e que merece ser abordado com toda a delicadeza que isso implica.

frito e escorrido por Peixe Frito, 02.12.21

Passadeiras. Sou só eu que tenho a vontade de querer cilindrar alguém, quando os peões passam armados em vedetas, ar pedante, nem agradecendo nem nada, parecendo que estão a desfilar em uma passerele?

Com esta abertura soft de debate para este post, ainda dá para dissertar mais um bocado. Ora, os peões têm prioridade na passadeira e acho muito bem. Eu não me esqueço que eu também sou peão - sim, que não ando sempre de carro, óbvio. Se bem que às vezes dá vontade de até entrar com o carro dentro dos supermercados, pois está quentinho e não apetece tirar o rabo do banquinho aquecido - e até a mim me acontece alguns condutores pisarem no acelerador, só para não pararem na passadeira e, acrescento, em miúda ia sendo atropelada ao passar na passadeira, porque um senhor nem se deu ao trabalho de parar, quando ia a atravessar. E sim, tinha visibilidade: imaginem uma enoooooorme recta, com passadeira pouco mais do que a meio da mesma. Para quê parar? Depois queixam-se de porem lombas em sítios menos próprios, é graças a estes engraçadinhos.

Podendo ter ficado a fazer parte do pavimento e constituindo uma lomba orgânica e natural ou não aparte, respeito mesmo as passadeiras. Até peço desculpa aquando por algum motivo de força maior - e não, não é do pé pesar no acelerador - não consigo parar na passadeira. Haja respeito, ou não é? Mas depois, há a outra vertente, dos peões armados ao cardo. Há uns que apressam o passo, ao ouvirem o tipo de música que o peixmóbil partilha com o mundo - devem achar que levo uma seita dentro do carro, cabras para sacrificar e o anticristo - enquanto há outros que olham para mim e me sorriem e eu sorrio de volta. É como é. Cada um é como cada qual. Agoooora quando há aqueles marmelos que se mandam para a passadeira sem sequer olhar se vêm um carro - o carro têm de parar e pronto. Que se lixe lá a física e as suas leis que temos de ter tempo para travar, nós como seres humanos nos cair a ficha e o próprio carro ter tempo de resposta, dada a velocidade, peso e etc limitada - eu espumo um bocado. Ah mas espumo. Não se capacitam que eu vou dentro do carro e tenho a estrutura até chegar a mim enquanto eles, têm a obra da graça do espírito santo a fazer de escudo, indo directamente aos seus cromados. Mas não importa: é passadeira e a pessoa têm de passar. Lá se está a ralar se o carro pára a tempo ou não. E há também aqueles que até param para passar mas que depois vão a desfilar... vão a apreciar a paisagem, apanham flores, a fruta da árvore, deleitam-se com as nuvens e o sol. Não peço que passem a correr mas agora ao nível de um caracol os ultrapassar, haja bom senso! Focando igualmente em outra estirpe de peão, aquele que passa com ar de importante, se pavoneando e nem dizendo um "obrigado" ou assentir de cabeça, como agradecimento. E não, não são obrigados mas e educação? Se calhar faço mal em tabelar as pessoas pela minha visão - Peixa pá, tens de deixar de ser assim tão ruim e querer que as pessoas sejam educadas - em que até digo "bom dia" ao segurança do supermercado ou ao gajo que vende as farturas, no estacionamento, inclusive passo por alguns trabalhadores das lojas e cumprimento. "Conheces?" "Não, mas não custa nada se ser educado."

Por isso deixo aqui o meu aviso: não vos cai um dente se me agradecerem aquando paro na passadeira. Uma vénia caía bem, mas na possibilidade de vos doer as costas, basta um aceno. Eu fico feliz e a vocês nada custa se ser amável. Porque com toda a certeza que eu, mesmo sem conhecer todo o povo, quando param na passadeira para eu passar, faço sempre um aceno e pontualmente, dou um sorrisinho de agradecimento. E, milagre! Ainda respiro, não me aconteceu nada de mal por ser educada e amável. Quem diria!

E agora falando de alguns condutores, como peoa que sou: se continuarem a acelerar para não pararem na passadeira aquando eu vou a passar, podem crer que vos vou continuar a gritar elogios, nomes pomposos e fofinhos, inclusive ameaçar que vos dou com a almofadinha mais macia e agradável que tenho no aquário, nos vossos dentes. Depois não se armem em marias ofendidas e puritanas, como alguns armam. Temos de ser uns para os outros ou não é? A quem pára na passadeira, podem contar com o meu aceno de agradecimento e se for algum gajo giro, um piscar de olho e beijinho no ar, a sensualizar no pedaço.

Equilíbrio de ambos os lados, é fundamental. Embora eu defenda a teoria de que as pessoas na estrada têm os mesmos comportamentos erráticos que dentro dos centros comerciais, se observarem bem: sempre em cima do próximo, batem nas pessoas, atravessam à frente para mexer na fruta ou chegar à cueca que está em promoção, passam de um lado para o outro que nem um passarinho desgovernado e ainda param de repente enquanto iam a andar, sem sequer observarem se alguém vêm atrás. Nestes casos, se dermos uma arrefinfadela na pessoa, uma bordoada, somos nós que temos a culpa ou é ela? "Ai veja por onde anda, que me deu cabo das cruzes e me amarrotou o casaco vison" "Pois olhe, tivesse cuidado na sua marcha e certificado que ninguém vinha atrás. Eu é que não vou pagar a conta da engomadoria, para tirar esses vincos". Eu digo sempre a quem me faz isso "travar assim, é que nem ligou os intermitentes" e ficam a olhar para mim. Mas é verdade! Deveríamos andar equipados como os carros: com piscas de mudança de direcção, luz sinalizadora de travão e quatro piscas. Tantos encontrões, pisadelas seriam evitados. Vão por mim! Então agora na época natalícia, é um ver se te avias!!

Finalmente, algo realmente útil para a sociedade.

frito e escorrido por Peixe Frito, 25.11.21

Ando a pensar, em desenvolver um despertador personalizado, para me ajudar a tirar o rabo dos lençóis, com mais eficácia e rapidez. Isto é tudo muito lindo, ser tempo do frio, como tantos dizem e que provavelmente são aqueles que se adoram vestir como as cebolas (cheios de camadas e camadas e camadas e camadas e camadas e camadas de roupa - mesmo assim, acho que não disse as suficientes... camadas x infinito) onde só mexem os olhinhos e movem-se a parecer um boneco inflado, chuva da boa que faz falta é cá embaixo, o que não deixa de ser verdade, as árvores e o resto das bichezas precisam de se nutrir, as ruas lavadas, alguns carros que só veem água aquando chove e os buracos nas estradas ficam finalmente camuflados a brincarem ao esconde-esconde surpresaaaaaa!!, apesar de eu não precisar de humidificação, ficar de molho ou tomar banhos extra - digo eu, um banho por mês é mais que suficiente ainda mais agora no tempo frio, que transpiramos menos -  concordo plenamente que a chuva faz falta - São Pedro podia era moderar a temperatura de quando a quando, digo eu. Fica a dica - levanta-te que a cama está quentinha mas tens de ir vergar a mola, diz a minha mente mas o resto do corpo não obedece. Factos incontestáveis. Deveríamos ter no emprego, uma tolerância de atraso, nos tempos frios. Pois, porque cá está, é uma carga de trabalhos conseguir sair do ninho quentinho, tirar a farpela nocturna, pôr o nariz fora da porta, quando está um calor dos pinguins na rua. Das duas, três: ou temos de arranjar roupa que têm a opção de se ligar e nos manter quentinhos ou então podíamos ir de pijama para o trabalho. Está certo que quem anda nas obras na rua iria ficar fofíssimo com o seu pijama polar aos macaquinhos ou aos unicórnios, mas vejam a praticidade da questão: menos roupa para lavar e assim como saíam das manteles, assim poderiam prosseguir caminho. Ah pois é. Uma vertente interessante a abordar seriam os aquecedores portáteis: há quem passeie os cães e assim haveria quem andaria a passear o aquecedor (imaginem um aquecedor a óleo, daqueles à antiga, a ser puxado pelo fio em plena avenida... não faz chichis nem cócós, logo podem passear com ele por todo o lado e, inclusive, se forem jantar fora, podem entrar sempre nos restaurantes, não há cá picuinhices) logo pela matina. Imagino depois a quantidade de aquecedores todos quitados, se esta moda pega. Ui... Desde terem comando a terem sensor para andar atrás do dono, acusarem no visor a meteorologia com alcance de dez dias, as horas, os minutos, os segundos, os centésimos, a velocidade a que a pessoa vai, calorias queimadas, quantos passos deu, quanto tempo na rua, ver sms, aceitar chamadas, ver o e-mail, avisarem que é altura de beber água, tirarem automaticamente selfies e postarem de imediato nas redes sociais com a frase filosofal inspiracional estilo powerpoint do dia, porem um auto resguardo aquando começar a chover e flutuarem, que é para as rodinhas não terem problemas de mobilidade - umas lagartas ao estilo de tanques, me parece uma opção viável - tirar o snack da manhã, o almoço, pentearem macacos e coçarem o rabo... são só algumas utilidades que me lembro assim de repente.

Bem visto, bem visto, se não chovesse estava um grande dia, como costuma dizer o Pai Adamastor na sua eterna sabedoria, o factor de uma pessoa ter questões de separação da cama deve-se mesmo à falta de meios de conforto, que têm de enfrentar. Em que isso resulta? No típico comodismo e deixa andar, que logo se vê. O empurrar com a barriga, mas contra o colchão que não é de molas mas de espuma ou que raio é aquilo que se molda e faz bem às costas e ao pescoço e ao cabelo e às unhas dos pés e ao não sei quê ou talvez não faça não sei não faço ideia mas vocês sabem do que falo. Ora, se me garantirem que me mantenho sempre quentinha, sem sentir as diferenças de temperatura, desconforto nas escamas, é mais do que certo de que me levanto da cama na maior para ir laborar. Não garanto é que o penteado não seja à Beetlejuice e que consiga evitar levar o pijama com padrão leopardo a fazer pandam com as botas de rock, mas o saldo será certamente, positivo. Em alguns dias pronto, break even

Proponho a criação de um tubo género as mangas dos aeroportos para entrarmos nos aviões, até aos nossos carros, por exemplo. Se alguém trabalha perto de casa ou têm de ir a pé, um tubo desde a sua porta até ao trabalho. Sempre com aquecimento, música maravilhosa de elevador e, pontualmente pelo caminho, um chá ou café ou chocolate quente para aquecer as tripas e a acompanhar, umas bolachitas - para os mais friorentos que levarem o aquecedor à trela, lubrificante para o mesmo ou até paninhos para se limpar o pó e puxar lustro às jantes das lagartas -  Cai sempre bem. Evidentemente, tudo bem ventilado pois o bafo matinal de algumas pessoas poderia tornar-se tóxico, se não convenientemente conduzido pelas condutas dos respiradores para a rua. Explosivo, atrevo-me a sublinhar.

Posto isto, que a conversa vai boa mas tenho de ir ali além, são ideias que ficam a marinar e que atiro assim ao ar, e que espero que não me caiam em cima senão ui ui, fico a parecer uma solha e isso não dá com nada com a minha tez. 

Quando tiver desenvolvimentos, partilho. Pois a vida é mesmo assim, feita de partilhas para nos enriquecermos uns aos outros, ou não é? É pois está claro!!!