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Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

Ó da guarda, peixe frito!

Vai com arrozinho de tomate?

"A arte e o engenho faz o mestre", sempre ouvi dizer. Neste caso, faz a croma.

frito e escorrido por Peixe Frito, 30.05.23

A necessidade, acima de tudo, faz a criatividade e a arte do desenrascar, fervilhar no sangue de qualquer criatura que se preze, principalmente naquelas que levaram o ferro de engomar para a casa de terceiros, vieram embora airosas da vida se esquecendo lá dele e só se lembrando dessa alminha, quando queriam engomar o vestido com o qual decidiram esbanjar terror charme por todo o lado onde passam e o menino não estava no sítio dele: só o lugar.

Criatividade ao rubro e adaptação a dar gás, principalmente porque já se estava a ficar atrasada para o que quer que se ia fazer a seguir, mudar de farpela não era solução embora fosse a mais prática e, definitivamente, pouparia tempo, mas deixem lá a gaja ser teimosa e levar a dela avante. O que existe em casa que possa substituir o ferro? Nada, pois está claro. Na rua, talvez um cilindro de alisar alcatrão fosse opção viável, porém, hoje estava de folga e só havia mesmo era nada. Ora, já com a urticária a dar de si no horizonte, deu-se um momento "eureka"! E que tal, o ferro de alisar o cabelo? Ah pois! Se alisa o cabelo, alisa a roupa! #sóquenão Sim, experimentei e as porras dos vincos estavam agarrados ao vestido de unhas e dentes, como se a sua "vida" dependesse dele - e de facto, dependia... sem vestido não há vincos e sem vincos há vestido engomado... O que queria dizer eu com isto mesmo? Adiante, mazé! - Ainda ponderei ir para a rua com o vestido amarrotado e fazer de despercebida que estava mais amarrotada que as palhas de um espantalho de palha no meio de um ciclone, mas na luz da rua - vulgarmente conhecida como "sol" - parecia mesmo que tinha sido trucidada, dobrada, enrodilhada e torcida sem dó nem piedade.

Fiz tudo o que estava ao meu alcance, fui criativa, inventiva, génio incompreendido, mas tive de me render às evidências e dar a mão à palmatória: tive mesmo de mudar de vestido. Contrariada, mas mudei.

Que a minha experiência vos sirva de exemplo para a vida, de nunca se esquecerem do ferro em casas alheias e que o ferro de alisar a trunfa, não vos vai servir de nada. Pelo sim pelo não, tenham sempre um ferro de reserva... ou dois. Não vá o de reserva precisar de um de reserva!

Nunca me senti tão sexy e escaldei tanto os pés na areia.

frito e escorrido por Peixe Frito, 15.06.22

Após bastante publicidade - falado uma ou duas vezes no máximo e só com uma alminha - acerca de umas cenaices que ajudam a retirar as peles mortas dos pés, decidi experimentar. Nestes dias de feriados em pack, era a melhor altura para ter uns pés lindos e maravilhosos, frescos e fofos, dignos de uma sereia - sim, sereia. Que a Cinderella deve ter cada calosidade, que é obra. A julgar pelo que ela trabalha e pelas socas que usa, ou têm uma excelente pedra pomes e bons cremes hidratantes ou então esqueçam lá isso. "Fada madrinha, quero ir ao baile!" "Não, Cinderella. Tu queres mesmo é que eu tê dê um dia no spa, para tratares dos presuntos, qual baile, qual quê. Estas miúdas só pensam é em bailaricos e andarem a mexer o bum bum" -  Lá experimentei a cenaice, questionando-me sempre como raio aquilo iria funcionar, dado que aqui a criatura não é dotada de cascos pés que quando vão à pedicure mais parecem lascas de queijos, as peles a serem retiradas, mas sim algo semelhante ao fim de uma embalagem de queijo ralado: migalhitas e nada, quase nada que se veja e se preze de ser chamado de pele morta. Ora, cumprindo todos os requisitos das instrucções, zero de peles a começarem a sair. Disclaimer: Durante 15 dias (sim 15 dias) as peles iriam começar a sair. "Meh" pensei e disse eu, na minha santa inocência. "Isto não vai dar em nada". Mal sabia eu, o que me esperava ao virar da esquina! Chega a altura de pôr as peles a apanharem ar e nada de cascas de queijo à vista. No dia em que me aperalto toda para ir à praia, olho para os pés: ia-me benzendo! Parecia uma autêntica cobra a mudar a pele! "Eita, diacho", pois é, pois é. Tinha logo de ser quando ia estar em público que isto me iria acontecer. Basicamente, passei uns 4 dias a tirar as peles dos pés - mesmo a tempo do fim-de-semana comprido acabar - que parecia que tinham sido escaldados que nem as patas das galinhas antes de se confeccionar ou que tinham estado de molho e a água evaporado, ficando o calcário a marcar a zona do nível da água inicial.

Vos digo e garanto que parecia mesmo que tinha farrapinhos laterais nos pés, uns flippers ali, mil patinhas de centopeia, mas de pele. Ainda se entrasse na água e desse para boiar, mas nem isso! Situação digna de ser mencionada, com medalha de mérito de participação no meio desta coisada toda, foi o facto de a areia ser grossa, com pedaços de seixos e a escaldar nas horas do caraças. Ou seja, a altura melhor e mais do que perfeita, da pele dos pés mudar e estar fina e nova, sem espessura no calcanhar para criar barreira à prova de assanços das barbatanas! Nem 1 milímetro que se preze de forra de casca de queijo da serra havia. Quase parecia aquele anúncio dos anos 90 a um refrigerante em que até o cão se queixava da areia quente, mas na vertente que pé na areia, só na imaginação e mesmo assim, queimava.

Conclusão: Não me apanham em outra. "Ah e tal que és jovem", mas não. Felizmente não ia em fim-de-semana romântico ou com a intenção de ir à caça de gambuzinos, porque assim, ui ui, caiam todos aos pés mas era de choque com tal paisagem de natureza morta viva. Pena não haver daqueles peixinhos que comem as peles mortas, aonde estive. Era um festim que virava tudo peixes baleia!

Andar a inventar, dá nestas coisas.

frito e escorrido por Peixe Frito, 10.03.22

Uma pessoa não consegue estar quieta e põe-se a exercitar o músculo da criatividade e depois é assim.

Tudo começou porque tinha duas bananas a pedirem a reforma, no frigorífico - Aparte: é incrível como as bananas não gostam de viajar. Eu sei que não as levo para lugares exóticos, andam comigo no saquinho diário da bucha, agora escusavam era de ficarem logo todas nicadas e castanhas, ao fim de um dia ou dois. Armadas ao cardo, as meninas. "Ah, viajar em saco? Isso é muito de pobre, ó menina. Aqui as riquezas só gostam de viajar de avião ou de barco, para curtirmos as ondas!" Pois é mas ó bananas peneirentas, expliquem lá como podem ir de barco comigo se não há águas a atravessar (só poças, talvez... nos buracos da estrada) e andarem de avião, já andam na minha companhia? (txé Peixa, estás a dar-lhe hoje) - que tinha de aproveitar. Ainda ponderei um pudim de pão / banana, chegaram a sugerir-me panquecas, mas aqui a garbosa disse logo: "Não senhora!". Amiga do ambiente - na medida do possível, talvez não muito amiga do ambiente de quem me atura, dado falar pelos cotovelos e coisas do género - e sempre a arranjar coisas naturais a experimentar na própria persona, resolvi matar dois coelhos de uma cajadada só: na impossibilidade de me deslocar ao supermercado para comprar amaciador para o cabelo - ponderei o da roupa, mas achei que talvez não fosse muito viável, embora o cheirinho a sândalo e madressilva seja, de facto, tentador - elaborei uma máscara nutritiva e mái não sei quê, com banana para a trunfa. Ai se eu estava contente com a ideia. Estava mesmo. Saltando a parte da aplicação que acho óbvia, a carga de trabalhos deu-se mesmo foi ao retirar a mesma. Tive de lavar o cabelo 4 vezes... quatro vezes! Cu-a-tro! Quatre! Vier! (ou ir, talvez) čtyři! (sáude!!) Fyra!!  (*sinal da cruz a benzer-me* isto é um trauma para quem só toma banho uma vez por mês, excepcionalmente) eita diacho!! e mesmo assim, ainda tinha resíduos de banana no cabelo. Ora, isto por um lado é porreiro, ter assim pedacinhos de banana no cabelo é um snack verdadeiramente à mão, útil até dizer chega, pois pode dar o ratinho a roer a meio da noite e pimbas, está ali um pedacito no meio da trunfa, à mão de semear. Mas têm a vertente que me irrita solenemente, lavar o cabelo tantas vezes e mesmo assim, as bananas lutaram pela vida dos seus restos mortais, se agarrando de unhas e dentes, ao meu cabelo.

Resumindo: Hoje está um belo dia, apesar de estar a chuviscar e eu não me meto noutra destas, em um futuro assim tão próximo. Deixa lá as bananas no sítio delas, ficamos cada uma na sua e fica tudo bem! Beleza  Amigas como antes! (talvez... veremos).

Parece uma anedota mas não, é a vida real.

frito e escorrido por Peixe Frito, 18.09.19

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Em amena conversa, uma alminha diz que comprou ameijoas para fazer em casa. Grunhiu, porque até comprou das mais caras e viu que não compensa. Acrescentou que foi uma chatice, que maioria das ameijoas não abriu aquando confeccionada. Fiquei espantada e admirada desse ser ter sequer comido essa refeição, pois com tanta ameijoa sem abrir, não era eu que me iria arriscar a comer mesmo as abertas. Perguntei:

- Mas compraste das frescas?

- Sim, das frescas. Não foi das congeladas. Até as escolhi e tudo - e fez o movimento como se tivesse com as pás de plástico aquando compramos a granel.

«WTF? Escolheu? Hun... » pensei eu, além de que para se cozinharem ameijoas frescas, as mesmas têm de se por de molho para as areias sairem e as bichas abrirem... mas nem vamos por aí.

Até que uma outra alminha pergunta, se ao lado não estavam as ameijoas vietnamitas congeladas. A criatura responde afirmativamente mas volta a frisar que não comprou congelada, mas sim ameijoa fresca. E a alminha lá lhe diz:

- Ouve lá, se na arca, ao lado, estavam as vietnamitas, era porque as que compraste são congeladas e não frescas. As frescas não se compram assim, estão de outra maneira.

Yep... ele comprou das congeladas e achava que eram frescas só porque.. coiso. Sei lá, nem percebi o argumento tal a profundidade do wtf moment.

Resumindo... esta situação só me fez lembrar uma gozação lá no aquário mor, que dizemos que comemos peixe fresco porque o tiramos do congelador.

Ó meus senhores... com cada uma que mais parecem duas.

Lei de Murphy. E está tudo dito!

frito e escorrido por Peixe Frito, 15.05.19

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Calor abrasador. Tão abrasador que a fruta desmaia e cai da árvore e os tomates assam no pé do tomateiro, em plena horta. Calçar ténis com dias destes, é um enorme potencial de cheirar a chulé, sem falar do calor que se gera dentro dos mesmos - só nos apetecendo descalçar - e do transpirar dos pés, gerando lagos e escorregas dignos de parques aquáticos. Detesto ir a andar e a escorregar dentro do meu próprio sapato. Lindo. Pareço uma gazela que nasceu há minutos e está a aprender a andar. Sapatos, sofrem da mesma questão. Solução? Bem que me apetecia calçar hawaianas mas na falta de consentimento da entidade patronal de ir trabalhar com vestes à verão, calcei umas sandálias. Todas panisgas e fofinhas, diga-se de passagem. Fartei de chinelar por tudo o que era sítio, a descer escadas então, parecia um concerto de Stomp. Vantagem maravilhosa foi o factor de poder descalçar as ditas sandalitas, enquanto estava sentada na cadeira, ao computador. Maravilhosos, deixem que vos diga. Fantástico. Barbatanas ao ar, sem aromas que davam vontade de ir buscar um pão e cortar uma fatia para acompanhar... Fenomenal. Naturalmente, não há bela sem senão. Ao fim do dia, quando calcei dignamente as sandálias para ir para casa, vi que uma estava a descolar totalmente a forra onde prendia o pé, dos dois lados. Resumindo: próximo passo e vais mesmo ficar com os presuntos ao ar e no chão. Infelizmente, não deu para remediar a situação pois dado o tecido, não havia cola nem fita que aderisse ao animal, de modo que... fui calçada até ao peixmóbil e conduzi descalça.

Pensei para com os meus botões que não tenho, que quando chegasse ao bairro, até conseguiria ir efectivamente descalça até ao meu andar, pois a aquela hora não me costumo encontrar com ninguém, seja vizinhos seja gente na rua. Congeminei o plano perfeito: estaciono o mais perto da porta do prédio possível, pego na sacaria toda, verifico se o chão têm vidros ou merdas coisas que me possam magoar, dou corrida pelo passeio, abro a porta do prédio, entro à velocidade do Flash e está feito! É, né? Não. Óbvio que não!! Começando do principio: conduzir descalça. Ah e tal, vou pela autoestrada que não costumo apanhar muito trânsito e a esta hora, naquela rampa mega inclinada para sair do trabalho, não há assim carros e ponto de embraiagem com probabilidade de fazer figuras de ursa e maçarica a deixar ir abaixo a viatura, são probabilidades quase nulas. A questão é que apesar de probabilidade quase nula, há probabilidade e é exactamente esses 0,0000001% que nos vêm morder o rabo. Apanhei um trânsito demoníaco. Uma fila enorme para entrar na estrada principal, onde tive mesmo de ter cuidado a fazer o ponto de embraiagem - passar de saltos todo o dia para zero saltos, sabem as senhoras como os pés ainda estão meio estranhos - e não fazer arranques que quase arrancavam o alcatrão da estrada e faziam uma colina na rampa. Ultrapassada essa situação, trânsito, gente e mais gente. Gente, gente, gente. Rotundas. Carros com falta de piscas. Razias às viaturas com ultrapassagens de alguém sem cérebro. Sobrevivi à aventura que é andar no trânsito ao fim de um dia de trabalho e cheguei ao bairro. Ninguém à vista! Excelente. Lugares em frente à porta do prédio: mais uma vez quero agradecer às alminhas doces e amorosas, tão doces que até enjoam e causam diabetes ao próprio açúcar, por estacionarem mal os carros, sem respeitarem os traços no chão que delimitam o parqueamento, fazendo com que quem estacione entre viaturas, tenha de sair pela bagageira ou pelo tecto de abrir. Agradecida do coração. Me fizeram andar uns metros para baixo com tanto lugar à porta, somente porque não gosto de fazer yoga para sair do carro nem aprecio quicadas de portas na minha viatura. A tipa é de cor escura e eu não aprecio efeito "dálmata" na pintura dela. Lá estacionei mais para baixo. Sempre sem ninguém à vista. Pego nos tarecos, abro a porta, examino com cautela o chão. Luz verde. Tudo está alinhado conforme a vontade divina de eu chegar a casa bem e segura. Salto do carro e lá vou eu, aos saltinhos pelo parqueamento e passeio, fazendo crescer tufos de ervas viçosas floridas e aparecerem borboletas por onde quer que eu pisei. Porta do prédio! muhahahah (*gargalhada maléfica*) Ninguém à vista!! Saco da chave para abrir a porta, enfio na fechadura do prédio e... aparece o meu vizinho do rés do chão e abre-me a porta. Yep. Assim do nada, materializou-se o homem, tipo nevoeiro em que apareceu D. Sebastião, assim veio ele e me abriu a porta. Trocámos sorrisos, cumprimentámos. «ele não notou», pensei.

Estou eu em frente ao elevador, prestes a abrir a porta e o rapaz a sair do prédio, a fechar a porta, olha para mim e me diz:

- Mas então, você está descalça??

Só olhei para ele e me ri a bandeiras despregadas.

- Sim... estou descalça.

Riu-se. Abanou a cabeça e foi embora.

Resumindo: Onde estão os cavalheiros?? Não me podia ter perguntado se precisava de um chinelo, chanata, mocassin, peúga, fita cola para enrolar à volta dos pés ou até me ter pegado ao colo e ter levado até porta do meu apartamento, para eu não andar descalça? tsc tsc Já não há homens como antigamente.

O que o raio do calor consegue fazer às pessoas. Tudo por causa de não ter os pés a cozinhar ao vapor dentro de calçado fechado. Ninguém merece.

Isto começa a cheirar a complot.

frito e escorrido por Peixe Frito, 25.03.19

Já me aconteceu tirar o tampão invés do batom do cieiro da mala, tirar o cartão para picar o ponto na máquina na empresa e me cairem pensos higiénicos no chão, mas acho que esta, merece coroa pelo seu brilhantismo, inteligência no disfarce, camuflagem - embora meio daltónica, pois a embalagem é multi colorida e aos bonecos - pela sua "sorrateirice" aguda e tendência de me fazerem a mim - a mim! - fazer figurinhas com tanta mestria.

Ora experimentem lá, tirar a carteira para pagar a conta no supermercado e terem a porcaria de um penso higiénico na embalagem, colado na carteira, mesmo do lado de lá onde vocês não podem ver? E só o detectam, porque sentem a carteira com volume a mais e alguma maciez invulgar para as tachas que ela têm a decorar?

Além de eu já estar a ficar mestra em disfarçar estas merdices que me acontecem, a sorte foi mesmo ninguém estar a seguir a mim e eu achar que a rapariga da caixa nem deu conta - acho eu... às tantas viu e os arrepios-de-vergonha-alheia foram tantos, que ela até desviou o olhar.

Decididamente, começo a achar que os artigos de higiene íntima me andam a pregar partidas. Por causa das porcarias, vou comprar uma bolsinha - como tanta gaja que se preze usa - enfiar tudo lá dentro, enjaulando assim os seres das trevas e das grutas. O que poderá acontece é quando eu precisar de algum daqueles artefactos, não ache a bolsa dentro da mala e volte a colocar tudo à solta tipo animais selvagens, na mala, me pondo assim uma vez mais, a jeito das suas traquinices e falta de vergonha na cara.

Uma pessoa têm de impor respeito! Mas onde é que isto já se viu? Andam muito saídos da casca, as criaturas. Andam, andam. Já nem sequer a pagar as minhas continhas, posso estar descansada. Sempre com um olho no burro e outro no cigano, possas!

 

Esta ainda não me tinha acontecido.

frito e escorrido por Peixe Frito, 18.02.19

Ouve-se lá nos confins do aquário mor uma conversa entre avô e neta:

- Vai pedir à tia Peixa, que ela ajuda-te.

Passinhos pequenos e rápidos, em jeito de corridinha e oiço uma vozinha de quem me vêm cravar algo, versão gato-das-botas, mas vocalizado:

- Ó tia Peixaaaa... - olho para ela e ela de beiço estendido e olhinhos de Bambi - tiras estas coisas da minha plasticina?

A mirar a plasticina, na minha mão, vejo algo que parecem pedacinhos de ramos lá metidos.

- A plasticina têm umas coisas pretas, não vês? - diz-me o pai adamastor.

- Sim... estou a ver - respondo, enquanto vou tirando. Tiro uma, duas, três, à quarta olho bem para aquilo e pensei: «Porra que isto me parecem patas...» e virei a plasticina ao contrário.

Pois bem... Adivinhem??

-  rabinho pequeno, isto vai para o lixo!! Tens aqui uma aranha morta colada à plasticina! Olha para esta porcaria!

- Ohhh não vai para o lixo não.

- Vai vai.

- Não vai não - e olha para mim com olhos engraxadores a tentar tocar ao sentimento.

- Está aqui uma bela porcaria. Olha agora a minha vida, andar a catar patas de aranha de plasticinas.

E ali tive, a tirar o cadáver da aranha e as patas semeadas pela plasticina, com a rabinho pequeno a observar-me atentamente, a ver se lhe devolvia a plasticina.

Que não sonhe a mãezinha dela que além de detestar plasticina, que eu lhe devolvi a plasticina depois de a limpar bem, tal e qual uma cena de crime sem rastos e evidências, invés de a mandar fora.

Bem, ao menos assim, ganha anti corpos.

E eu a pensar que ele é que estava com a "cadela".

frito e escorrido por Peixe Frito, 28.12.18

Preparar para deitar, tudo a postos e enfiar nas mantas. Ahhhh que bom, ao fim de um dia de trabalho, finalmente, matar saudades da almofada!! Afofar na santa paz dos lençóis, ali que nem um mimo, e eis que...

- Saraaaaaaa... Ó Sara! Saraaaaaaaaaaa! SARAAAAAAAAAAAAAAAA!!

Fosga-se, ninguém merece tal festival. Então não começa uma criatura das grutas - só pode ser das grutas pois ninguém sai a aquela hora para a rua a não ser os noctívagos - a gritar desalmadamente na rua, no meio do parque de estacionamento?

Pois, das duas três: Ou a serenata estava a correr mal e a moça escondeu-se ou aquilo era alguém já com andamento a aquela hora e ficou baralhado a quantas Saras já ia - ainda a noite era uma criança - ou então era mesmo era parvo por estar ali a gritar em plenos pulmões, a chamar pela Sara - no meu tempo era mais "Ó Elsa!! Manda os putos para a barraca!!"

Já eu a espumar e a jeito de me levantar e ir à janela impor respeito, e oiço:

- Sara pá, mas onde é que tu estás? Raios partam mais à cadela!! Já para aqui. Á MINHA FRENTE!!

Ora, é mesmo isso. Já ouvi muitos nomes mas chamar Sara a uma cadela, foi estreia.

Onde é que estão aqueles nomes normais de cão, pá? O Pantufa, a Fofinha, a Branquinha, o Lãzudo, Patudo, Bigodes...? Que raio de moda, de darem nomes de pessoas a animais. A sério... 

 

E depois são as vacas que têm muito "leite"

frito e escorrido por Peixe Frito, 27.12.18

Há criaturas que nem sequer têm a mínima noção da sorte que têm, da "cága", da vaca, da leitosa, da leiteira que por vezes a vida lhes sopra e nem sequer precisam de uma pata de coelho nem de um trevo de quatro folhas.

Ora então, passo a relatar a sorte grande à qual assisti hoje.

Para não variar, uma varejeirazorra arraçada de bóing, andava a azucrinar-me o juízo. Pimbas, de encontro contra o vidro do gabinete, mas o dom dela de atravessar vidros devia de estar sem pilhas no comando, então era só cabeçada fervosa a ver se trespassava o vidro subtilmente. Porém, tal como há bichos alados a dar com um pau - ou folha de papel enrolado num canudo e vai de fazer de raquete - também há seres com muitas patas, inúmeros olhos, peludas, cú grande e com a mania de se andarem a babar por todos os lados. Até aí, nada de novo. Cada um na sua vida, uns trabalham ao computador e outros fazem crochet nas teias. É assim a vida. Infelizmente, tive de sair do quentinho do gabinete e ir para a arca frigorífica, que é o resto do complexo. Igual a um cão de guarda, a varejeira perseguiu-me. Vai de andar à minha volta, fazia razias à cabeça, passava pertinho dos ouvidos - parecia eu que estava a ouvir fórmula 1 - e assim teve até que, pimbas, se espetou no crochet da aranha. Vai a aranha toda lampeira e a varejeira fugiu - deve ter andado a ver o Hobbit neste fim-de-semana de Natal e aprendeu como sair das teias das aranhas - toda alegre da vida, voltando a fazer-me razias. Vai uma... vai duas... vão três e pimbas novamente na teia da aranha, que entretanto já tinha largado as agulhas e estava à cóca a ver se apanhava a varejeira. E acham que foi desta? Não, não foi desta. O ser alado estava dar-me baile a mim e à aranha. Felizmente, lá lhe deu alguma coisa naquele exoesqueleto e foi arejar para outros lados. A aranha ali ficou, à espera que a outra lá voltasse para a apanhar, mas a tipa escapuliu-se mesmo em grande e em alta.

Eu ainda disse à aranha, que podia ser que ela tivesse sorte e que à terceira costuma ser de vez, como diz o povo. Ela ainda esperou... Mas não. Desta vez, não foi assim. E lá voltou ela para as suas agulhas, para continuar a fazer a sua manta de crochet para as visitas da sua teia.

É o que eu digo, há bichos com muita sorte e nem sequer têm a noção disso. Zero! - Não tenham pena da aranha, que ela tinha lá dois convidados a aguardarem pela ceia. Também não precisa ser gananciosa e arranjar mais um.

E ainda continuando no tema das aranhas, como sabem, aranhas e eu, eu e aranhas, é uma atracção fatal.

Há dias, entro no peixmobil, ponho-o a trabalhar, acendo as luzes e lembrei de procurar uma coisa no porta luvas. Sabem, normalmente eu costumo mexer na temperatura da viatura mal assento o bafunfo no banco, mas naquele dia não me deu para isso. E vasculhei um bom bocado o porta luvas. Não encontrei o que queria, ajeitei-me no banco e ponho o cinto. Senti algo estranho, não sei explicar. Olho para o painel e bem na "roda" da temperatura do meu lado, perto da minha perna, estava uma aranha. Ali tranquila... Pormenor: eu não tenho medo de aranhas e afins. E exclamei: "Fosga-se, ca ganda animal!!!" Pois é, pois é... A menina só era maior que o diâmetro da roda da temperatura. Que é isso? pfffff Maricas, Peixa. Que fiz? Lá teve de ser. Peguei numa perninha dela, abri a goela e finquei o dente de uma só vez! eheh Nada disso. Pego num pano e nada que um golpe palma de mão não resolva, me certificando que ela de facto jazia sem vida no pano e que não me estava a indrominar, mandei-a pela janela - não fui embora sem antes sair do carro e me certificar que o cadáver estava na estrada. Nunca fiando com estas bichas do demónio.

Bem que eu me andava a perguntar, porque raio a viatura não andava a puxar... Já desconfiava do combustível e tal, afinal afinal, era do aranhão que andava a passear à boleia. Olha agora... Devia de achar que sou algum Uber, não? Era o que me faltava.

Cambada de mimados, as criaturas que crio com todo o amor do mundo.

frito e escorrido por Peixe Frito, 07.11.18

Tenho uns peixes que são o máximo. Contam já com quase onze anos de vida e cada dia que passa, mais cromos ficam. Qual foi a última deles? Amuaram. Sim sim, amuaram. Sabem porquê? Eu conto.

Descuidei-me com os floquinhos que lhes dou de comer e, quando ia colocar floquinhos no aquário no ritual diário de quando chego a casa, vejo que a embalagem ficou vazia. "Uppsss" pensei "Caraças que me esqueci dos floquinhos". No dia a seguir, voltei a esquecer. Pois olha... não comeram nesse dia. Um dia sem comerem também não lhes faz mal e até lhes ajuda o sistema digestivo. O problema, foi eu no dia a seguir, não ter tido nenhuma possibilidade de ir aos floquinhos. Chego a casa tarde, vejo a embalagem dos floquinhos na credencia à entrada de casa e partiu o meu coração. "Possa... esqueci dos meus amores. Mais um dia sem comerem". Isto mexe mesmo comigo, não há necessidade de eles passarem dois dias sem paparoca por minha irresponsabilidade. E eles depois, são umas melgas de barbatanas: normalmente já fazem um chinfrim no aquário a pedirem comer - e isto com as refeições em dia - quando abro a parte superior do aquário, parecem feras - tubarões como uma vez me disseram, quando fui de férias e lá foi família não habituada a eles: "Possas, pareciam uns tubarões a atacarem os floquinhos" - quase saltam fora de água, tal é o seu sentido de predação com floquinhos inocentes a boiarem indefesos, fazem sons na tona da água, rebentam bolinhas e faz eco no aquário e parecem bichos das cavernas, andam a perseguir-me para onde me mexa, se vou para a esquerda, lá vão eles atrás, se vou para a direita, lá estão eles... se olho para o aquário estão todos parados a olhar para mim à espera de comer, dando uns repenicões com o corpo como quem me diz: "Méquie gaja, manda daí os floquinhos que já se faz tarde!!", só parando de me fazer pressão - under pressure... como cantavam os Queen - quando eu lhes der comer. É que nem sossegada consigo estar no sofá, estão sempre a mandar vibrações mentais até comerem. Uns sabidos, é o que são. Então, isto tudo para chegar à parte do amuanço. Fui comprar os floquinhos (*ALELUIAAAAAAA* - coro angelical) e, vi granulado pequeno. Pensei que podia variar, lhes dar floquinhos e outro dia granulado, para ser diferente, já que eles comeram as pastilhas de algas que eu tinha do meu Peixão - outro que desencarnou com 12 anos - pensei que a coisa até ia funcionar. Não podia estar mais iludida. Cheguei a casa, barulho logo no aquário - os tipos devem ter câmera de filmar à entrada para me controlar pois mal eu chego, oiço a saltar na água e a fazerem os sons cavernosos a chamarem a atenção - e lá fui eu lhes dar paparoca. Como estavam há dois dias sem comer, pensei ser uma boa altura para lhes dar o granulado... mesmo não sendo floquinhos, com a fomeca a apertar, aquilo ia marchar. É né? Pois, era suposto. Meti o granulado no aquário, foi vê-los a chegarem à tona e a darem curvas para trás, tal e qual um carro a fazer uma guinada de emergência para evitar um acidente e a ficarem sossegados no fundo. Nem foram mais à tona. Amuaram, os ranhosos. Mandaram-me a mim comer o granulado, nem lhe tocaram. Tal e qual crianças a amuarem à mesa por terem de comer brócolos e não gostarem. Resumindo: deixei passar um bom tempo, a ver se comiam. Nada. Zero zerinho zereta. Pronto... tive de ir por flocos. Desconfiados, lá foram cheirar e acabaram por comer os flocos. Olha agora, armados em finos? Nunca me passou pela cabeça, serem esquisitos a comer! Até já camarões secos das tartarugas lhes dei e marchou! Agora granulado? Isso come-o tu.

Para o que eu haveria de estar guardada. Mas uma coisa é certa, ah vão ter de roer com ele, nem que seja aos poucos, ou não me chamo Peixa Maria e na minha casa não há cá espaço para esquisitices!